Educadores apontam assuntos com potencial para aparecer nas questões e na proposta de redação deste ano
São Paulo, 27 de julho de 2026 – Além dos conteúdos e disciplinas tradicionais, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também cobra dos candidatos conhecimentos sobre atualidades e assuntos que impactam a sociedade, sejam fatos acontecidos no Brasil ou no exterior. Por isso, para garantir uma boa nota na prova, é fundamental ficar por dentro do noticiário.
“As atualidades não costumam aparecer no Enem como perguntas sobre datas, nomes ou acontecimentos isolados. Normalmente, elas são utilizadas como contexto para discutir temas mais amplos, relacionados à cidadania, meio ambiente, direitos humanos, ciência ou transformações sociais”, explica João Gabriel Pelegrini, professor de Filosofia e Sociologia do Ensino Médio do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas (SP).
Segundo Pelegrini, o exame valoriza a capacidade do estudante de relacionar fatos recentes a conteúdos trabalhados ao longo da educação básica. “Uma notícia sobre imigração, por exemplo, pode servir de base para uma questão sobre globalização; enquanto um evento climático extremo pode ser associado a conceitos de geografia, sustentabilidade e políticas públicas. É importante que o estudante compreenda que temas de diversas áreas são, em última instância, relevantes porque determinam o modo como vivemos em sociedade e o ENEM espera essa forma de compreensão dos estudantes.”
Para acompanhar as atualidades de forma eficiente, o ideal é desenvolver o hábito de consumir informações de fontes confiáveis e diversificadas. “Não é necessário passar horas por dia lendo notícias. O mais importante é manter uma rotina consistente de acompanhamento dos principais acontecimentos e procurar entender suas causas e consequências”, orienta Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP).
Ele recomenda que os estudantes criem resumos temáticos e estabeleçam conexões entre os fatos e os conteúdos das disciplinas. “Quando o aluno relaciona uma notícia ao que aprende em sala de aula, a compreensão se torna muito mais profunda e duradoura.”
Além disso, o docente do BIS destaca que a construção de repertório sociocultural é fundamental para ampliar a visão de mundo dos estudantes. Segundo ele, ter vivências, participar de projetos sociais, acompanhar palestras, visitar exposições e se envolver em diferentes ações culturais e formativas são práticas que contribuem diretamente para a formação crítica dos alunos. “Essas experiências ajudam a enriquecer argumentos, ampliar referências e estabelecer relações mais consistentes entre os temas da atualidade e os conteúdos escolares”, destaca.
Na hora do exame, a principal recomendação é ler atentamente os textos de apoio e identificar qual habilidade está sendo avaliada. “Muitos candidatos erram uma questão por tentar responder apenas com base em conhecimentos prévios sobre o assunto, sem considerar as informações apresentadas no enunciado”, alerta Paulo Rogério Rodrigues, coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP).
Segundo Rodrigues, um dos principais diferenciais do Enem é justamente a forma como os conteúdos são contextualizados. “As questões exigem interpretação, análise crítica e capacidade de estabelecer relações entre diferentes áreas do conhecimento. Mesmo quando o tema é conhecido, é fundamental observar o recorte proposto pela banca, identificar as evidências presentes nos textos de apoio e eliminar alternativas que apresentem generalizações, preconceitos ou conclusões incompatíveis com as informações fornecidas.”
O docente da Aubrick também destaca que o estudante não precisa ser especialista em todos os acontecimentos recentes. “O mais importante é desenvolver repertório, acompanhar diferentes fontes de informação e compreender como esses acontecimentos dialogam com questões sociais, econômicas, ambientais, políticas e culturais. O Enem costuma privilegiar a capacidade de reflexão muito mais do que a simples memorização de fatos”, diz.
Além das questões objetivas, acompanhar as atualidades também pode fazer diferença no desempenho da redação. “Ter repertório atualizado ajuda o estudante a construir argumentos mais consistentes e demonstrar domínio sobre problemas contemporâneos que afetam a sociedade”, afirma Peter Rifaat, coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville – EIA, de Barueri (SP).
Segundo Rifaat, temas relacionados a tecnologia, saúde, educação, meio ambiente e direitos humanos frequentemente aparecem nos debates públicos e podem servir de referência para diferentes propostas de dissertação. “Quem acompanha as notícias com senso crítico amplia sua capacidade de contextualizar ideias, apresentar exemplos relevantes e propor soluções mais bem fundamentadas.”
Confira alguns temas que podem aparecer na edição de 2026 do Enem
Os educadores da Aubrick, BIS, EIA e Progresso listam, a seguir, quais assuntos podem ser abordados na prova deste ano. A lista foi elaborada com base em acontecimentos ocorridos até o primeiro semestre do ano, período que costuma ser considerado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) na confecção das questões das provas, tradicionalmente aplicadas em novembro de cada ano.
MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE
El Niño confirmado como muito forte em 2026: a confirmação do fenômeno climático intenso do El Niño reacendeu debates sobre eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. O fenômeno impacta a agricultura, o abastecimento de água, a economia e questões sociais como o acesso à moradia segura, por exemplo, além de estar diretamente relacionado às discussões sobre mudanças climáticas.
2025 foi o terceiro ano mais quente da história: o registro de mais um ano entre os mais quentes já medidos reforça os alertas da comunidade científica sobre o aquecimento global. O tema envolve impactos ambientais, sociais e econômicos, além dos desafios para a adaptação das cidades e da produção de alimentos.
Terras raras e a disputa por recursos estratégicos: embora pouco conhecidas pelo público, as chamadas terras raras são minerais essenciais para a fabricação de celulares, baterias, veículos elétricos, painéis solares e equipamentos de alta tecnologia. A crescente demanda por esses recursos tem ampliado a competição entre países pela exploração e controle de reservas, tornando o tema estratégico para debates sobre transição energética, desenvolvimento tecnológico, sustentabilidade e geopolítica.
GEOPOLÍTICA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Política de imigração americana e a atuação do ICE: as medidas de controle migratório adotadas pelos Estados Unidos voltaram ao centro do debate internacional. O assunto permite discutir direitos humanos, deslocamentos populacionais, desigualdades econômicas e os desafios enfrentados por imigrantes em todo o mundo.
Guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel: as tensões entre os países reacenderam preocupações sobre estabilidade geopolítica e segurança internacional. O conflito permite abordar relações diplomáticas, disputas estratégicas e impactos globais na economia e na energia.
Captura de Nicolás Maduro pelos EUA: a influência americana na Venezuela ampliou discussões sobre soberania nacional, diplomacia e relações internacionais. O caso também levanta reflexões sobre democracia, sanções econômicas e geopolítica regional.
Disputa geopolítica entre Estados Unidos e China: rivalidade das nações continua moldando a economia e a política internacional, envolvendo embates comerciais, avanços tecnológicos, influência diplomática e questões de segurança. A competição entre as duas maiores potências do mundo tem impactos diretos sobre mercados, cadeias produtivas e relações entre países, tornando-se um tema relevante para discutir globalização, geopolítica e a reorganização da ordem mundial no século XXI.
Disputas religiosas e conflitos na sociedade contemporânea: as disputas religiosas continuam influenciando conflitos e tensões em diferentes regiões do mundo, seja por divergências históricas, questões territoriais ou disputas de poder político. O tema permite refletir sobre liberdade de crença, intolerância religiosa, diversidade cultural e os desafios da convivência entre diferentes grupos em sociedades cada vez mais plurais e conectadas.
SOCIEDADE, DIREITOS HUMANOS E COMPORTAMENTO
Queda de patrocínio na Parada do Orgulho de SP e agenda anti-woke: o recuo de algumas empresas em ações ligadas à diversidade gerou debates sobre responsabilidade social corporativa e mudanças culturais. O tema dialoga com inclusão, direitos civis, liberdade de expressão e participação das empresas em pautas sociais.
Aumento dos casos de feminicídio e projetos de lei contra a misoginia: o avanço das discussões sobre violência de gênero reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. O tema envolve direitos humanos, igualdade de gênero, segurança pública e educação para o combate à violência.
Novo ECA Digital: as discussões sobre proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual refletem preocupações com privacidade, segurança e uso das redes sociais. O assunto conecta cidadania digital, educação e direitos da infância.
Os impactos das disputas de valores na juventude: pesquisas recentes apontam mudanças no posicionamento político de parte da juventude em diferentes países. O fenômeno abre espaço para discussões sobre comportamento social, formação de valores, participação política e influência das redes sociais.
TRABALHO, ECONOMIA E TECNOLOGIA
Fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil: o debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhou força no País, mobilizando trabalhadores, empresas e a classe política. A discussão envolve qualidade de vida, saúde mental, produtividade e a modificação dos direitos trabalhistas.
Inteligência artificial, profissões e futuro do trabalho: os investimentos em inteligência artificial aceleraram transformações no mercado de trabalho e levantaram questionamentos sobre automação, mão de obra, empregabilidade e substituição de trabalhadores por máquinas. O tema também envolve ética digital, inovação tecnológica, novas formas de trabalho e qualificação profissional.
O primeiro trilionário do mundo: a fortuna sem precedentes do empresário Elon Musk reacendeu debates sobre concentração de riqueza e desigualdade econômica. O tema permite analisar os impactos do capitalismo, das grandes empresas de tecnologia e da distribuição de renda.
Regulação trabalhista e o trabalho por aplicativos: o crescimento das plataformas digitais ampliou o debate sobre direitos e deveres de trabalhadores e empresas. O tema envolve relações de trabalho, proteção social, inovação tecnológica e novas formas de emprego.
CIÊNCIA, SAÚDE E INOVAÇÃO
Vacinação no Brasil, dengue e movimentos antivacina: os desafios enfrentados pelas campanhas de imunização reacenderam debates sobre saúde pública e combate à desinformação. O tema destaca o perigo das fake news, a importância da ciência, das políticas de prevenção e da confiança da população nas vacinas.
A ciência brasileira e a polilaminina: a descoberta da proteína trouxe novos avanços para os estudos sobre regeneração de tecidos e tratamentos de doenças neuromusculares. Os resultados reforçam a importância da pesquisa científica para o desenvolvimento de terapias inovadoras e colocam o Brasil em destaque no cenário internacional. O tema permite discutir investimento em pesquisa, inovação tecnológica e o papel da ciência na melhoria da qualidade de vida da população.
Retorno do homem à Lua: a missão Artemis marca uma nova etapa da exploração espacial e pode levar seres humanos novamente à superfície lunar após mais de meio século. O projeto envolve avanços tecnológicos, cooperação internacional e produção de conhecimento científico.
ESPORTE, CULTURA E GLOBALIZAÇÃO
Copa do Mundo pela primeira vez em três países: a edição de 2026, realizada simultaneamente por Canadá, Estados Unidos e México, é um marco na história da competição. O evento evidencia os processos de globalização, cooperação internacional e os impactos econômicos e culturais do esporte.
Os especialistas
Henrique Barreto Andrade Dias é licenciado em Geografia e Sociologia, possui especialização em projetos para o terceiro setor e pós-graduação em Psicologia Positiva, Neurociência, Mindfulness, Neuropsicopedagogia e Neurociência Aplicada à Aprendizagem. Atua na área da Educação há 18 anos e atualmente é coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School.
João Gabriel Pelegrini é professor e pesquisador na área de Sociologia há mais de uma década é Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (2023); Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (2017) e graduado Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2011). Em sua pesquisa, tem se dedicado aos seguintes temas: o desenvolvimento da teoria social clássica ao ser revisitada por problemas sociológicos contemporâneos; a análise das determinações da desigualdade social e das relações de trabalho, sobretudo no que se refere a introdução das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na mediação de processos de trabalho, as novas formas de gestão e organização do trabalho.
Paulo Rogerio Rodrigues é psicólogo, licenciado em Letras (Português e Inglês) e coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick. Possui ampla trajetória na Educação Básica, com atuação voltada à gestão pedagógica e educacional, da Educação Infantil aos anos finais do Ensino Fundamental II. É pós-graduado com MBA em Gestão Escolar e possui especializações em Educação Antirracista, Bilinguismo e Neuropsicologia, áreas que fundamentam sua prática na formação integral dos estudantes e no desenvolvimento de equipes educacionais.
Peter Rifaat é educador e líder escolar com mais de 20 anos de experiência em educação internacional e bilíngue, com estudos em Ciências Comportamentais, liderança e desenvolvimento humano. É formado em Pedagogia e possui certificações internacionais, incluindo DELTA e CELTA (Universidade de Cambridge), além de diversas certificações do International Baccalaureate (IB). Atua na Escola Internacional de Alphaville como Coordenador Pedagógico do Ensino Médio, Coordenador do Programa do Diploma IB, professor de IBDP Theory of Knowledge (TOK) e membro da equipe de Orientação Universitária e de Carreira (Future Pathways), com foco no desenvolvimento acadêmico, socioemocional e vocacional dos estudantes.
Sobre a ISP – International Schools Partnership
A International Schools Partnership (ISP) é um grupo internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92.500 estudantes em todo o mundo. A ISP apoia e capacita as instituições de ensino, desenvolvendo novos padrões de excelência em educação, para transformar as escolas em referência em suas comunidades locais e no setor educacional global. O aluno da ISP está no centro da jornada de aprendizagem e é preparado para o futuro, tendo acesso a educadores apaixonados e experientes, e ferramentas para que adquira confiança, conhecimento e habilidades; e aprimore seu aprendizado acadêmico, pessoal, social e emocional em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo. Para mais informações, acesse o site.
Contatos para a imprensa – FSB Comunicação
Vagner Lima































