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Educar também é dizer não: por que defendo limites às redes sociais na infância

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Hoje eu quero falar com você, pai e mãe: seu filho está sendo criado pela família ou pela tela? Há uma frase que talvez incomode muita gente, mas alguém precisa dizer: educar também é dizer não. Durante décadas protegemos nossas crianças do cigarro, da bebida, da violência e da pornografia, mas abrimos a porta de casa para um aparelho que entrega tudo isso na palma da mão. Não é sobre demonizar a tecnologia, que não é boa nem má em si. É sobre reconhecer que, sem limite, ela deixa de ser ferramenta e passa a ocupar o lugar da família.

Os números do Brasil mostram a urgência do tema. Segundo a pesquisa TIC Kids Online, cerca de 85% a 88% das crianças e adolescentes brasileiros de 9 a 17 anos já possuem perfil em redes sociais, proporção que chega a praticamente 100% entre os de 15 a 17 anos, e cerca de 70% acessam essas plataformas diariamente. Foi justamente para responder a esse cenário que o Brasil sancionou o ECA Digital (Lei 15.211/2025), em vigor desde março deste ano, que obriga verificação real de idade, vínculo de contas de menores de 16 anos a um responsável e ferramentas de controle parental um passo importante, mas que, ao contrário de outros países, ainda aposta na supervisão em vez da restrição direta de acesso.

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O mundo já está debatendo ir além. A Austrália se tornou o primeiro país a proibir contas de redes sociais para menores de 16 anos, medida que entrou em vigor em dezembro de 2025 após estudo mostrar que 96% das crianças de 10 a 15 anos já usavam essas plataformas e que sete em cada dez tinham sido expostas a conteúdo sensível. Nos primeiros meses, quase 5 milhões de contas de menores foram removidas ainda que relatos recentes apontem que parte dos adolescentes vem contornando a verificação de idade, o que reforça que a lei precisa vir acompanhada de fiscalização séria. A Inglaterra também avançou com o Online Safety Act, impondo obrigações de verificação de idade e remoção de conteúdo nocivo às plataformas que operam no país.

Eu concordo com essa direção. O problema não é a tecnologia, é quando uma criança passa mais tempo conversando com o algoritmo do que com os próprios pais e amigos; quando perde a infância trocando o brincar pelo rolar infinito de uma tela; quando entra em crise por ficar sem internet. Isso não é liberdade, é dependência. E dependência, na infância, não pode ser tratada como escolha individual.

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Toda criança precisa de limites, porque limite também é cuidado e cuidado é uma das maiores demonstrações de amor que um pai e uma mãe podem oferecer. Eu sou Diogo Botelho e acredito que proteger a infância é uma responsabilidade e um dever de toda a sociedade: das famílias, que precisam retomar a autoridade de dizer não; das empresas de tecnologia, que precisam ser fiscalizadas de verdade; e do poder público, que deve ter coragem de legislar na direção certa, como já fazem Austrália e Inglaterra.

Diogo Botelho – advogado e pré-candidato ao Senado por Mato Grosso

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