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A derradeira jornada do taquarizano Fausto Costa Oliveira…

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Homem de confiança dos produtores da região, Fausto dedicou décadas às rotas boiadeiras e deixa uma trajetória marcada pela solidariedade, pelo trabalho e pela preservação das tradições pantaneiras

Próximo ao Porto São Pedro, ainda a bordo da Lancha Nova Martins chegou a notícia de que Fausto , nosso eterno condutor taquarizano do Paiaguás, iniciou a derradeira e eterna viagem.

Perdem-se nos tempos as lembranças de Fausto de passagem pela rota boiadeira Fazenda São Luiz, na sua lida diária de levar a riqueza da criação de gado do Paiaguas e Poconé no rumo do Porto Rolon, ocasião que compartilhava suas histórias , como convidado de honra em nosso jantar familiar.

Tivemos longos anos em nossa sala, magnífica foto colorida preparada por Bayard Rabelo, quando Luiz Guilherme meu irmão a via, sempre falava: “- Esse peão pastoreando essas tucuras na beira da vazante, é o condutor Fausto, ainda rapaz.”

Talvez, breve se encontrarão, pois creio firmemente que o Paraíso dos pantaneiros seria em outra dimensão mas por aqui mesmo…

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Mesmo nestas décadas de assoreamento do Rio Taquari sempre manteve sua comitiva e do seu irmão Zepaes ajudando os criadores do Paiaguás a vencerem o desastroso isolamento econômico que essas desembestadas águas do cerrado desmatado ocasionavam em nossa região.

Foi um batalhador incansável para vencer as nefastas consequências da omissão e da estupidez que impediram inicialmente a manutenção das margens e dos taludes do Rio Taquari e depois fingiram não contemplar a enorme barragem de areia que o tamponou completamente, abaixo da Fazenda Caronal.

Inúmeras vezes, nestes últimos anos, conduzia a comitiva acompanhado da parceira Dona Célia, que mesmo em longas viagens dispendia seu carinhoso auxílio ao companheiro de jornada de vida pantaneira.

Estou certo que inexiste no Paiaguás um só produtor que não tenha recebido a solidariedade de Fausto e Célia, onde a manutenção da viabilidade das fazendas, dependiam muito mais dessa dura vida boiadeira transformada em verdadeira cruzada missionária pela manutenção da vida tradicional do Pantanal.

Cavalo aperado no capricho, inicia Fausto essa jornada na dimensão inescapavel para todos os seres vivos , atendendo ao chamado do Patrão Celestial, vai com a mala de garupa cheia das boas lembranças e do agradecimento eterno de todos que cruzaram seu caminho nos trilhas boiadeiras do Pantanal.

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Agora parte escoteiro mas leva de matula um sapicoá recheado com o amor que deu e recebeu na longa jornada abençoada com Célia, o coração pleno de orgulho pelo sucesso dos filhos gerados e educados á perfeição e a guaiaca recheada com o respeito e gratidão dos inúmeros amigos conquistados.

Irreparável perda de um dos homens que dedicaram a vida a seguir a velha e tradicional rota que legou ao Brasil o Pantanal sustentável, mostrando que a beleza desta região foi construída por homens que criam animais e, por isso, são respeitadores de todas as outras formas de vida.

Que o Senhor receba Fausto, ao mesmo tempo que Abençoe e envie consolo a todos os familiares e incontáveis amigos com sua partida.

Armando Arruda LacerdaPorto São Pedro

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