Estado respondeu por quase 30% das exportações brasileiras de carne bovina para o mercado chinês entre janeiro e abril deste ano
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Everson Teodoro
A decisão do governo da China de reconhecer oficialmente todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação representa um novo impulso para a pecuária de Mato Grosso, maior produtor e exportador de carne bovina do país. O comunicado foi feito nesta terça-feira (2) e encerra as restrições sanitárias que ainda estavam em vigor relacionadas à doença, ampliando a segurança comercial para os frigoríficos e produtores brasileiros que negociam com o maior consumidor de carne bovina do planeta.
O anúncio tem impacto direto sobre Mato Grosso, que mantém posição de destaque no comércio internacional do setor e possui na China seu principal destino de exportação. Somente entre janeiro e abril deste ano, o mercado chinês absorveu US$ 797,17 milhões em carne bovina produzida no Estado. O volume representa quase um terço de toda a carne bovina brasileira enviada ao país asiático no período, consolidando Mato Grosso como principal fornecedor nacional para aquele mercado.
A expectativa é de que a medida fortaleça ainda mais o fluxo de exportações e abra novas oportunidades para produtos que possuem elevado potencial de crescimento, como carne com osso e miúdos bovinos, segmentos que vêm despertando interesse crescente entre os compradores chineses.
A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, avaliou que o reconhecimento amplia a confiança internacional no sistema sanitário brasileiro e reforça a competitividade da pecuária mato-grossense.
“A China é o principal destino da carne bovina mato-grossense. Quando o país reconhece o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação, ele reforça a confiança na nossa produção e cria um ambiente mais favorável para os negócios. Mato Grosso já é líder nacional na produção e exportação de carne bovina, e medidas como essa ajudam a manter a competitividade do setor e a ampliar oportunidades para os produtores do Estado”, afirmou.
O reconhecimento chinês ocorre cerca de um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) conceder ao Brasil o status internacional de país livre de febre aftosa sem vacinação. A certificação foi considerada uma das maiores conquistas sanitárias da história da pecuária nacional e coroou décadas de investimentos em vigilância, fiscalização e prevenção da doença.
Em Mato Grosso, o combate à febre aftosa acumula uma trajetória de quase três décadas sem registros da enfermidade. O último caso da doença foi identificado em 1996. Desde então, o Estado passou a fortalecer sua estrutura de defesa sanitária, investindo em campanhas de vacinação, monitoramento permanente do rebanho e fiscalização das propriedades rurais.
O avanço dos programas sanitários permitiu que Mato Grosso conquistasse, em 2001, o reconhecimento como zona livre de febre aftosa com vacinação. Já em 2025, o Estado alcançou o nível mais elevado de certificação concedido pela OMSA, tornando-se oficialmente zona livre de febre aftosa sem vacinação.
A conquista ocorreu em um momento de expansão histórica da pecuária estadual. Atualmente, Mato Grosso possui um rebanho estimado em aproximadamente 32 milhões de cabeças de gado, mantendo a liderança nacional na produção bovina e desempenhando papel estratégico nas exportações brasileiras de proteína animal.
A presidente do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), Emanuele de Almeida, destacou que o resultado é fruto de um trabalho contínuo desenvolvido ao longo dos últimos anos por produtores rurais, órgãos de fiscalização e governos.
“Este reconhecimento internacional é fruto do trabalho conjunto entre o governo e a iniciativa privada, que cumpriram integralmente o Plano Estratégico ao longo de oito anos, aperfeiçoando a estrutura operacional do Indea-MT, os procedimentos de vigilância veterinária e, principalmente, o envolvimento do produtor rural na prevenção da febre aftosa”, afirmou.
Além de fortalecer as vendas de carne bovina, a medida também pode ampliar o acesso de produtos suínos brasileiros ao mercado chinês, contribuindo para a diversificação da pauta exportadora de Mato Grosso e agregando valor à cadeia produtiva da proteína animal.
Com a decisão anunciada pela China, o setor pecuário mato-grossense passa a contar com um cenário ainda mais favorável para ampliar sua participação no comércio internacional, respaldado por um dos mais elevados níveis de reconhecimento sanitário existentes no mundo.
































