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Projeto Embaúba une restauração florestal e fortalecimento da agricultura familiar no norte de Mato Grosso

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Inspirado na árvore que inicia a regeneração das florestas, projeto aposta em soluções baseadas na natureza para recuperar áreas degradadas, fortalecer a produção rural e aumentar a resiliência climática de assentamentos da reforma agrária.

   Quando uma floresta começa a se regenerar, uma das primeiras árvores a surgir é a embaúba. De crescimento rápido, ela melhora as condições do solo, aumenta a umidade e cria o ambiente necessário para que outras espécies voltem a crescer. Por isso, é considerada uma espécie pioneira na recuperação de áreas degradadas, na Amazônia.

Inspirado nessa capacidade de transformar paisagens, nasce o Projeto Embaúba: Restauração ecológica e produtiva em assentamentos da agricultura familiar no norte de Mato Grosso. A iniciativa é executada pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e foi selecionada no Edital nº 002/2025 da iniciativa Restaura Amazônia – Macrorregião 2, gerida pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), com recursos do Fundo Amazônia/BNDES. O edital é voltado à restauração ecológica e produtiva em assentamentos da reforma agrária do INCRA nos estados de Mato Grosso e Tocantins.

O projeto será desenvolvido no Território Portal da Amazônia, no extremo norte de Mato Grosso, uma região marcada por profundas transformações na paisagem ao longo das últimas décadas, impulsionadas principalmente pela expansão da pecuária, da agricultura e da exploração madeireira. As ações acontecerão em três assentamentos da reforma agrária: o Projeto de Assentamento São Pedro, em Paranaíta, e o PAC Carlinda e o PDS São Paulo, ambos no município de Carlinda. Em comum, esses territórios compartilham o desafio de recuperar áreas degradadas, fortalecer a produção agrícola e criar oportunidades para as famílias que vivem da terra.

Para enfrentar esse desafio, o Projeto Embaúba atuará em duas frentes complementares: a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e a aplicação de técnicas de Regeneração Natural Assistida. Enquanto os SAFs otimizam o uso da terra, conciliando a preservação ambiental com a produção de alimentos, conservando o solo e gerando renda para as famílias, a regeneração natural assistida acelera a recuperação da vegetação existente, reduzindo custos e aproveitando a capacidade de regeneração da própria natureza.

“A demanda por restauração de áreas com passivos ambientais no território Portal da Amazônia é crescente, especialmente na agricultura familiar, onde o cuidado com o fornecimento de água para manter a produção tem sido cada vez mais preocupante. E sabemos que restaurar, além de não ser um baixo custo, requer assistência técnica. O projeto olha especialmente para essas famílias”. Pontua Luan Cândido, analista socioambiental do Instituto Centro de Vida.

Ao recuperar áreas degradadas e fortalecer a produção sustentável da agricultura familiar, o Projeto Embaúba também contribui para enfrentar um dos maiores desafios da atualidade: as mudanças climáticas. As ações desenvolvidas pelo projeto estimulam a adoção de Soluções Baseadas na Natureza, uma abordagem reconhecida internacionalmente por integrar conservação da biodiversidade e desenvolvimento social. Na prática, essas soluções utilizam os processos da própria natureza para restaurar a paisagem, proteger os recursos hídricos, ampliar a biodiversidade e aumentar a capacidade dos territórios de enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

Além dos benefícios ambientais, essas iniciativas fortalecem a agricultura familiar, ampliam as oportunidades de geração de renda e contribuem para que as comunidades estejam mais preparadas para conviver com os desafios climáticos do presente e do futuro.

“Queremos construir, junto às famílias assentadas, um modelo de desenvolvimento que alia produção, conservação ambiental e qualidade de vida, transformando esses territórios em referências de restauração ecológica e produtiva em Mato Grosso”, pontua Luan Candido

Três territórios, diferentes histórias

Criado em 1998, o Projeto de Assentamento São Pedro, em Paranaíta, é um dos maiores assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em Mato Grosso. Nos primeiros dez anos após sua criação, grande parte da vegetação nativa foi convertida em pastagens para a pecuária leiteira e de corte. Hoje, o assentamento reúne centenas de famílias e representa um território estratégico para iniciativas de restauração ambiental e fortalecimento da produção sustentável.

O Projeto de Assentamento Conjunto Carlinda, criado em 1981, desempenhou papel importante no processo de ocupação do norte de Mato Grosso e na implementação da reforma agrária na região. O assentamento reúne famílias que permanecem produzindo no campo e se destaca por possuir beneficiários com títulos definitivos de seus lotes, condição que fortalece a segurança jurídica e o desenvolvimento local.

Já o Projeto de Desenvolvimento Sustentável São Paulo, criado em 2012, nasceu com uma proposta voltada à conciliação entre produção agrícola e conservação ambiental. Dos seus 2.390 hectares, cerca de 64% permanecem cobertos por vegetação nativa, formando uma reserva legal coletiva que desempenha papel fundamental na conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos da região.

Ao investir na recuperação desses territórios, o Projeto Embaúba demonstra que restaurar a floresta também significa fortalecer a agricultura familiar, gerar oportunidades para quem vive no campo e construir paisagens mais resilientes às mudanças climáticas. Assim como a embaúba abre caminho para o retorno da floresta, o projeto pretende criar as condições para que pessoas, produção e natureza prosperem juntas.

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O Projeto Embaúba: Restauração ecológica e produtiva em assentamentos da agricultura familiar no norte de Mato Grosso foi selecionado no Edital nº 002/2025 da iniciativa Restaura Amazônia – Macrorregião 2, gerida pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), com recursos do Fundo Amazônia/BNDES.

Executado pelo Instituto Centro de Vida (ICV), o projeto promove a restauração ecológica e produtiva em assentamentos da reforma agrária no norte de Mato Grosso, por meio da implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e de ações voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva da restauração. A iniciativa prevê, ainda, a recuperação de pelo menos 200 hectares e integra a carteira de projetos apoiados pelo Restaura Amazônia na Macrorregião 2.

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