Vaqueiro, grande laçador.Na escápula de sua varanda, na fazenda Ypiranga, sempre poderia ser vista uma peça qualquer de montaria.Nas horas de folga exercitava o dom familiar do artesanato em couro.Ali deixava sempre dependurada alguma coisa que estivesse produzindo.
Parente, era como tratava qualquer um membro das famílias, a sua e de sua esposa Maria, a Maroca, como apenas ele tinha o direito de tratá- la.
Légua e meia separavam a nossa sede da linda e exemplar fazenda Ypiranga, núcleo da sesmaria Ypiranga maior, então já desmembrada em vários lotes.
Dona Maria Lacerda tocava a parte que lhe cabia na administração com rigor carismático.Também de família pioneira, era sem dúvida o principai esteio daquele clã.
Vizinhos, amigos e parentes, tinhamos na ótima convivência o principal fundamento daquela estratégia de sobrevivência, naqueles tempos do verdadeiro Pantanal dos Pantaneiros.
Marina e Heraldo eram os filhos, produtos do entrlaçamento de dois troncos familiares pioneiros : Barros e Lacerda.
Heraldo é o motivo deste texto.Hoje nós o perdemos e o Paiaguás se recolhe em respeitoso luto.
Cedo abandonou os estudos para ajudar os pais e, também, para cumprir a sua real vocação, herdada aos ancestrais de ambos os lados dos genitores.
Também como seu pai aprendeu o serviço do gado.No meio da peonada não passava vergonha. Era da escola dos Barros e Lacerdas vaqueiros.Postura elegante nos arreios, armada grande e certeira. Se a volteada era pequena e em campo limpo, gostava de montar descalço.
Mas sua principal característica era a leveza de trato.Assim convivia com todos, educadamente. Uma certa fidalguia explicava a maneira como o tratavam seus comandados: dom Heraldo.
Embora seu temperamento discreto, se revelava um animado e habitual carnavalesco.Era festeiro, alegre e conhecido “pé de valsa”. Apenas ficávamos em campos opostos nas carreiradas de” Primeiro do Ano”, ocasião da festa na São Camilo e no São Sebastião, quando a festa era na Ypiranga.
Me lembro dele distribuindo o ” gole” aos peões, dando o necessário “gás” para o baile madrugada a dentro.
Viveu o melhor Pantanal, não este de hoje, totalmente fora das tradições e a cada dia menos pantaneiro.Deixa filhos e netos que, com certeza, trazem no sangue a bravura e o espírito ímpar dos nossos pioneiros.
Corumbá, 3/5/25
Manoel Martins de Almeida.

































