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O picolezeiro da Cidade Branca.

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Duas irmãs moravam juntas na velha casa da velha Rua Tiradentes, em Corumbá.

Tinham um único prazer nesta vida, ao final das mornas tardes, aguardavam o passar de um picolezeiro e refestelavam-se com um picolé de groselha para cada uma.

Certa tarde, contrariando os hábitos arraigados, tardou para atender tão preciosas freguesas, e pior, quando chegou, envergonhado confessou sua imprevidência nas vendas , e que só lhe sobrara um picolé de groselha, mas que ele nada cobraria por ele…

Num gesto teatral, abriu a tampa do carrinho, fez um floreio no ar com o picolé na mão, e com um arremedo de mesura o entregou.

As irmãs, atônitas, fitaram o precioso picolé e a que estava com ele em mãos, de imediato o entregou à outra!

-Chupa você, Diva!

A irmã recebeu, olhou e o devolveu dizendo:

-Chupa você, Corina!

E entre chupa você Diva , chupa você Corina , foram trocando o picolé de mãos até que, amolecido, ele tingiu de vermelho o chão branco da rua.

Passaram a se recriminar mutuamente, e se vingaram do picolezeiro não comprando mais dele, por terem jurado abandonar o “vício” do picolé vespertino.

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Para o fotógrafo passarinheiro Raul José Vieira Neto, como agradecimento por despertar antigas lembranças…

Armando Arruda Lacerda
Corumbá, 02/04/2025

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