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DO PERU PARA A ÁSIA; Pecuária de MT mira nichos de alto valor e nova rota pelo Pacífico

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Enquanto frigoríficos buscam espaço para cortes nobres no mercado peruano, setor acompanha consolidação de corredores

MARIANNA PERES Da Reportagem
Reprodução
A estratégia coloca o Peru simultaneamente como mercado consumidor e potencial corredor logístico para a carne produzida no maior Estado pecuário brasileiro

A pecuária de Mato Grosso está olhando para o Peru com dois interesses distintos. O primeiro é comercial: conquistar consumidores de maior renda para cortes bovinos diferenciados.

O segundo é estratégico: utilizar o país vizinho como uma futura porta de saída pelo Oceano Pacífico para chegar mais rapidamente aos grandes mercados consumidores da Ásia.

A estratégia coloca o Peru simultaneamente como mercado consumidor e potencial corredor logístico para a carne produzida no maior Estado pecuário brasileiro.

De acordo com o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o planejamento exige que o setor acompanhe as duas oportunidades.

“O Peru é um mercado que pode oferecer oportunidades para frigoríficos que buscam atender nichos específicos, especialmente restaurantes e consumidores que valorizam cortes diferenciados. Ao mesmo tempo, precisamos acompanhar essa transformação logística que está ocorrendo no país, com uma estrutura portuária voltada para aproximar a América do Sul dos mercados asiáticos”, afirma Andrade.

MENOS VOLUME, MAIOR VALOR – Com uma população de 34,1 milhões de habitantes, o Peru não desponta como um destino capaz de absorver grandes volumes de carne bovina. O consumo médio é de aproximadamente 6 quilos por habitante ao ano. Mesmo em Lima, maior cidade e principal centro econômico do país, chega a apenas 8,31 quilos por pessoa.

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Para Mato Grosso, porém, a oportunidade está justamente em não disputar o mercado pelo volume.

A avaliação é de que existe espaço para direcionar produtos de maior valor agregado a consumidores de renda mais elevada, especialmente por meio de hotéis, restaurantes de alta gastronomia e supermercados especializados.

Entre os cortes com maior potencial estão ancho, contrafilé, maminha e fraldinha. São produtos que permitem aos frigoríficos trabalhar com margens e estratégias comerciais diferentes das operações baseadas exclusivamente em grandes volumes.

O mercado peruano também pode representar uma alternativa principalmente para frigoríficos de pequeno e médio porte de Mato Grosso interessados em diversificar destinos e estabelecer relações comerciais de longo prazo.

PERU COMO PONTE – O maior interesse estratégico, entretanto, ultrapassa o próprio consumo dos peruanos.

A posição geográfica do país no Oceano Pacífico e os investimentos realizados em infraestrutura portuária e rodoviária podem transformá-lo em um importante hub entre a produção sul-americana e os mercados asiáticos.

Nesse cenário, o Porto de Chancay, na costa peruana, tornou-se peça central. A infraestrutura amplia a capacidade de conexão marítima direta do Peru com a Ásia e reforça as discussões sobre corredores terrestres capazes de levar produtos brasileiros até os portos do Pacífico.

Para Mato Grosso, a possibilidade é especialmente relevante porque o Estado está no centro geográfico da América do Sul e tem na Ásia o principal destino de parte expressiva de sua produção agropecuária.

NOVA SAÍDA PARA A ÁSIA – Hoje, grande parte das exportações mato-grossenses percorre milhares de quilômetros dentro do Brasil antes de alcançar os portos que dão acesso ao Oceano Atlântico. Depois disso, as cargas ainda precisam cumprir longas rotas marítimas para chegar aos compradores asiáticos.

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A consolidação de corredores rodoviários ligando Mato Grosso ao Peru poderia criar uma alternativa: deslocar a produção por terra em direção ao oeste e embarcá-la diretamente pelo Pacífico.

Para produtos perecíveis, como a carne bovina refrigerada, o tempo de transporte é uma variável importante. Uma rota competitiva poderia representar ganhos logísticos, maior previsibilidade dos embarques e novas possibilidades comerciais.

Isso não significa, entretanto, substituição imediata dos corredores tradicionais. A viabilidade dependerá da conclusão e qualidade das ligações rodoviárias, dos custos do transporte terrestre, da estrutura aduaneira, dos procedimentos sanitários e da comparação econômica com os portos brasileiros.

ESTRATÉGIA DE LONGO PRAZO – É por isso que o setor acompanha a transformação peruana como uma oportunidade de médio e longo prazo.

A primeira possibilidade é mais imediata e comercial: vender carne de maior valor agregado aos consumidores peruanos. A segunda é muito maior e depende de infraestrutura e integração internacional: transformar o caminho por Peru e Pacífico em uma nova alternativa para a carne de Mato Grosso chegar à Ásia.

Para a pecuária estadual, portanto, o Peru pode deixar de ser apenas um mercado vizinho. Se os corredores terrestres avançarem e a equação logística se mostrar competitiva, o país poderá se tornar uma ponte entre os frigoríficos mato-grossenses e o maior mercado consumidor de proteína do mundo.

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