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UM PAÍS MAIS ÁRIDO

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Retração. Área seca em Manaus no ano passado: seca extrema na Amazônia provocou uma queda de 3,6% em relaçãoàextensão média de água no bioma e bacias ligadas ao Rio Negro tiveram uma redução de mais de 50 mil hectares

Levantamento do MapBiomas mostra redução de superfície inundada em 15 anos

O Brasil ficou mais seco em 2024, segundo um levantamento do MapBiomas divulgado ontem mostrando tendência de redução da superfície aquática dos últimos 15 anos — penasem2022opaísficouacima da média histórica (18,5 milhões)iniciada em 1985.
Os 17,9 milhões de hectares cobertos por água em 2024 são 2% menores do que os 18,3milhões de 2023.
A tendência é inversa à  dos primeiros 15 anos da série (1985 a 1999).

O valor no ano passado também é 4%inferior à média da série histórica. O levantamento destaca que oito dos dez anos mais secos da medição foram na década passada.

O MapBiomas aponta que a dinâmica de ocupação e de uso de terra e os eventos climáticos extremos causado pelo aquecimento global deixam o Brasil mais seco.
Bioma com menor superfície de água (2%) em2024, o Pantanal também foi o que mais perdeu recursos hídricos em relação à média histórica: 61%. Desde a última cheia, em 2018, o Pantanal
enfrenta o aumento de períodos de seca, o que deve se repetir este ano (leia mais na página 13).
A seca extrema na Amazônia no ano passado provocou uma queda de 3,6% em relação à extensão média de água no bioma. Mas apesar da queda nacional, a Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica registraram uma cobertura de água acima da média da série histórica.
O estudo mostra que 60% dos recursos hídricos do Cerrado estão em reservatórios e represas. O MapBiomas destaca que a água em meios artificiais aumentou 54% (ou 1,5 milhão de hectares) no
país em relação a 1985. “A construção de grandes reservatórios para geração de energia e a expansão da agricultura irrigada foram os principais motores de transformação na superfície de água no Cerrado”, aponta no relatório o pesquisador Joaquim Pereira.
Os casos mais graves ocorreram em sub-bacias do Rio Negro, que tiveram uma redução de mais de 50 mil hectares em comparação à média histórica. A perda de superfície de água na Amazônia em2024foide4,5milhões de hectares em relaçãoa2022, o último ano de ganho de superfície no país.
Dois dos três estados que mais perderam superfície de água no ano passado são do Pantanal. Alista é liderada pelo Mato Grosso, que perdeu 291milhectaresdesuperfície de água (queda de 34%),seguido do Amazonas e do Mato Grosso do Sul, ambos com redução de 275 mil hectares.
Diante da diferença de extensão territorial, o número representou uma retração de 6% no Amazonas, mas de 33%noMatoGrossodoSul.
Quase metade (45%) dos municípios brasileiros estiveram com superfície de água abaixo da média histórica em 2024, segundo o MapBiomas. O ranking é liderado por Corumbá (MS), que perdeu 260 mil hectares de superfície de água, o equivalente a 95% da perda em todo o estado. Em segundo lugar aparece Cáceres (MT), com menos 167 mil hectares (57% do total perdido no estado), seguida por Barcelos(AM), com menos 102 mil hectares (37%).

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DISTRIBUIÇÃODESIGUAL
Com 12% d aágua potável do  planeta, o Brasil tem uma distribuição desigual dessa riqueza. Mais da metade da superfície de água (61%) está na Amazônia, onde vivem 4,2 milhões de pessoas. A A Caatinga, com 32 milhões de habitantes, tem menos de 1 milhão de hectares (5%). Com 2,2 milhões de hectares, a Mata Atlântica tem 13% da superfície de água, seguida do Pampa (1,8 milhão de hectares, 10% do total) e Cerrado (1,6 milhão de hectares, ou 9% do total).

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