País tem ganhado destaque no quebra-cabeça geopolítico e vê sua moeda valorizar, atraindo dinheiro vindo do exterior
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O Brasil tem entrado cada vez mais no radar dos investimentos estrangeiros. Em meio a um cenário internacional turbulento, com conflitos espalhados pelo globo e incertezas econômicas, o país vem se destacando pela economia pujante, alta produtividade de commodities, ausência de disputas armadas e mercado de consumo enorme.
Mercado de investimentos brasileiro em expansão
Alguns indicadores apontam para essa nova realidade. O real tem se valorizado perante o dólar, somando mais de 10% de valorização no acumulado de 2026. Isso coloca o real no patamar de moeda de melhor desempenho no mundo. O Ibovespa, indicador de desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil, também bateu novo recorde.
Com alta de 200 mil pontos, foi destacada pelo Bank of America como um ativo “livre de riscos”, sinalizando otimismo para os investidores estrangeiros. Toda essa onda positiva elevou o número de investimentos da Bolsa por agentes estrangeiros a 60% pela primeira vez na história. São mais de US$ 60 bilhões injetados na economia por eles até março de 2026.
Renda fixa segue como escolha preferida
Se, por um lado, o investidor estrangeiro está otimista com o desempenho do Brasil, o investidor brasileiro também tem mostrado vontade de ficar com sua “fatia do bolo”. O número de brasileiros que têm buscado aplicar seu dinheiro em produtos financeiros aumentou, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a Anbima.
Em 2025, houve um acrescido de 4 milhões de novos investidores, saltando para um total de 59 milhões de pessoas que de alguma forma aplicam seu dinheiro. E, por conta da alta taxa básica de juros, a taxa Selic, a renda fixa tem sido um dos produtos favoritos para o aporte: 59% de todo o dinheiro aplicado no país está em alguma renda fixa.
O CDB (Certificado de Depósitos Bancários), por exemplo, é uma dessas aplicações de renda fixa que mais recebe recursos financeiros. Isso se dá por seguir a tabela regressiva do Imposto de Renda, ter liquidez e também por ser bastante seguro. Afinal, são títulos emitidos por bancos consolidados e segurados pelo Fundo Garantidor de Crédito.
Com uma variedade interessante de prazos e porcentagem de rendimentos, é uma boa opção para novos e experientes investidores. Ainda na esteira da renda fixa, há a opção do investimento no Tesouro Direto. Esse é um tipo de título emitido pelo Governo Federal que pode render tanto sobre a taxa Selic como sobre o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Na prática, o investidor empresta seu dinheiro ao governo em troca de uma remuneração futura. Há ainda os LCI e LCA, Letras de Crédito Imobiliária e do Agronegócio, respectivamente. Esse tipo de investimento é emitido pelos bancos e usado para financiar as operações nesses setores.
LCI e LCA são isentos de Imposto de Renda e possuem boa remuneração futura, mas são um pouco mais arriscados e possuem menor liquidez. Isso exige um outro perfil de investidor. Neste caso, é importante que possua um pensamento de médio a longo prazo. Na linha de preferência dos brasileiros, ficam atrás do CBD, mas à frente dos títulos públicos.
Variedade de opções para diferentes perfis
Geralmente, o perfil do investidor em renda fixa é mais conservador. A grande diferença paira mesmo sobre seus objetivos. Quem pensa em médio e longo prazo busca mais rentabilidade. Já quem busca mais liquidez em curto prazo normalmente está almejando fazer uma reserva de emergência ou simplesmente não ficar com o dinheiro parado sem render nada.
Nada impede, porém, de montar uma carteira diversificada. Nela, se pode incluir desde produtos mais conservadores e de alta liquidez, como CDBs, até outros mais voláteis, como fundos de créditos ou ações de empresas. Neste meio termo, até mesmo um resgate de título de capitalização pode ser uma estratégia interessante.
Em um cenário no qual o investimento dos brasileiros cresce 15,5%, ultrapassando R$ 8,5 trilhões no ano de 2025, segundo a Anbima, colocar o dinheiro para render tem sido uma das principais maneiras de as pessoas dos mais diferentes perfis, objetivos e até mesmo classes econômicas participarem do bom momento econômico que o país passa.

































