Por medida de segurança, “Dona Nega” tem seus movimentos acompanhados por câmeras em tempo real, nas 24h do dia
Da Reportagem
Em General Carneiro (442 km a Lestede Cuiabá), município com 6.200 habitantes, a moradora mais velha, figura ilustre e conhecida da cidade, vive em seu próprio “Big Brother”.
Aos 102 anos, “Dona Nega”, pouco conhecida como Maria Raimunda Vieira, nome de registro, tem seus movimentos acompanhados por câmeras em tempo real, nas 24h do dia.
Apesar de viver rodeada de filhos e netos, ou seja, quase nunca estar sozinha, a família decidiu pelo videomonitoramento como medida de atenção à segurança dela.
Isto, após os lapsos de memória que a fizeram esquecer panelas ao fogo.
Agora, duas câmeras foram instaladas em pontos estratégicos da casa, para acompanhar tudo o que acontece com a matriarca dos Vieira.
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Apesar de viver rodeada de filhos e netos, ou seja, quase nunca estar sozinha, a família decidiu pelo videomonitoramento como medida de atenção à segurança dela
Um dos equipamentos é dotado de um sistema giratório, capaz de seguir os passos de “Dona Nega” da sala para cozinha e outros ambientes.
No quarto de dormir, a idosa também é vigiada, porém há restrições sobre quem da família pode monitorar sua intimidade.
Em que pese as preocupações da família, “Dona Nega” tem autonomia para executar as diversas tarefas domésticas e do autocuidado.
Aliás, a saúde, energia e disposição dela são de causar inveja.
“Dona Nega” ainda costura, organizas ambientes da sala, toma banho sozinha…
Ela faz de tudo um pouco.
Foi da neta Fernanda Silva Matos a ideia de instalar as câmeras e criar um cronograma de plantões de cuidados, com divisão de custos e responsabilidades com a avó.
Com as câmaras, Fernanda, que mora em Uberlândia, Minas Gerais, a 1.500 km, não só acompanha a vida da avó em tempo real, como coordena a operação de cuidados com a avó.
Fernanda explica que, com o uso das câmeras e a instituição da escala de atendimento à avó, não foi necessário retirá-la da casa dela.
“Dona Neg” não gostaria, segundo a neta, deixar o lugar onde mora há décadas para viver com uma filha, por exemplo.
Com o uso de câmeras, o reforço à assistência torna-se mais ágil, caso ocorra algo que ela precise de socorro de urgência.
Outros integrantes da família podem estar no local em poucos minutos para ajudar.
“Dona Nega” é mãe de 9 filhos e tem 25 netos e cerca de 30 bisnetos.
A maioria dos descendentes dela mora em General Carneiro e região.
Também foi pensando na segurança e bem-estar do pai, Gérson, de 80 anos, que a servidora pública Gabriela Dorileo instalou duas câmeras na casa dele.
Gerson, que mora em Cuiabá, não aceita sair da própria casa.
Além de manter uma rotina de cuidados presenciais, Gabriela e as irmãs agora acompanham os passos do pai pelas câmeras.
No caso de Gérson, o videomonitoramento foi implantado depois de as filhas o encontrarem desmaiado, após horas sem conseguirem se comunicar.
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Em que pese as preocupações da família, “Dona Nega” tem autonomia para executar as diversas tarefas domésticas e do autocuidado
Tanto a família de “Dona Nega” quanto a do aposentado Gérson (a filha optou por omitir o sobrenome, para segurança do pai) adquiriram as câmeras em sites e fizeram a instalação por conta própria.
Usaram o sinal de internet, baixaram o aplicativo e compartilham as imagens pelo QR Code.
De acordo com dados do IBGE, 47.300 idosos moram sozinhos em Mato Grosso.
No país, são 4 milhões de pessoas que já passaram dos 60 anos vivendo sozinhos.
Grande parte dessas pessoas, conforme a pesquisa, supera dificuldades de não ter a presença de alguém para ajudá-los recorrendo a familiares, amigos e vizinhos.
































