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Trânsito no Portão do Inferno está liberado em meia pista para veículos leves. Geólogo alerta que rochas no Portão do Inferno podem desmoronar ‘hoje ou daqui a 30 anos’

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Pista poderá ser interditada a qualquer momento em caso de chuvas na região

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) informa que o trânsito na região do Portão do Inferno, na MT-251, conhecida como Estrada de Chapada dos Guimarães, está liberado em meia pista, no esquema pare e siga, para veículos leves.

No entanto, a pista poderá ser interditada a qualquer momento em caso de chuvas na região.

A Sinfra ressalta que das 8h às 14h, de segunda-feira a sábado, a pista fica interditada para serviços de implantação de tela de contenção na região do Portão do Inferno, como medida emergencial para conter os deslizamentos de terra na região.

Presidente do TCE defende liberação de meia pista no Portão do Inferno: ‘estamos entre a necessidade e a possibilidade’

Da Redação – Rafael Machado/ Do local – Max Aguiar Foto: Max Aguiar/Olhar Direto

Presidente do TCE defende liberação de meia pista no Portão do Inferno: 'estamos entre a necessidade e a possibilidade'
Apesar de reconhecer os riscos de novos desabamentos sobre o viaduto do Portão do Inferno, na MT-251, estrada que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu que seja liberada meia pista sobre o trecho para evitar prejuízos à população de Chapada.

Após uma inspeção na região com técnicos do Tribunal e equipes do governo e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), nesta sexta-feira (11), o presidente destacou que o grau de risco no local foi classificado como R4, o que significa condição muito alta para novos deslizamentos e até mesmos desabamentos das rochas dos paredões.

No entanto, ele acredita que com uma fiscalização mais intensa, com a liberação de um a dois veículos por vez, e até mesmo de caminhões de seis toneladas, não causaria problemas já que, segundo o conselheiro, a situação chegou à “necessidade e a possibilidade”.

“A população de Chapada exige, está aqui gente chorando, gente que está passando fome, que não tem comida na mesa, porque não tem mais abastecimento em Chapada dos Guimarães. Então nesse momento, basta fazer uma fiscalização correta, não deixar um, dois, três carros em cima do pontilhão ao mesmo tempo. Basta aqui segurar daqui e segurar lá. Passa um carro de cada vez, pode ser nas duas pistas. É só não acumular e proibir carga pesada. O máximo aqui é um caminhão de 6 toneladas que pode abastecer Chapada”.

Sérgio Ricardo lembrou que há 10 anos foi identificado o risco de desabamentos sobre a região, mas nenhuma medida foi adotada. Ele comentou que os técnicos identificaram no local rachaduras longitudinais e transversais no viaduto e o afastamento do guarda-corpo (barreira metálica de segurança).

Ele ainda destacou que a ponte foi construída em 1978 e que nunca sofreu nenhum reparo grande ao longo dos anos. O presidente disse que o governo chegou a apresentar algumas propostas, entre elas, a construção de um túnel e de uma nova ponte, estilo da Sérgio Motta.

CHAPADA DOS GUIMARÃES

Prefeito cita ‘preços nas alturas’ e pede liberação do tráfego de veículos de carga no Portão do Inferno

Da Redação – Airton Marques / Do Local – Max Aguiar Foto: Reprodução

Prefeito cita 'preços nas alturas' e pede liberação do tráfego de veículos de carga no Portão do Inferno

Com a economia em crise e população chegando a pagar até R$ 55 em um pacote de arroz de 5 Kg, o prefeito de Chapada dos Guimarães (67 Km de Cuiabá), Osmar Froner (MDB), pediu celeridade do governo estadual nas obras emergenciais para conter os deslizamentos de terra na região do Portão do Inferno, na MT-251. O gestor ainda defende que haja liberação para o trânsito de veículos urbanos de carga de até 8 toneladas.

A interdição da estrada tem sido realizada desde o dia 23 de dezembro, sendo total nos momentos de chuva na região. Na última semana, a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Sinfra) iniciou os serviços de implantação de tela de contenção na região, fechando a pista de segunda a sábado, das 8h às 14h.

Os motoristas que precisam trafegar entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães precisam buscar rotas alternativas. A rota indicada pela Sinfra é ir pela BR-163 e 070 até Campo Verde e de lá seguir pela MT-140 e MT-251 até Chapada dos Guimarães.

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Toda a situação tem trazido enormes transtornos para produtores rurais, comerciantes e população do município turístico.

“O transporte houve um aumento superior a 40% no frete, por causa da distância. A distância pela Serra de São Vicente é 210 Km e por Água Fria, 125 Km. Então, isso dá um impacto nos produtos alimentícios, materiais de construção e outros serviços. Além de subir o preço, reduz o número de pessoas que consomem. Nossa rede hoteleira e de gastronomia trabalha com 50% de redução de fluxo. Isso já começa a ter desemprego e crise econômica”, afirmou, nesta sexta-feira (12), ao acompanhar comitiva liderada pelo presidente do Tribunal de Contas (TCE-MT), Sérgio Ricardo, ao local.

“Pesa para nossa população, que na sua maioria faz suas compras no próprio município. Pedimos que essa ação emergencial seja rápida e permita fluxo maior, até 8 toneladas nesse primeiro instante”, acrescentou.

Froner ainda ressaltou que a agropecuária representa 72% do PIB de Chapada dos Guimarães e que os produtores precisam do acesso pela MT-251, tanto para receber matéria-prima quanto para escoar suas produções.

“Aqui é um ponto que precisa de investimento rápido para tirar esse gargalo da MT-251 e transformar, com a anuência do ICMBio, esse ponto bastante representativo num atrativo turístico, de visitação. Que possamos sair daqui com um comitê formado, para que possamos estar ao lado do governo e cobrar agilidade dos órgãos de licenciamento. Nosso principal objetivo é realizar uma obra definitivia e permitir nessa fase inicial o direito de ir e vir dos nossos comerciantes e população”, declarou, reforçando a expectativa de que um grupo seja criado para acompanhar as obras e soluções para a celeuma envolvendo a Estrada de Chapada.

DIREITO DE IR E VIR

Empresária de Chapada acompanha vistoria e cobra abertura da MT-251: ‘vão ter que abrir ou a gente abre’

Da Redação – Mayara Campos / Do Local – Max Aguiar Foto: Reprodução

Empresária de Chapada acompanha vistoria e cobra abertura da MT-251: 'vão ter que abrir ou a gente abre'
Empresária de Chapada dos Guimarães fez apelo incisivo ao Governo de Mato Grosso e autoridades presentes na vistoria comandada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), no trecho do Portão do Inferno na MT-251, nesta sexta-feira (12). Gisele Carvalho é proprietária de uma pousada e foi até o local, para representar os demais comerciantes, “exigindo” que a rodovia seja liberada, pois não há mais turistas indo para a cidade, afetando a economia local.
A mulher disse à imprensa que Chapada tem sofrido impactos há cerca de cinco anos, principalmente por conta da pandemia e reforma da praça central, que reduziram o movimento de turistas no município.

“Já impactou faz tempo, tem cinco anos que a gente está sofrendo, veio pandemia, veio reforma da praça e agora essa grande palhaçada do governo, nós não temos nada a ver com essa briga. Eu falo em nome de todos os empresários de Chapada que a gente carrega essa cidade nas costas. Tá difícil, a gente quer saber se o governo vai pagar nossas contas, não vai, então eu não fiz um apelo, erra quem pensa isso, eu fiz uma exigência”, pontua Gisele.

Os empresários pedem pela abertura de meia pista na MT-251 durante o dia, das 6h da manhã às 20h, enquanto as obras necessárias no local, para instalação de uma tela de contenção no paredão, sejam feitas a noite, após as 20h, não atrapalhando o acesso da população à estrada.

“Nós precisamos ter o direito de ir e vir, assim como nossos turistas também, nós não temos mais turista, nós não temos mais ninguém e nós dependemos deles”, complementou Gisele.

Segundo a empresária, a cidade está sofrendo com desemprego e alta no preço dos alimentos. “Não tem como você manter funcionário dentro do estabelecimento se o estabelecimento não tem movimento. O alimento subiu muito, me dá dó dessa gente e eu estou passando por isso também. O alimento subiu demais, porque não tem por onde os caminhões passarem. Supermercado tá sofrendo, os bares, pousadas e população em geral sofrendo, porque elas dependem dos empresários pelo seu emprego”.

“Ficaram anos e anos, caminhão de água passando para lá e para cá, agora esse ano com a briga da concessão do parque, a rocha começou a absorver água da chuva, mas foi só esse ano. Engraçado, ano passado não tinha problema nenhum, com bitrem passando para cima e para baixo aqui, isso que não dá para entender. Então, eu não fiz um apelo, eu fiz uma exigência em nome dos empresários de Chapada dos Guimarães. Nós queremos essa pista aberta e eles vão ter que abrir ou a gente abre”, finalizou Gisele.

A MT-251 é a principal via para entrada no município, para quem vem de Cuiabá. Com a interdição da rodovia, a rota alternativa disponível passa por Campo Verde, com um trajeto total de 206 km, feito em cerca de 2h30 a 3h. O caminho pela MT-251 tem 67 km.

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A QUALQUER MOMENTO

Geólogo alerta que rochas no Portão do Inferno podem desmoronar ‘hoje ou daqui a 30 anos’

Da Redação – Mayara Campos / Do Local – Max Aguiar Foto: Olhar Direto

Geólogo alerta que rochas no Portão do Inferno podem desmoronar 'hoje ou daqui a 30 anos'
Equipes técnicas vistoriam a situação do trecho em perigo na região do Portão do Inferno, na MT-251, que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães, na manhã desta sexta-feira (12). A inspeção foi solicitada pelo presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE), Sérgio Ricardo, e conta com a participação de especialistas e autoridades.

De acordo com o geólogo da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), Darlan Santos, são necessários novos estudos sobre a região, para ter uma periodicidade de dados com melhores indicações sobre o estado da rodovia e o nível de segurança.

“Tecnicamente para você ter os dados hoje, precisávamos fazer mais uns estudos para constatar, fazer uma periodicidade de dados para ter realmente uma indicação melhor da pista. Mas, assim, visualmente que a gente fala, ela tá em risco. Usando todos os dados que a gente teve, informações de outros estados que também fizeram os mesmos tipos de trabalho, a gente está numa situação de risco”, informou Darlan.

O primeiro estudo, que foi amplamente divulgado pela imprensa, sobre os riscos geológicos no sítio do Portão do Inferno, foi realizado pela Metamat, a pedido da Defesa Civil do Estado, em 2022. À época, o relatório final já apontava o alto risco de acidente geológico, nível R4, na região, devido ao mal planejamento da rede de drenagem.

Um item que precisa ser melhor avaliado por especialistas é a resistência dos materiais geológicos na região, principalmente das formações localizadas em cima e embaixo da rodovia MT-251.

Outro apontamento feito por Santos é sobre a imprevisibilidade do tempo geológico, pois, por exemplo, uma das maiores rochas, localizada no paredão sob a MT-251, pode vir a cair a qualquer momento, seja hoje ou daqui a 30 anos.

“Mas em um uma hora ela vai cair, mas a gente não tem esse estudo para indicar se vai ter um desmoronamento recente ou não. O risco de ficar eminente depende da situação das chuvas, pois como é uma formação de arenito, quando é fraturado, praticamente enche de água, e isso descola. É tipo uma cola, que vai soltando placas de rocha e desmoronando”, pontua Darlan.

Sobre a tela de contenção que será instalada no trecho do Portão do Inferno, o geólogo afirma que é uma medida paliativa e não é possível falar que ela será 100% eficiente.

O TCE divulgou durante esta semana que já oficiou a Casa Civil e a Metamat solicitando informações sobre estudos técnicos, pesquisas, avaliações e/ou relatórios que possam auxiliar no entendimento, tomada de decisão e esclarecimentos sobre as possíveis soluções para os deslizamentos de rochas na MT-251 entre os quilômetros 42 e 48.

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