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CRIME ORGANIZADO; Classificação de PCC e CV como terroristas acende alerta sobre impactos indiretos no Pix

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Especialistas avaliam que medida dos EUA não atinge sistema brasileiro de pagamentos, mas pode aumentar exigências de fiscalização e compliance

A decisão dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas reacendeu o debate sobre possíveis reflexos para o sistema financeiro brasileiro. Embora o Pix não esteja diretamente na mira das sanções anunciadas pelo governo norte-americano, especialistas avaliam que a medida pode elevar o nível de fiscalização sobre bancos, instituições financeiras e mecanismos de pagamento utilizados no país.

A classificação das facções brasileiras como organizações terroristas passa a produzir efeitos a partir da próxima quinta-feira (5) e integra uma estratégia do governo norte-americano para ampliar o combate ao crime organizado transnacional.

O tema ganhou repercussão após o governo brasileiro afirmar que medidas unilaterais adotadas por outros países podem atingir interesses nacionais, incluindo o Sistema Financeiro Nacional (SFN) e ferramentas de pagamento desenvolvidas no Brasil, como o Pix.

Apesar das preocupações levantadas, especialistas destacam que o sistema de transferências instantâneas criado pelo Banco Central não está sendo alvo direto das medidas anunciadas pelos Estados Unidos.

Segundo o especialista em governança, riscos e regulação Fabio Coimbra, o foco das autoridades internacionais não está na tecnologia em si, mas em eventuais usos ilícitos da ferramenta.

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“O risco está no uso de contas de passagem, laranjas, empresas de fachada, beneficiários finais ocultos, fluxos fragmentados e movimentações incompatíveis com o perfil econômico do cliente”, explicou.

Na avaliação dele, o Pix possui mecanismos de rastreabilidade e identificação semelhantes aos exigidos em outros meios de pagamento. Entretanto, sua velocidade e ampla utilização podem ampliar os desafios de monitoramento quando há falhas nos controles internos das instituições financeiras.

O advogado Cristiano Roveda, especialista em governança corporativa, observa que a popularização do sistema também pode contribuir para um olhar mais atento das autoridades estrangeiras.

Segundo ele, justamente por movimentar bilhões de reais diariamente e estar presente na rotina de milhões de brasileiros, o Pix pode ser submetido a questionamentos mais rigorosos sobre seus mecanismos de prevenção a fraudes e lavagem de dinheiro.

A advogada especializada em comércio internacional Vera Kanas avalia que a principal consequência da medida norte-americana será o aumento da pressão regulatória sobre o setor financeiro brasileiro.

De acordo com ela, bancos e instituições de pagamento deverão reforçar procedimentos internos para evitar que recursos ligados a organizações criminosas circulem pelo sistema financeiro.

“Isso vai levar os bancos a se ajustarem, e será um ajuste relevante diante dessa nova camada de pressão que não existia antes. Haverá novos parâmetros de compliance, muito mais robustos do que os existentes hoje”, afirmou.

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Os especialistas ressaltam que não existe, neste momento, qualquer medida concreta que restrinja o funcionamento do Pix ou ameace sua continuidade. O entendimento predominante é que o impacto tende a ocorrer de forma indireta, por meio do aumento das exigências de controle, monitoramento e identificação de operações suspeitas.

Além disso, o sistema brasileiro já conta com regras de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo supervisionadas pelo Banco Central e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Para Fabio Coimbra, a decisão dos Estados Unidos não produz efeitos imediatos sobre o sistema financeiro nacional, mas eleva significativamente o grau de atenção internacional sobre as operações realizadas no país.

“O ponto é que a régua de escrutínio sobe. Controles que pareciam suficientes podem precisar ser reavaliados diante de uma nova percepção de risco externo”, concluiu.

Com a entrada em vigor da classificação das facções como organizações terroristas, o mercado financeiro brasileiro deverá enfrentar um ambiente de fiscalização mais rigoroso, especialmente nas operações relacionadas ao combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento de organizações criminosas.

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