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SUCESSÃO |
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A sucessão empresarial nas famílias Bigolin e Tonon mostra que é possível manter e ampliar os negócios quando a gestão passa de uma geração para outra |
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A sucessão familiar é um dos momentos mais delicados e decisivos da vida de uma empresa. Em muitos casos, ela chega como uma surpresa, forçando decisões em meio a crises pessoais e emocionais. Mas também pode ser o início de uma nova história, de um recomeço que honra o passado e aponta para o futuro. As trajetórias das famílias Bigolin e Tonon, que vivem em Cuiabá (MT), mostram que, quando coragem, união e planejamento caminham juntos, é possível não apenas perpetuar o legado, mas expandi-lo.
A sucessão familiar em empresas do setor de Comércio e Serviços é um processo tão vital quanto desafiador. A transição de uma geração para a outra, quando mal conduzida, é um dos principais motivos para o fechamento de negócios. Estatísticas do Banco Mundial revelam que apenas 30% das empresas familiares sobrevivem à segunda geração, e menos de 15% chegam à terceira.
Para a consultora Gracielli Pizzato, especialista em gestão de pessoas e desenvolvimento de lideranças, o segredo está em não adiar conversas e preparar o terreno. “A sucessão não é um evento, é um processo. Quando a família se organiza cedo, cria regras claras e investe na preparação dos sucessores, a transição flui com mais leveza e harmonia”, explicou a consultora. |
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Lucimar Trindade Bigolin. Foto: Arquivo Pessoal |
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Quando a vida colocou Lucimar Trindade Bigolin diante de um grande desafio, ela poderia ter recuado, mas, ao contrário, se juntou com os filhos e ampliou os negócios da família. O marido adoeceu e, de repente, foi Lucimar quem precisou segurar as rédeas dos negócios da família. Ela escolheu o caminho da coragem. Ao lado dos filhos Felipe, 36 anos, e Ariane, 34 anos, transformou incertezas em novas possibilidades.
A loja de materiais de construção deixou de ser apenas tradicional e se reposicionou no mercado de alto padrão, conquistando clientes exigentes e oferecendo experiências diferenciadas. A construtora ganhou nicho próprio e solidez. “É importantíssimo ter acompanhamento profissional para a sucessão familiar”, ressaltou Lucimar, que buscou orientação e diálogo constante para alinhar papéis dentro da família.
A filha, Ariane, tem um cargo na loja que conduz com criatividade e olhar moderno, enquanto o filho Felipe administra a construtora com visão estratégica. “Eles não apenas mantêm a tradição, mas também reinventam. É isso que torna a sucessão tão especial: é sobre inspirar e fortalecer gerações”, comentou a consultora Gracielli. |
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Família Tonon. Foto: Arquivo Pessoal |
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Ciclo completo – Na família Tonon, com negócios no setor da moda, a sucessão já percorreu um ciclo inteiro. O empresário Cláudio Tonon, 57 anos, assumiu a rede de lojas fundada pela mãe, Dona Neusa, em parceria com seu irmão mais novo, Celso. A perda precoce de Celso trouxe dor e responsabilidade, mas Cláudio seguiu adiante.
O empresário modernizou, expandiu, resistiu às dificuldades e consolidou o negócio, ao lado da mãe, que, até hoje, aos 80 anos, segue firme no setor financeiro. “Eu era a águia, e ela, a âncora. Sempre tive que ter argumentos sólidos para ter o apoio dela, mas essa dinâmica me ensinou muito”, afirmou Cláudio.
Agora, ele vive o outro lado da história: o de ser sucedido. Os filhos Bruna, 34 anos, e Renan, 30 anos, assumiram naturalmente os rumos da empresa, carregando não apenas o conhecimento, mas também os valores transmitidos desde a infância.
“Comecei como office boy, passei por vendedor, supervisor e depois assumi as compras”, lembrou Renan. Já Bruna, no Recursos Humanos, mantém viva a cultura da empresa por meio da capacitação e da valorização das pessoas. “Aprendemos com ele e com a nossa avó. Mesmo quando surgem embates, há respeito e admiração”, contou Bruna.
Para os filhos, a presença do pai ainda é fundamental. “Ele ajuda e está bastante presente. Aprendemos muito com ele e com a nossa avó. Mesmo ela não estando tão ativa na empresa, aprendemos muito com ela”, disse Renan. Ele contou que a empresa vive agora uma nova fase, com a redefinição de papéis: Cláudio assumirá as franquias, enquanto os filhos comandam o dia a dia.
Planejamento e governança – A solução encontrada pela família Tonon mostra que é possível fazer a sucessão sem ruptura, com continuidade. “O maior erro é adiar as decisões. Quando a família consegue planejar com tempo, cuidado e escuta, consegue estabelecer regras claras e construir uma ponte entre o passado e o futuro”, afirma Gracielli Pizzato.
De acordo com a consultora, muitos negócios não sobrevivem à segunda ou terceira geração justamente pela falta desse planejamento. Adiar conversas consideradas difíceis costuma resultar em improviso, pressa e decisões tomadas sob pressão.
Outro erro comum é escolher sucessores apenas pelo vínculo afetivo e não pela competência, o que pode comprometer tanto a gestão quanto os relacionamentos familiares. Também é frequente a ausência de protocolos claros, o que abre espaço para disputas, ressentimentos e perda de foco nos negócios.
Além disso, os aspectos emocionais não podem ser ignorados. A sucessão mexe com expectativas, identidades e senso de pertencimento, sendo comum o surgimento de rivalidades. Quando não há diálogo e acolhimento, a consequência pode ser a ruptura da família e o enfraquecimento da empresa. A falta de profissionalização da gestão é outro obstáculo, já que misturar família e negócios sem separar papéis e responsabilidades tende a fragilizar ambos os lados.
Gracielli reforçou que o ideal é iniciar o processo cedo. “Sucessão é um caminho, não um evento pontual. Investir na formação dos herdeiros, permitindo vivências fora da empresa, amplia a visão de mercado e fortalece a preparação para o futuro”, frisou.
A criação de estruturas de governança, como conselhos e protocolos familiares, ajuda a organizar papéis e responsabilidades. E, acima de tudo, o diálogo aberto e constante sobre sonhos, medos e expectativas mantém a harmonia necessária para que a sucessão se torne um processo de continuidade, e não de ruptura. |
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CDL Cuiabá – Com 52 anos de criação, a CDL Cuiabá reúne cerca de 10 mil associados, principalmente dos setores do comércio e de serviços. O chamado setor terciário responde por cerca de 70% do produto interno bruto (PIB) de Cuiabá, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dois setores juntos geram cerca de 60% dos empregos formais da cidade, sendo os maiores empregadores da capital, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). |
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Assessoria de Imprensa – CDL Cuiabá 📲 Camila Bini – 📧 |


































