Foi preciso apenas um story de 20 segundos para que Rosa Belle, estudante de odontologia, decidisse adotar a cachorrinha que apareceu na tela do celular. Sem hesitar, ela foi a primeira da fila para buscar Tequila, resgatada ainda filhote das ruas em estado grave de maus-tratos pela fundadora da ONG Tampatinhas, Kelly Rondon. A história das duas é uma entre mais de 150 que nasceram nas dez edições das feiras de adoção realizadas no VG Shopping em parceria com a Cobasi.
A cada feira, cães e gatos dividem o espaço em proporções iguais, com filhotes respondendo por cerca de 80% das adoções. Mas um movimento silencioso tem chamado a atenção: animais adultos e idosos estão encontrando lares com uma frequência inédita. A adoção de gatos idosos, em especial, surpreende até os organizadores.
Processo e cuidado – Antes de cada adoção, Kelly investiga a renda familiar, visita a casa e avalia se o futuro tutor tem condições reais de cuidar do animal. Foi essa seriedade que conquistou Rosa. “O diferencial foi o cuidado dela em saber se a gente realmente tinha condições de ter um pet”, conta a estudante.
Tequila chegou ao novo lar já castrada, mas carregando sequelas da vida nas ruas: anemia, doença do carrapato e, meses depois, sarna diagnosticada após tratamento prolongado. Rosa e o noivo investiram cerca de R$ 1.500 e muita dedicação até vê-la saudável. “O animal é só uma parte da nossa vida, mas nós somos para toda a vida dele”, resume ela.
Quase quatro anos depois, Tequila já viajou pelo Sul do Brasil ao lado da família, que ganhou um novo integrante: Daiki, um Shih Tzu resgatado de um canil clandestino. A cachorrinha que sobreviveu às ruas hoje é, nas palavras da tutora, “a felicidade da minha vida”.
Feiras também impactam os lojistas
Dafne Trindade, vendedora da Cobasi no Várzea Grande Shopping, oferece 10% de desconto nas compras realizadas logo após a adoção, numa ação que ficou conhecida entre os clientes como “personal pet”.
Os itens mais procurados são produtos de higiene, como tapete higiênico e shampoo, mas rações, comedouros e brinquedos também enchem os carrinhos. O vínculo criado no dia da adoção costuma durar: muitos tutores voltam à loja com frequência mensal ou até diária. “Falam como o animal está, agradecem pela indicação de ração”, conta Dafne.
Para ela, o impacto vai além das vendas. “O evento traz conscientização para a adoção responsável, fazendo jus ao que fazemos dia a dia, com doações de mantimentos e ajudando clientes nessa nova etapa”.
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