Luciane Vaz Guimarães é dona da “Givazzi”, que atua na fabricação de óculos, bonés e acessórios
DA REDAÇÃO
Criada pelos avós em uma fazenda em Poconé, a empresária mato-grossense Luciane Vaz Guimarães sempre acreditou que voaria longe e alcançaria novos patamares. Foi com esse pensamento que ela atravessou o continente rumo aos Estados Unidos para viver o chamado “sonho americano”.

Eu quero trazer esse orgulho do Brasil para o americano, para que ele veja lá fora o nosso valor
No país, o sonho começou a se transformar em realidade e levou a poconeana, que atualmente reside em Palm Beach, na Flórida, a lançar uma coleção de acessórios de luxo por meio de sua nova marca, a “Givazzi”.
“Eu quero trazer esse orgulho do Brasil para o americano, para que ele veja lá fora o nosso valor. É isso que eu quero: dar orgulho ao meu povo, ao povo poconeano”, afirmou em entrevista ao MidiaNews.
Formada em Administração de Empresas nos Estados Unidos, Luciane aproveitou as oportunidades que surgiram ao longo da vida até conquistar espaço no mercado em que atua atualmente.
Inicialmente, ela deixou Mato Grosso para cursar Medicina no México, mas foi um intercâmbio de seis meses nos Estados Unidos, onde trabalhou e aprendeu inglês, que mudou sua perspectiva de vida.
“A princípio, era para ficar seis meses e voltar, mas acabei ficando. Hoje já fazem 26 anos que estou fora, nos Estados Unidos”, contou.
No país norte-americano, Luciane começou trabalhando em funções simples, desempenhando atividades que iam desde uma fábrica de costura até serviços de limpeza. O que parecia apenas um emprego temporário acabou se transformando em seu primeiro negócio, voltado ao setor de limpeza.
Posteriormente, passou a atuar nos mercados imobiliário e alimentício. No entanto, após décadas vivendo nos Estados Unidos, decidiu se reinventar e ingressar no mercado da moda, área pela qual sempre teve apreço.
“A minha avó fazia as roupinhas das nossas bonecas. Eu ficava fascinada. Não tenho dom para costura, mas sempre fui apaixonada por moda”, relembrou.
O projeto surgiu após Luciane observar o hábito das americanas em relação ao consumo de moda. Em seguida, ela recebeu o convite de uma amiga para abrir uma empresa focada na fabricação de chinelos. A parceria acabou se encerrando com o tempo, mas o entusiasmo da empresária permaneceu.
A “Givazzi”, que atualmente atua na fabricação e personalização de chinelos, óculos, bonés e acessórios, é voltada ao mercado de luxo nos Estados Unidos, sem deixar de lado as raízes brasileiras.
Segundo Luciane, a fabricação das peças ocorre no Brasil, assim como o lançamento da marca, realizado no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Apesar do lançamento ter ocorrido no estado carioca, a comercialização e a participação em eventos e desfiles nos Estados Unidos têm crescido cada vez mais.
De acordo com a empresária, o crescimento acelerado da marca é consequência da rápida aceitação do público americano diante da proposta que mistura sofisticação, conforto e elegância em suas produções.
“Está tendo uma aceitação muito grande lá fora com os nossos produtos brasileiros. São todos feitos no Brasil”.
“Na verdade, os americanos têm uma aceitação muito grande com o produto brasileiro, porque são produtos de muita qualidade e, principalmente, peças artesanais, feitas à mão”, completou.
Recentemente, a marca foi apresentada em eventos em Miami e Palm Beach, cidades onde a empresária vive atualmente. A grife também já participou de eventos como a New York Fashion Week e a Milan Fashion Week, além de fornecer acessórios para um desfile na Miami Swim Week.
Segundo Luciane, um dos fatores que contribuíram para o rápido crescimento da marca no exterior foi a facilidade para abrir empresas nos Estados Unidos, além do potencial competitivo do mercado internacional, especialmente no setor da moda.
“Eu digo também que o brasileiro tem um pouquinho da síndrome de vira-lata. Primeiro, ele precisa ver funcionando lá fora para aceitar aqui. E o americano não. Ele gosta do novo. Gosta de olhar e falar: ‘Isso aqui é diferente, eu quero’. Então estou tendo uma aceitação muito grande”, afirmou.
Adaptação nos Estados Unidos

O brasileiro no exterior é muito bem visto pela força, criatividade e inteligência
Apesar do sucesso empresarial, Luciane relembrou a própria trajetória durante as duas décadas vivendo nos Estados Unidos. Segundo ela, a mudança de vida em outro país foi marcada pela superação de desafios e por um intenso período de adaptação emocional.
De acordo com a empresária, chegar sozinha a outra nação exigiu abrir mão de antigas expectativas e aprender a reconstruir a própria identidade.
“A gente tende a não aceitar outra cultura. Só que depois vai se adaptando e percebendo que existem outras maneiras”, disse.
Dividindo a vida entre dois países, a empresária ressalta que, apesar das diferenças culturais e comportamentais, sempre foi acolhida e reconhecida no exterior pela criatividade e disposição para o trabalho, características que atribui aos brasileiros.
“O brasileiro no exterior é muito bem visto pela força, criatividade e inteligência”
Victor Ostetti/MidiaNews
Empresária vive há 26 anos nos EUA: “Hoje sou uma pessoa completa porque gosto do que faço”
Apesar das barreiras enfrentadas em outro país, a empresária declarou que um dos maiores desafios foi lidar com a própria autocobrança ao exercer funções consideradas menos valorizadas socialmente no Brasil.
Com a mudança na forma de enxergar a si mesma e sua atuação profissional, Luciane afirmou que ainda se emociona ao olhar para trás e relembrar a própria trajetória.
Atualmente vivendo na Flórida, a empresária divide a rotina entre os negócios, a família e os eventos internacionais ligados ao universo da moda. Mãe, ela conta que busca equilibrar a carreira intensa com a vida pessoal.
“Eu digo que hoje sou uma pessoa completa porque gosto do que faço”, concluiu.
Veja a entrevista na íntegra:
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