Em Ribeirão Cascalheira, maior produtor de pequi, são cinco projetos acompanhados pela Empaer
O pequi, fruto que na capital, Cuiabá, uniu o casal Evandro Paulo e Fábia Vaz, e chega à mesa de muitas famílias, no interior também está sendo alternativa para recuperação de áreas degradadas.
Em Ribeirão Cascalheira (900 km a Nordeste de Cuiabá), maior produtor do fruto, a árvore se tornou uma opção para cumprir as exigências de reflorestamento de Áreas de Preservação Permanente (APP’s).
Ou seja, aqueles que não tinham áreas porque desmataram ou que adquiriram a terra já sem APP, agora têm a oportunidade de cumprir a lei com projetos que unem reposição vegetal e possibilidade de renda extra.
Técnico da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural(Empaer-MT) no município, Carlos Alberto Quintino diz que já são cinco áreas com APP de pequi concluídas e outras propostas de projetos sendo desenvolvidas.
Divulgação
Quintino diz que não importa o tamanho da propriedade, se grande, médio ou pequeno produtor, o pequizeiro é uma boa alternativa para as APP
Com a assistência técnica que estão recebendo, explica ele, há produtores fazendo as mudas em suas propriedades, com as sementes de plantas nativas, e outros comprando as mudas.
Quintino diz que não importa o tamanho da propriedade, se grande, médio ou pequeno produtor, o pequizeiro é uma boa alternativa para as APP com garantia de renda extra.
MAIOR PRODUTO – Para este ano, a previsão é que os produtores de Ribeirão Cascalheira colham 350 toneladas, segundo estimativa da Empaer-MT;
A colheita começou em outubro e segue até o final do mês de dezembro.
No município, são 80 produtos e 56 mil pés da fruta espalhadas em aproximadamente 280 hectares, sendo 150 de plantas nativas e 130 de plantio.
Quintino lembra que, há décadas, o pequi produzido no município movimenta a economia local.
Além de Cuiabá, um dos principais centros consumidores, há compradores atacadistas de municípios de Estado como Goiás, além do Distrito Federal.
Outra atividade que começa a gerar renda, observa, é a produção das mudas para reflorestar, criação de novas e ampliação de áreas de plantio.
De acordo com ele, além da assistência técnica que vai desde mudas até a colheita, a Empaer está começando a trabalhar na organização dos produtores visando a agregar mais valor ao produtor.
A ideia em andamento, adianta, é a criação de uma cooperativa para produção de farinha, doces, conservas (em polpa e caroço) e outros derivados do pequi.
Quintino lembra que a empresa de assistência técnica já ministrou cursos de aproveitamento da fruta, mas as iniciativas de processamento do pequi são individuais.
Casal vive amor que teve início na venda de pequi nas ruas
Vendedora vê fruto que a uniu ao homem com quem formou família sendo levado para outros países

Quando começou a se relacionar com Evandro Paulo, 32, Fábia da Silva Costa Vaz, 38, principiava na venda de pequi.
Era o primeiro ano dela comercializando pelas ruas de Cuiabá esse fruto de cheiro e sabor característicos muito apreciado por boa parte dos cuiabanos
.De lá para cá, são 12 anos dedicados à venda e 11 de casamento com o filho de seu principal fornecedor de pequi.
Atualmente, Fábia tem uma banca de pequi no cruzamento das Avenidas Pernambuco e Brasil, no bairro CPA 2, em Cuiabá.
Evandro deixou de trabalhar com o pai e passou a se dedicar à venda, ao lado da mulher.
Hoje, ele também já não atua mais diretamente na venda, somente no suporte necessário ao funcionamento da banca.
Isso porque, enquanto Fábia se encarrega de vender, o marido trabalha com locação de carretinhas (reboque para transporte de mercadorias).
Como a safra do pequi não dura mais de seis meses, ocorre entre setembro e fevereiro, na outra metade do ano, são as carretinhas que asseguram renda à família.
Fábia conta que conheceu o marido na condição de filho do fornecedor de água para revenda nos semáforos, mas só seis anos depois, sem reconhecer quem ele era, começaram a namorar.
Divulgação

“Pequi é um fruto que as pessoas amam ou odeiam. Não tem meio termo”, diz Fábia
Ela recorda que foi seu atual sogro quem lhe fez a proposta que acabou por torná-la vendedora.
Fábia diz que viu vantagens, levando em consideração a grande procura e movimentação de consumidores em torno das bancas de pequi, na alta temporada da colheita.
Conforme ela, somente depois que começaram a namorar descobriu que Evandro Paulo era o filho do seu antigo fornecedor de água e frutas.
Fábia e Evandro Paulo estão mais unidos do que nunca, tanto no amor quanto nos negócios.
Juntos têm três filhos: Ana Laura, 10, Sofia Vitória, 8, e Paulo, 4 anos.
Nesses 12 anos vendendo, Fábia diz continua aprendendo e consumindo pequi.
Não enjoou do fruto, exceto durante a gravidez do filho caçula.
“Pequi é um fruto que as pessoas amam ou odeiam. Não tem meio termo, essa coisa de gostar mais ou menos”, diz.
No caso dela, a rejeição, ao ponto de não chegar perto ou sentir o cheiro, aconteceu durante a gravidez do filho, Paulo, de 4 anos.
Nos primeiros três meses da gestação, Fábia abandonou a banca, pela primeira vez, em 12 anos, e o marido assumiu as vendas.
Passado esse período, recuperou o gosto e voltou a vender e consumir o produto.
“Como pequi com peixe e já preparei até com dobradinha”, revela.
Receitas, já apreendeu muitas com os clientes.
“Uma me ensinou a fazer pirão, semelhante ao que a gente faz com o caldo do peixe”, diz.
Os apaixonados pelo fruto são capazes de articular planos e ir longe para tê-los à mesa.
“Vendo para pessoas que levam para parentes e amigos nos Estados Unidos, Portugal, Espanha e outros países”, conta.
Não sei como fazem para transportá-los, mas sei que o pequi chega lá. Também tenho clientes que armazenam, congelam, para garantir o consumo por parentes e amigos passear de férias para o Brasil.
DE ONDE VEM? – O pequi que Fábia vende tem diversas origens.
Neste mês, por exemplo, está recebendo de Ribeirão Cascalheira (900 km a Nordeste de Cuiabá).
Mas, conforme ela, chega de outras regiões de Mato Grosso, como Araguaia, Chapada dos Guimarães, e de estados como Tocantins, Minas Gerais e Bahia.
“Até da Bolívia já recebemos”, conta ela.































