* Padre Marcio Prado
A palavra “seminarista” tem sua origem na palavra “seminário”, da etimologia do latim seminarium, derivado de semen, seminis, que significa semente, viveiro de plantas. Dentro do contexto eclesial, o seminário é o local, a casa, onde se formam os seminaristas tendo em vista o sacerdócio.
Sim, parece óbvio, mas ninguém “nasce padre”. O padre é um homem que respondeu a um chamado para servir a Deus e busca corresponder. O padre, antes de receber o sacramento da ordem, vive um tempo de preparação; é acolhido em uma casa de formação e, como uma planta, o candidato precisa ser cuidado, receber as formações filosóficas e teológicas, mas não somente isso: o seminarista é formado na vivência espiritual, humana e comunitária.
Bom, para todo seminarista — claro que também em outros chamados — existem muitos desafios. Apresento alguns, como, “deixar” a própria vontade e renunciar a bens até lícitos para corresponder à vontade de Deus. “Deixar”: Jesus ensinou que, para ser seu discípulo, era necessário “renunciar” a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo (Mt 16,24; Lc 9,23). O desafio do “deixar” não é tão simples. Imaginemos ou, melhor, olhemos para o mundo: há tantas opções para um jovem se realizar. Há tantos “caminhos” para a felicidade, inclusive saudáveis e lícitos. Quantas ofertas de carreiras, ganhos financeiros, propostas que brilham aos olhos dos nossos jovens. Volto a dizer: coisas até boas, por isso o seminarista tem como desafio “deixar” tantas ofertas para ser uma oferta, entregar sua vida a Deus.
Na “entrega” à vontade de Deus está mais um “deixar”. O seminarista precisa “deixar a pressa”, pois, com muita paciência — por isso o tempo de espera é de 7 a 12 anos, dependendo da diocese ou instituto em que está inserido —, a “semente” cresce com as formações. O candidato cresce com o tempo e, com as renúncias, “faz as contas” (Lc 14,28) para ver se consegue viver uma vida doada a Deus e ao próximo. Assim, o seminarista precisa ser amigo do tempo, entender que não é demorado, mas um tempo de investimento, de receber “água, sol, adubo” noite e dia para crescer e, futuramente, dar frutos.
No mundo em que vivemos, de uma cultura do ter, possuir, acumular, o vocacionado à vida sacerdotal necessita “deixar” a própria vontade para viver um profundo desapego, caso contrário, não dará conta da vida comunitária. Faz parte da formação ter poucas coisas, não ser apegado, e o seminário ajuda nesse desapego. Ali, o candidato aprende e cresce na partilha, em dar e oferecer.
Um último desafio que percebo, está ligado ao que foi partilhado: o desafio do uso adequado das redes sociais, utilizar e promover a Cristo e renunciar à autopromoção. As redes sociais são ferramentas maravilhosas, há um campo enorme de evangelização a ser desbravado, porém, o cuidado deve ser em usar e não ser usado. Pensar sempre na motivação da postagem: “é para exaltar a Cristo?”, “é para ter seguidores ou para fazer seguidores de Jesus?” Os seminaristas (e todos nós) devem vigiar para que as redes não os prendam, mas que sejam ferramentas para chegar aos corações.
Ser seminarista hoje é tão desafiante quanto apaixonante. Sim, toda renúncia traz também recompensas; Jesus prometeu dar o cêntuplo, claro, com provações, e a vida eterna (Mc 10,28-30). Quem sinceramente se decide por Cristo através das mais diversas renúncias por amor a Jesus e à sua Igreja, experimenta o imenso amor do Pai. Quem vive as renúncias imitando o Cristo experimenta uma alegria, uma satisfação e uma liberdade interior que nenhum bem, nenhuma pessoa humana é capaz de oferecer.
* Padre Marcio José do Prado é sacerdote da Comunidade Canção Nova, autor dos livros: “Entender e viver o Ano da Misericórdia” e “Via-sacra do Santuário do Pai das Misericórdias”, pela editora Canção Nova. Instagram: @padremarciocn
To unsubscribe from this group and stop receiving emails from it, send an email to [email protected].






























