ATRAÇÃO GIGANTE- Maior roda-gigante da América Latina percorre 17 mil km e chega a Cuiabá
A dimensão do empreendimento exigiu planejamento muito antes de as primeiras peças deixarem a fábrica chinesa. Foram meses de trabalho envolvendo profissionais no Brasil e na China para organizar a produção, definir a sequência dos embarques e garantir que os componentes chegassem a Mato Grosso na ordem necessária para a montagem.
A proposta para instalação da roda-gigante foi apresentada em dezembro de 2024. Desde então, a logística tornou-se um dos pontos mais complexos do projeto.
De acordo com informações divulgadas pelas empresas responsáveis pelo acompanhamento da operação, foram necessários cerca de seis meses de embarques para transportar todos os componentes.
As dimensões impressionaram até mesmo o fabricante chinês. Algumas peças eram tão grandes que não havia espaço suficiente para armazená-las no pátio da fábrica. Dessa forma, parte da estrutura precisava ser despachada logo depois de produzida para liberar espaço para a fabricação dos componentes seguintes.
CINCO NAVIOS E MAIS DE 40 CONTÊINERES
A viagem internacional foi dividida em embarques a partir do porto de Taicang, na região de Xangai, com destino ao Porto de Santos, em São Paulo.
Ao todo, cinco navios foram utilizados no transporte, sendo três preparados para cargas de grandes dimensões e outros dois de carga geral. A operação ainda contou com mais de 40 contêineres especiais.
Somente a travessia marítima consumiu aproximadamente 55 dias.
Depois de desembarcarem no Brasil, os componentes iniciaram outra etapa igualmente complexa: percorrer as rodovias brasileiras até Cuiabá.
Cerca de 80 caminhões participaram do transporte terrestre.
PEÇA DE 70 TONELADAS
Entre os maiores desafios estava o transporte do eixo central da roda-gigante. A peça possui aproximadamente 16 metros de comprimento e pesa cerca de 70 toneladas.
Para deslocá-la foram necessários estudos de engenharia, definição de rotas, caminhões-prancha especiais e autorizações para circulação.
A operação precisou considerar a capacidade de pontes, viadutos e trechos rodoviários ao longo do percurso. Em determinados pontos, também houve necessidade de escolta e controle do tráfego devido às dimensões das cargas.
O objetivo era impedir que o peso ou a altura das estruturas provocassem danos às rodovias ou encontrassem obstáculos durante o trajeto.
LOGÍSTICA MONTADA “DE TRÁS PARA FRENTE”
Outro desafio foi garantir que as peças chegassem a Cuiabá exatamente na sequência necessária.
A logística foi planejada praticamente “de trás para frente”, priorizando o envio dos componentes estruturais que precisariam ser instalados primeiro.
Caso uma peça secundária chegasse antes de determinado eixo ou componente essencial, parte da montagem poderia ficar parada aguardando um novo carregamento.
O trabalho também enfrentou as altas temperaturas do verão chinês. Parte das inspeções e do acompanhamento técnico precisou ser realizada durante a noite. Um engenheiro brasileiro participou do processo para verificar especificações antes dos embarques.
42 CABINES E ATÉ 336 PESSOAS
Quando entrar em funcionamento, a roda-gigante contará com 42 cabines, cada uma com capacidade para receber entre seis e oito passageiros.
Com isso, o equipamento poderá transportar até 336 pessoas simultaneamente.
A previsão é que cada volta dure aproximadamente 30 a 35 minutos, permitindo uma visão panorâmica da região do Parque Novo Mato Grosso e de Cuiabá.
A atração deverá se transformar em um dos principais cartões-postais do complexo e acrescentar uma nova opção de entretenimento e turismo à Capital.
Depois de cruzar mais de 17 mil quilômetros, enfrentar uma viagem marítima de quase dois meses e mobilizar dezenas de veículos e profissionais, a estrutura que começou a ser produzida do outro lado do mundo agora ganha forma no coração de Mato Grosso.


































