CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

Quem tem empréstimo deve ficar atento a fraude do refinanciamento

Young couple calculating their domestic budget together in kitchen, trying to save money for buying new car, having stressed and frustrated looks. Unhappy woman showing unpaid bill to her husband

publicidade

Advogado Fabricio Posocco explica como identificar o problema e os direitos da vítima

O consumidor que possui empréstimo pessoal ou consignado deve ficar atento ao seu extrato. Há denúncias em todo o Brasil de clientes que perceberam que bancos e correspondentes bancários estariam renovando ou refinanciando contratos sem autorização.

O professor universitário e advogado Fabricio Posocco, do escritório Posocco & Advogados Associados, explica que a fraude do refinanciamento consiste na liquidação antecipada de um empréstimo antigo mediante a contratação de um novo contrato. “Na prática, parte do valor do novo contrato é utilizada para quitar o saldo do empréstimo anterior, enquanto apenas uma pequena quantia é efetivamente depositada na conta do consumidor. Em alguns casos, o cliente não recebe nada. Ao mesmo tempo, o prazo de pagamento é reiniciado e novos juros passam a incidir sobre a operação.”

Recentemente, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) manteve a condenação de um banco após reconhecer sucessivos refinanciamentos considerados abusivos realizados contra um consumidor com deficiência auditiva. Segundo o acórdão, o banco não conseguiu comprovar a validade dos refinanciamentos nem demonstrar que o consumidor havia prestado consentimento informado para as operações. A decisão confirmou a anulação de seis contratos de refinanciamento, determinou a devolução dos valores descontados em dobro, além do pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil ao consumidor.

Leia Também:  Sesc Rondonópolis e Sesc Cáceres realizam Bulixo nesta semana

Em 2024, a Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís (MA), em ação civil pública, condenou o Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander por propaganda enganosa. “Durante a crise sanitária da Covid-19, eles anunciaram que prorrogariam o vencimento das dívidas de seus clientes por 60 dias. Mas, na prática, houve um refinanciamento, com incidência de juros e outros encargos legais”, recorda Posocco.

Para o advogado, essas decisões reforçam o entendimento de que os bancos, fintechs e financeiras têm o dever de prestar informações claras e completas aos consumidores, especialmente quando se trata de aposentados, pensionistas e pessoas em situação de maior vulnerabilidade. “Não basta apresentar um contrato assinado eletronicamente. O banco precisa demonstrar que o consumidor compreendeu exatamente o que estava contratando. Informação clara e consentimento consciente são requisitos fundamentais para a validade da operação.”

Como identificar o problema

O consumidor deve observar alguns sinais de alerta:

– O número de parcelas do empréstimo aumenta repetidamente.
– O contrato parece nunca terminar.
– Há depósitos inesperados na conta bancária.
– O valor da parcela permanece praticamente igual por muitos anos.
– Surgem novos contratos no extrato do INSS sem pleno conhecimento do beneficiário.
– O consumidor não recebeu explicações claras sobre a renovação da dívida.

Leia Também:  ANÁLISE POLÍTICA; Economista alerta para "política da insensatez, distante da racionalidade"

“Outra recomendação é consultar periodicamente o aplicativo Meu INSS e solicitar ao banco cópia integral dos contratos assinados e do histórico de evolução da dívida”, indica Posocco.

O que fazer se for vítima

Caso identifique uma renovação irregular, a orientação é reunir toda a documentação disponível, registrar reclamações nos canais administrativos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do banco – anotando os números dos protocolos, e buscar ajuda jurídica.

“Depois de registar a reclamação, é comum que a instituição financeira tente regularizar a situação. Mas aceitar uma proposta, fazer uma nova biometria facial ou assinar um novo contrato sem antes conversar com um advogado de confiança pode prejudicar a análise do caso e até comprometer direitos”, diz Posocco.

Quando a Justiça reconhece que houve refinanciamento irregular ou contratação abusiva, é possível anular os contratos, cancelar os refinanciamentos indevidos, ser restituído em dobro dos valores descontados, ser indenizado por danos morais e fazer o recálculo da dívida quando houver necessidade de adequação contratual.

Por Emanuelle Oliveira (Mtb 59.151/SP)
Imagem ilustrativa: Wayhomestudio/Magnific

 
Posocco & Associados
Emanuelle Oliveira
Comunicação | Atendimento à Imprensa
Posocco & Associados [email protected]

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade