Especialista da Neon e Banco Bari destacam a modalidade de empréstimo que oferece juros mais baixos e prazos mais longos, mas exige planejamento e análise criteriosa para evitar o comprometimento do patrimônio
Em um cenário em que investidores buscam alternativas para ampliar o potencial de rentabilidade de seus recursos, o uso do imóvel como garantia para obtenção de crédito tem ganhado espaço no mercado brasileiro. Conhecida como home equity ou empréstimo com garantia de imóvel, a modalidade permite acessar valores elevados com taxas de juros geralmente inferiores às de outras linhas de crédito, criando oportunidades para quem deseja investir em negócios, expansão patrimonial ou aplicações financeiras.
Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostram que o crédito com garantia de imóvel segue em expansão. Apenas no primeiro trimestre de 2026, as concessões somaram R$ 3,16 bilhões, um crescimento de 25,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando o maior volume da série histórica da entidade. Contudo, quando comparada aos EUA e Reino Unido, a modalidade ainda caminha em pequenos passos.
A combinação de juros mais competitivos e prazos que podem ultrapassar 15 anos tem atraído consumidores em busca de capital para diferentes objetivos, incluindo investimentos. De acordo com Ugo Roveda, Superintendente comercial do Bari e Especialista em Empréstimo com garantia de imóvel, a estratégia pode fazer sentido em determinadas situações, especialmente quando o retorno esperado do investimento supera, de forma consistente, o custo efetivo do crédito contratado. No entanto, a decisão exige cautela, uma vez que o imóvel permanece vinculado à operação até a quitação da dívida.
“Em teoria, tomar crédito a um custo mais baixo para direcionar recursos a um investimento com potencial de retorno superior pode ser uma estratégia eficiente de alocação de capital. Porém, é fundamental considerar cenários adversos, volatilidade dos mercados e a capacidade de pagamento das parcelas independentemente do desempenho do investimento”, explica.
Entretanto, para Daiane Alves, educadora financeira da Neon, a decisão de utilizar um imóvel como garantia para investir deve partir, antes de tudo, de uma análise da saúde financeira e da capacidade de arcar com as parcelas, independentemente do desempenho da aplicação. “Antes de pensar na rentabilidade de um investimento, é importante avaliar se a dívida cabe no orçamento mesmo em situações adversas. O retorno esperado nunca é uma garantia, mas o compromisso de pagar as parcelas continua existindo”, afirma.
A especialista ressalta que a modalidade pode ser vantajosa para quem possui um planejamento financeiro sólido, mas exige cautela por envolver um patrimônio de alto valor. “Quem pretende investir com recursos obtidos por meio de um empréstimo precisa considerar fatores como oscilações do mercado, prazos de retorno e liquidez dos investimentos. Quando o patrimônio da família entra como garantia, a avaliação dos riscos precisa ser ainda mais criteriosa”, conclui.
Em um mercado que amplia as opções de crédito, o home equity se consolida como uma alternativa para quem busca recursos com condições mais competitivas. No entanto, como destacam os especialistas, o sucesso dessa estratégia depende menos das taxas de juros e mais da qualidade do planejamento financeiro. Quando utilizado de forma consciente e alinhado aos objetivos do tomador, o imóvel como garantia pode ser um instrumento para impulsionar investimentos sem comprometer a estabilidade financeira da família.































