Nova divisão das unidades de gestão da água amplia áreas estratégicas como o Pantanal e o Médio Xingu
Da Reportagem
Após quase duas décadas sem mudanças estruturais, Mato Grosso oficializou uma ampla atualização na divisão das bacias hidrográficas utilizadas para gestão dos recursos hídricos no estado. A medida foi publicada nesta segunda-feira (18) no Diário Oficial por meio da Resolução nº 203 do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CEHIDRO), vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).
A revisão redefine os limites das chamadas Unidades de Planejamento e Gerenciamento (UPGs), áreas técnicas usadas como base para políticas ambientais, fiscalização, monitoramento dos rios, licenciamento e planejamento do uso da água em Mato Grosso.
Segundo o documento, a atualização ocorreu a partir de um refinamento cartográfico e da modernização dos critérios de delimitação das microbacias hidrográficas. Com isso, algumas regiões tiveram ampliação territorial, enquanto outras registraram redução de área.
Entre os destaques está a bacia do Médio Rio Xingu, que apresentou o maior crescimento proporcional da revisão. A unidade ganhou mais de 2,2 mil quilômetros quadrados e passou a ocupar área superior a 38 mil km². Também tiveram expansão significativa as bacias do Rio Jaurú e do Médio Rio Araguaia, além das regiões ligadas ao Alto Rio Juruena, Rio Arinos, Rio Correntes-Taquari e Alto Rio das Mortes.
Na região pantaneira, a bacia do Rio Paraguai Pantanal também foi ampliada e passou a abranger mais de 54 mil km². A área engloba municípios considerados estratégicos para a preservação do bioma, como Poconé, Cáceres, Barão de Melgaço e Santo Antônio do Leverger.
Por outro lado, algumas unidades apresentaram retração após os novos levantamentos técnicos. O Rio São Lourenço teve a maior redução territorial do estado, com perda próxima de mil quilômetros quadrados. O Baixo Rio das Mortes e o Alto Rio Cuiabá também registraram diminuição de área.
De acordo com a Sema, as alterações não representam perda física de território, mas ajustes técnicos decorrentes da atualização metodológica. O estudo aponta ainda ganho de precisão no mapa hidrográfico estadual. Antes da revisão, a soma das áreas das bacias apresentava diferença superior a 1,9 mil km² em relação à área oficial de Mato Grosso. Após a readequação, a divergência caiu para menos de 250 km².
O novo mapa passa a ser referência oficial para ações de gestão ambiental e planejamento hídrico em Mato Grosso.
































