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Setembro Verde: doar órgãos é multiplicar vidas e esperança

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O verde significa esperança, vida e renovação, cor de setembro, mês de referência da mobilização nacional para doação de órgãos e tecidos. Um gesto capaz de transformar vidas e reduzir a imensa fila de espera por transplantes no Brasil. A cirurgiã da equipe de transplante renal e responsável pela captação do Hospital São Mateus, Michelli Daltro Coelho Ridolfi, explica que apesar dos avanços na medicina e das campanhas de conscientização, ainda há mitos e preconceitos que dificultam a decisão das famílias no momento mais crítico.
“Muitos acreditam, por exemplo, que a religião proíbe a doação, que o corpo ficará deformado após a retirada dos órgãos, ou até mesmo que os médicos não se empenharão em salvar a vida de quem já se declarou doador. Esses equívocos precisam ser combatidos com informação clara, ética e sensível”, observa Ridolfi.
O Hospital São Mateus se destaca como a única unidade do estado autorizada a realizar transplantes renais. Com equipe especializada e infraestrutura completa, o hospital oferece atendimento seguro e acompanhamento integral aos pacientes que passam por esse procedimento.  Em apoio à campanha do Setembro Verde, a unidade recebeu iluminação temática e, na parede, e será instalada a ‘Árvore da Vida’, onde familiares e colaboradores poderão deixar mensagens de superação e gratidão. A iniciativa tem como objetivo estimular sentimentos de valorização das dádivas recebidas e reforçar a importância da doação de órgãos na transformação de vidas.
Atualmente, o Brasil tem uma das maiores filas de espera para transplante de órgãos do mundo. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), mais de 50 mil pessoas aguardam um órgão, sendo o rim o mais demandado. É possível doar rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas e intestino, além de tecidos como córneas, pele, ossos e válvulas cardíacas. De acordo com estatística do Ministério da Saúde, os transplantes de rim e fígado estão entre os que mais salvam vidas, devido à alta prevalência de doenças renais crônicas e hepáticas.
A médica ressalta que o processo de captação de órgãos é extremamente rigoroso e humanizado e só ocorre após o diagnóstico de morte encefálica confirmado por protocolos internacionais, com exames clínicos e complementares.  “Neste momento delicado, a equipe médica atua não apenas na parte técnica — garantindo a preservação e viabilidade dos órgãos —, mas também no acolhimento da família, que precisa autorizar a doação. A escuta ativa, o respeito e a comunicação clara fazem parte essencial do processo”, destaca Michelli Ridolfi.
Para se tornar doador, basta comunicar a família sobre esse desejo. A autorização para a retirada de órgãos só ocorre por meio de familiares de primeiro grau – pais e filhos -, o que torna esse diálogo dentro de casa fundamental. Quando a vontade é manifestada em vida, a decisão da família tende a ser mais tranquila e respeitosa com o legado do ente querido.
Protocolos
Os avanços em tecnologia e protocolos também têm ampliado as chances de sucesso. Segundo a médica, melhorias nas técnicas cirúrgicas, no cuidado com o receptor, no transporte rápido de órgãos e na introdução de novas drogas imunossupressoras aumentaram a sobrevida e a qualidade de vida dos transplantados.
“Histórias de pacientes que conseguem novamente estudar, trabalhar, praticar esportes ou simplesmente retomar sua rotina após um transplante são exemplos vivos do impacto transformador da doação. Cada pessoa que decide ser doadora pode beneficiar até dez outras, deixando um legado de vida que transcende sua própria existência”, emociona-se Michelli Ridolfi.
História de vida
Altair de Lima, 56 anos, é um exemplo vivo do impacto da doação de órgãos. Ele descobriu um problema renal no final de 2016, mas só percebeu a gravidade da situação em 2020, quando os exames mostraram níveis críticos de creatinina. “No primeiro dia de hemodiálise, não conseguiram passar o cateter, e bateu um desespero enorme. Dois dias depois, enfim conseguiram, e me senti muito melhor”, conta.
O caminho não foi fácil, mas a esperança surgiu quando foi informado de que poderia receber um transplante pelo programa do governo do Estado. Com dois irmãos possivelmente compatíveis, Altair realizou a avaliação com a equipe do Hospital São Mateus e, após os exames, o caçula da família decidiu ser o doador.
Hoje, Altair compartilha sua experiência como um conselho a quem está em diálise: acreditar, não desistir e entender que a doação de órgãos transforma vidas. “O atendimento foi excelente desde a primeira consulta até a cirurgia. Cada profissional que chegava passava confiança — enfermeiras, médicos, toda a equipe”, lembra.
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