Clima seco, variações térmicas e ambientes fechados agravam sintomas e reforçam a importância da prevenção e do acompanhamento contínuo
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A chegada do outono é marcada pelas mudanças nos termômetros. Como característica, dias menos quentes e aumento da crise de doenças respiratórias, como a asma.
Segundo dados do Ministério da Saúde e do DATASUS, o Sistema Único de Saúde atendeu, em 2021 1,3 milhão de casos da doença. Nessa época, o órgão estimava que 23,2% da população do país sofria com ela, com uma incidência que variava entre 19,8% e 24,9%, a depender da região.
Essa mudança regional acontece por diversos fatores, sendo um dos principais as diferentes condições do clima que cada região apresenta.
Isso porque a asma é uma doença crônica que atinge as vias aéreas e os tubos que levam o ar para o pulmão, os brônquios. Quando inflamados, ela pode causar desde sintomas mais amenos, que passam ao longo dos dias, até situações que necessitam de atendimento médico, como:
- aperto no peito;
- falta de ar;
- dificuldade para respirar;
- chiado no peito;
- tosse constante.
O DATASUS mostra ainda que 2,3% dos casos totais da doença em crianças entram na faixa de mais graves, necessitando até mesmo de hospitalização. Dessa forma, a asma se torna a terceira ou quarta maior causa de internação dessa faixa etária.
Justamente por gerar essas complicações, é essencial entender como a asma atua no organismo, saber os cuidados durante o outono e conhecer os tratamentos disponíveis.
Por que o outono aumenta as crises de asma?
Considerada uma das estações mais desafiadoras para a saúde, o outono traz fatores que agravam os problemas respiratórios.
A queda nas temperaturas faz com que a população passe mais tempo em locais fechados. Sem abrir as janelas, o ar não circula, e vírus, ácaros e poeira ficam no ar e são facilmente proliferados, aumentando as transmissões.
Outro ponto é que, com o ar mais frio, as vias aéreas tendem a ficar irritadas, e essa situação aumenta o muco e diminui a resposta imunológica do organismo.
A adaptação constante ao clima da estação enfraquece o sistema imunológico, deixando as pessoas mais vulneráveis a vírus e infecções. Quem já tem condições preexistentes, como a asma, tende a sofrer mais na estação, já que essa combinação de fatores pode levar a crises, com sintomas mais presentes e graves.
Prevenção e hábitos: como proteger os pulmões na estação seca
A melhor forma de manter a saúde no outono é fazer a prevenção de crises. A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia estima que apenas 12,3% dos asmáticos no país estão com a doença bem controlada. Por isso, os cuidados são fundamentais.
O órgão aconselha como principal fator de prevenção a vacinação. Manter a carteira vacinal atualizada é uma das formas de evitar infecções que podem causar danos respiratórios.
Além disso, mesmo que o clima esteja frio, é essencial que o ambiente tenha ventilação, principalmente em casos crônicos da doença. Cigarro, poluição e cigarro eletrônico são considerados agravantes para a condição e precisam ser evitados pelos asmáticos, até mesmo a exposição à fumaça.
Em casa, a higiene precisa de mais atenção. Trocar a roupa de cama e as cortinas e lavar as almofadas com maior frequência são aspectos essenciais. Além disso, é aconselhável passar o aspirador de pó durante as faxinas, pois evita que alergênicos como poeira e ácaros se acumulem e entrem nas vias respiratórias.
O uso de máscara em ambientes de aglomeração é indicado, principalmente para faixas etárias de maior risco, como bebês, crianças e idosos.
Embora não exista uma única causa para que a crise se intensifique, sabe-se que a principal está relacionada com a inflamação das vias respiratórias, por isso, com o tempo seco do outono, é preciso manter a região bem hidratada. Fazer lavagem com soro fisiológico é aconselhável.
O papel do tratamento contínuo e a importância do acompanhamento médico
A asma é uma doença que não tem cura, por isso, independentemente de a crise estar atacada ou não, o acompanhamento médico é fundamental para quem tem a condição.
Por ser uma doença variável, os sintomas mudam de acordo com cada asmático, além de poder sofrer alterações ao longo da vida. Dessa forma, não existe um único tratamento, então precisa ser feito de forma individualizada, considerando os sintomas, as formas em que a crise aparece e as questões que levam a pessoa a um risco maior, como idade e outras condições.
Dentro do plano de manejo personalizado, o especialista pode prescrever medicamentos de manutenção para o controle da inflamação brônquica. É o caso de associações como o Seretide, o Symbicort ou a Alenia, por exemplo, que combinam um corticoide inalatório a um broncodilatador de longa duração. Alguns medicamentos para controle dos sintomas também podem ser indicados.
Vale lembrar que, em casos de sintomas muito intensos, como falta de ar grave, baixa oxigenação, dor no peito ou insuficiência respiratória, o paciente deve buscar um ambulatório o mais rápido possível para fazer uma avaliação no pronto atendimento.
































