SEGUNDO TURNO
Governador transforma antiga sede de sua campanha na Casa 22, convoca eleitores para o segundo turno e cobra mudanças na política nacional de segurança pública; questionado sobre a escala 6×1, evita criticar mudança de posição do presidenciável
O governador reeleito de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), inaugurou nesta terça-feira (13), em Cuiabá, a Casa 22, comitê de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Durante o evento, estabeleceu como meta ampliar de 65,15% para 75% a votação do candidato no Estado e convocou os eleitores a comparecerem às urnas no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A inauguração reuniu lideranças políticas que apoiam a candidatura de Flávio na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O espaço foi instalado na sede do Republicanos, no bairro Quilombo, onde funcionou a Casa 10 durante a campanha que garantiu a reeleição de Pivetta ao Governo de Mato Grosso, no primeiro turno, em 4 de outubro.
Ao transformar o antigo comitê de sua campanha em um ponto de mobilização para a eleição presidencial, Pivetta procurou demonstrar que pretende colocar a estrutura política construída em Mato Grosso a serviço do candidato do PL.
“Nós, brasileiros, precisamos que o 22 ganhe a eleição. Precisamos que o Flávio Bolsonaro ganhe essa eleição para mudar o Brasil, para tirar o Brasil das amarras do PT”, afirmou o governador.
Pivetta também convidou os eleitores que apoiam o presidenciável a utilizar o espaço como ponto de encontro e organização das atividades de campanha.
“Todos os brasileiros mato-grossenses que querem se juntar conosco para ajudar a derrotar o PT são muito bem-vindos. Estão todos convidados. Todos que querem votar no Flávio Bolsonaro podem fazer dessa casa a sua casa também, que a partir de hoje é a Casa 22”, declarou.
META DE 75% – O governador estabeleceu uma meta considerada ambiciosa para a reta final da eleição presidencial: elevar a votação de Flávio Bolsonaro a 75% dos votos válidos em Mato Grosso.
No primeiro turno, o senador recebeu 1.298.581 votos no Estado, equivalentes a 65,15% dos votos válidos. Lula obteve 581.681 votos, ou 29,18%.
A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 717 mil votos, consolidando Mato Grosso como um dos principais redutos eleitorais do bolsonarismo.
Para atingir o objetivo anunciado por Pivetta, Flávio precisará ampliar sua participação em 9,85 pontos percentuais em relação ao primeiro turno.
“Nós vamos fazer o que for possível, dentro da legalidade, para aumentar o percentual de votação. Ele teve 65%. Vamos trabalhar, vamos fazer o possível para que chegue aos 75%”, afirmou.
O governador também demonstrou preocupação com uma eventual redução do comparecimento dos eleitores no segundo turno, fenômeno que pode influenciar o resultado mesmo em estados onde um candidato abriu vantagem expressiva.
Segundo ele, a estratégia será intensificar a mobilização e estimular a participação daqueles que não votaram em 4 de outubro.
“Nós vamos convidar o nosso povo mato-grossense para ir para as urnas, para fazer como já fez no primeiro turno. Se possível, até os que não foram votar no primeiro turno, nós vamos pedir ao povo mato-grossense que compareça às urnas no dia 25 e ajude a mudar o Brasil”, disse.
A meta de 75% representa uma tentativa de ampliar a vantagem já conquistada pelo candidato do PL e demonstrar a capacidade de mobilização do grupo político que reelegeu Pivetta no primeiro turno.
SEGURANÇA NA FRONTEIRA – Durante a inauguração, o governador também aproveitou para cobrar mudanças na política nacional de segurança pública.
Pivetta criticou o Governo Federal e afirmou que Mato Grosso enfrenta dificuldades para combater o crime organizado, especialmente na extensa faixa de fronteira com a Bolívia.
Segundo ele, a atuação das forças federais deveria ser mais intensa, diante da utilização da região por organizações criminosas envolvidas no tráfico de drogas e em outras atividades ilícitas.
“Nós dependemos do governo central, que tenha a responsabilidade e assuma a fronteira do Brasil com a Bolívia, que são 900 quilômetros que o Estado de Mato Grosso cuida sozinho, sem a presença do Governo Federal”, declarou.
A afirmação expressa a crítica política do governador à atuação federal. O policiamento da fronteira, entretanto, envolve atribuições de diferentes órgãos estaduais e federais.
Pivetta defendeu uma política nacional mais rigorosa contra as facções criminosas e manifestou apoio à classificação dessas organizações como terroristas, proposta defendida por setores da direita.
“Nós queremos fazer segurança pública de verdade, inseridos numa política nacional de segurança pública, que resolva combater o crime organizado, que resolva decretar guerra a essas facções criminosas, que resolva realmente acabar com essa lambança que é a segurança pública no Brasil”, afirmou.
A classificação de facções como organizações terroristas é tema de debate jurídico e político, com possíveis consequências para a legislação penal e para a atuação das instituições de segurança.
ESCALA 6X1 E POPULISMO – Outro assunto abordado durante a inauguração foi a proposta de redução da jornada de trabalho, conhecida como PEC da escala 6×1.
Questionado sobre a mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro, que passou a sinalizar apoio à proposta depois de defender negociações diretas entre empregadores e trabalhadores, Pivetta evitou criticar o candidato que apoia.
Inicialmente, o senador havia sustentado que a organização da jornada deveria resultar de acordos entre as partes, inclusive com possibilidade de remuneração proporcional às horas trabalhadas.
Com a repercussão nacional do tema e a proximidade da votação no Senado, prevista para quarta-feira (14), Flávio mudou o discurso e indicou que votará favoravelmente à proposta.
A mudança ocorreu em meio à pressão política do presidente Lula, que passou a cobrar uma posição do adversário sobre a redução da jornada sem diminuição salarial.
Ao comentar a questão, Pivetta afirmou que a discussão está sendo influenciada pelo ambiente eleitoral, mas não dirigiu sua crítica diretamente a Flávio.
“Eu acho que a temporada do populismo tomou conta do país. Então, eu sempre fui favorável à liberdade econômica. Sou favorável à negociação entre as partes, eu valorizo o trabalho. Eu sou um trabalhador, vim para cá na boleia de um caminhão e sei o que é trabalhar”, declarou.
O governador prosseguiu criticando políticas que, em sua avaliação, utilizam benefícios econômicos como instrumento de conquista de apoio eleitoral.
“Nós não queremos esmola. No país se criou essa tradição de dar esmola, de comprar voto com acenos populistas”, afirmou.
A declaração expôs uma diferença de ênfase entre o governador e o presidenciável. Enquanto Pivetta reiterou sua defesa da liberdade econômica e da negociação entre patrões e empregados, Flávio passou a apoiar a redução da jornada no contexto da disputa presidencial.
Diante das divergências internas, a expectativa apresentada durante a discussão é de que o PL libere sua bancada no Senado para votar conforme a posição de cada parlamentar.
MOBILIZAÇÃO FINAL – Apesar das diferenças sobre a proposta trabalhista, Pivetta deixou claro que sua prioridade política é contribuir para a vitória de Flávio Bolsonaro.
A inauguração da Casa 22 marca o início de uma nova etapa da mobilização do grupo governista em Mato Grosso, agora concentrada na eleição presidencial.
A estratégia envolve ampliar a participação dos apoiadores, reforçar a campanha nos municípios e tentar converter a vantagem obtida no primeiro turno em uma votação ainda mais expressiva.
Para Pivetta, a eleição de 25 de outubro será uma oportunidade de mudança no comando do Governo Federal.
“Eu quero acreditar que no dia 25 de outubro o povo brasileiro vai dar a resposta. E a resposta vai ser que chega, Lula. Tchau”, afirmou.
Com a Casa 22 instalada na antiga estrutura de sua campanha, o governador assume publicamente o papel de um dos principais articuladores regionais da candidatura de Flávio Bolsonaro, em uma disputa que também coloca à prova a capacidade de transferência de apoio político do grupo que venceu a eleição estadual.



























