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Vale a renúncia? *Carlos Gomes, co-fundador da Vennx e especialista em GRC (Governança, Riscos e Compliance)

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Diversos setores da economia ficaram surpresos com um anúncio vindo de uma das maiores mineradoras do mundo, a Vale. Um experiente conselheiro, com passagens por Fibria, Algar, Ypê e Santander, publicou uma carta renunciando sua posição no Conselho de Administração da Mineradora. Não se trata de qualquer organização. É a Vale.

Vale lembrar que, em 2021, José Eduardo Penido venceu disputa para assumir uma cadeira como membro independente do Conselho de Administração da Vale com nada menos do que o ex-Presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Olhando por esse lado, foi uma conquista de peso.

Até aqui, a imprensa deu bastante destaque às ‘denúncias’ feitas por Penido. No entanto, tudo indicava que outros aspectos tomarão conta do debate envolvendo governança corporativa e a influência estatal nas empresas.

Embora tenha criticado o processo de sucessão do Presidente, em 30 de novembro, o próprio Penido votou a favor da revisão da “Política de sucessão do presidente”, documento que vigorava desde 2018. A princípio, nada indica que houve quebra das regras da Política. Não há fato relevante publicado ou ata de reunião pública que corrobore com isso.

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Houve muita atenção às acusações de influência dos acionistas da Vale na escolha do Presidente. Teoricamente, essa influência é comum, exceto numa Corporation. Numa empresa sem controlador majoritário, isto é, numa Corporation, o esperado é que o Conselho de Administração faça valer critérios objetivos e 100% voltados ao benefício da Corporação e, consequentemente, do conjunto fragmentado de acionistas que formam a maioria dos votos.

Em 2017, após o vencimento do acordo de acionistas que tornava a Vale uma empresa privada, o processo de privatização foi efetivado e a mineradora se tornou uma Corporation. A maioria de suas ações estava em free float ou com acionistas com participação inferior a 5%. Mesmo as Golden Shares, que são direitos mantidos pelo Governo Federal, não atribuem poder para que haja influência estatal na escolha do Presidente da Companhia.

Por fim, a pergunta é se a Vale já se preocupava com a possibilidade desse tipo de influência, que no passado pautou as escolhas de Roger Agnelli e Murilo Ferreira na direção da Companhia. E a resposta é ‘sim’. Em 2022, em seu último relatório 20-F (principal documento publicado por uma empresa brasileira listada em bolsas norte-americanas), a Vale reportou ao mercado sua preocupação com esse tipo de influência.

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Informações de fontes internas, no entanto, dão conta de que aparentemente nada está sendo feito para combater esse risco, exceto o próprio processo de gestão da crise que a renúncia gerou. O que nos resta é acompanhar os próximos episódios desta briga. E aí, realmente valeu a renúncia ou há mais coisas para serem ditas?

(*) Carlos Gomes atua, há quase 15 anos, diretamente com gestão de riscos e governança corporativa, tendo ocupado posições de executivo na Deloitte e na BDO, atendendo clientes como Petrobras, Vale, Michelin, Eletrobras e outras blue ships. Gomes é Advisor e Researcher em GRC (Governança, Riscos e Compliance) na Vennx, uma startup de GRC da qual é co-fundador.

Agência Drumond – Assessoria de Comunicação

Joyce Nogueira

Assessora de Imprensa

(21) 98102-2441- whatsapp

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