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Sífilis: conheça os 4 estágios e como funciona o tratamento

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A infecção é causada por uma bactéria do tipo espiroqueta e pode ser transmitida principalmente por relações sexuais sem preservativo ou da mãe para o bebê durante a gestação

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pelo Treponema pallidum, uma bactéria do grupo das espiroquetas, microrganismos com formato helicoidal e grande mobilidade, o que ajuda a explicar sua capacidade de invadir diferentes tecidos do corpo. Ela pode ser transmitida por relação sexual sem preservativo ou de mãe para filho durante a gestação, o que é chamado de sífilis congênita. A doença se manifesta de formas diferentes ao longo de quatro estágios: primária, secundária, latente e terciária. Um ponto importante: a sífilis tem cura em qualquer uma dessas fases, desde que o tratamento seja feito corretamente com o medicamento adequado.

O que muda com o tempo é o risco de complicações: quanto mais cedo o diagnóstico, menor a chance de a doença evoluir para quadros mais graves, e menor também o risco de transmissão para outras pessoas, já que as lesões dos estágios iniciais concentram grande quantidade do Treponema pallidum. Quando não tratada, a sífilis pode avançar até o estágio terciário, o mais grave, associado a sintomas mais intensos e, em casos extremos, risco de morte.

A seguir, Simone Sena, infectologista do dr.consulta, explica cada estágio, como é feito o diagnóstico e como prevenir. Confira!

Conheça os sintomas de cada estágio

Sífilis primária

Surge geralmente entre 10 e 90 dias após o contato com a bactéria, com média de cerca de 3 semanas. O sinal característico é uma ferida única (o chamado cancro duro), que pode aparecer nos órgãos genitais, no ânus, na boca ou em outras áreas da pele. Costuma ser indolor, sem coceira, sem ardência e sem pus, mas concentra grande quantidade do Treponema pallidum, o que a torna bastante transmissível — mesmo sem incomodar, não deve ser ignorada.

Sífilis secundária

Aparece semanas depois da lesão inicial, caso esta não tenha sido tratada, e inclui:

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●       Manchas na pele, inclusive nas palmas das mãos e nas plantas dos pés (também ricas em bactérias);

●       Ínguas (caroços) pelo corpo;

●       Febre;

●       Dor de cabeça;

●       Mal-estar geral.

Sífilis latente

É a fase sem sintomas aparentes, dividida em latente recente (até um ano de infecção) e latente tardia (mais de um ano, ou de duração desconhecida). O Treponema pallidum continua no organismo, mas não há sinais visíveis, o que só permite o diagnóstico por meio de exame de sangue. É justamente por isso que a testagem periódica é tão importante, mesmo na ausência de qualquer sintoma.

Sífilis terciária

Pode surgir anos após a infecção inicial, quando não houver tratamento adequado nas fases anteriores. Está associada a:

●       Lesões ósseas, cutâneas e cardiovasculares;

●       Comprometimento neurológico (neurossífilis);

●       Risco de morte, em casos não tratados.

Como é feito o diagnóstico

A investigação costuma começar pelo teste rápido de sífilis (TR), disponível gratuitamente no SUS, com resultado em cerca de 30 minutos. Como esse teste pode gerar resultados falso-positivos, um resultado reagente deve ser confirmado por um segundo exame de sangue, chamado teste não treponêmico (como o VDRL) — que também é usado para acompanhar a resposta ao tratamento ao longo do tempo. Essa combinação de testes é o que garante um diagnóstico correto.

Durante a gestação, a testagem é obrigatória em pelo menos três momentos, devido ao alto risco de transmissão do Treponema pallidum da mãe para o bebê:

●       Primeiro trimestre de gestação;

●       Terceiro trimestre de gestação;

●       Durante o parto ou em casos de aborto.

Quando o feto é infectado pela mãe (sífilis congênita), o recém-nascido pode apresentar complicações como surdez, cegueira, malformações e comprometimento no desenvolvimento neurológico. Por isso, quanto mais cedo o diagnóstico na gestante, menor o risco para o bebê.

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Como funciona o tratamento

O tratamento é feito com penicilina benzatina (benzetacil), a única opção considerada segura e eficaz durante a gestação, inclusive para gestantes com alergia — nesse caso, é feita a dessensibilização à penicilina em ambiente hospitalar, já que não há substituto tão eficaz para proteger o bebê. O número de doses varia conforme a fase da infecção:

●       Sífilis recente (primária, secundária ou latente recente, com até um ano de evolução): dose única;

●       Sífilis tardia (latente tardia, de duração desconhecida, ou terciária): três doses, aplicadas com intervalo semanal.

A parceria sexual também precisa ser testada e tratada, mesmo sem apresentar sintomas — isso vale especialmente no caso de gestantes diagnosticadas, já que o tratamento incompleto do casal pode levar à reinfecção. Após o tratamento, é importante repetir o exame de sangue periodicamente (a cada três meses, em geral) para confirmar a resposta e garantir a cura.

Como prevenir a sífilis

A principal forma de prevenção é a testagem regular. Isso porque, na fase latente, a doença não apresenta sintomas visíveis, o que exige atenção redobrada de quem é sexualmente ativo.

●       Uso correto do preservativo em todas as relações sexuais;

●       Testagem regular, pelo menos uma vez por ano para pessoas sexualmente ativas;

●       Tratamento da parceria sexual em caso de diagnóstico positivo;

●       Realização do teste em todas as etapas do pré-natal recomendadas.

Vale lembrar que ter sífilis e ser tratado não gera imunidade: é possível se reinfectar após novo contato com o Treponema pallidum. Se você identifica algum desses sinais ou tem dúvidas sobre sua saúde sexual, uma avaliação médica pode esclarecer o quadro e indicar os próximos passos.

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