CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

Esportes de alto rendimento podem afetar a fertilidade de atletas

publicidade

Uma das maiores provas de resistência do mundo, o IRONMAN 70.3 acontece no início de agosto no Rio de Janeiro. Saiba como prevenir o impacto dos treinos excessivos na saúde reprodutiva e conciliar o esporte com o sonho da parentalidade. Congelamento de óvulos e sêmen também é alternativa estratégica e segura

Fonte: Freepik

O IRONMAN 70.3, prova de triathlon de longa distância mais famosa do mundo, vai reunir, no dia 9 de agosto, no Rio de Janeiro, milhares de atletas dispostos a superar limites ao encarar 1,9 km de natação, 90,1 km de ciclismo e 21,1 km de corrida. Por trás do preparo físico exigido para encarar as 70,3 milhas de prova, existe um fator biológico que, muitas vezes, passa despercebido pelos triatletas: os impactos da rotina de treinos de alta intensidade na fertilidade.

 

Embora a atividade física moderada seja uma grande aliada da saúde reprodutiva, os chamados “esportes de endurance”, modalidades que exigem esforço físico contínuo por períodos prolongados, como maratona, ciclismo e triathlon, podem alterar temporariamente o sistema hormonal e reprodutivo tanto do corpo masculino quanto feminino.

 

Quando o gasto calórico elevado dos treinos supera a ingestão de nutrientes, atletas podem apresentar uma síndrome conhecida como Deficiência Energética Relativa no Esporte (REDs, sigla em inglês para Relative Energy Deficiency in Sport). Trata-se de um estresse metabólico que leva o corpo a desligar ou desacelerar funções secundárias à sobrevivência a fim de economizar energia para os órgãos vitais. “Nas mulheres, o cérebro deixa de enviar aos ovários os estímulos hormonais necessários para amadurecer e liberar os óvulos. Como resultado, o sistema reprodutivo entra em pausa, interrompendo o ciclo menstrual. Nos homens, por sua vez, a baixa de testosterona desencadeada pela síndrome reduz a contagem e a qualidade dos espermatozoides, além de causar queda da libido”, explica Dr. Paulo Gallo, especialista em reprodução humana da Clínica Vida/Fertgroup.

Leia Também:  PROJETO SOCIAL; Joga Bem MT inicia aulas de futebol para 220 jovens em cinco municípios

 

O esforço físico de alta intensidade também gera estresse oxidativo, ou seja, a liberação de moléculas de radicais livres na corrente sanguínea em quantidade superior à capacidade antioxidante do corpo de neutralizá-las. “Esse desequilíbrio provoca um estado inflamatório geral que acelera o envelhecimento celular e compromete a qualidade tanto dos espermatozoides quanto dos óvulos, diminuindo as chances de fertilização e implantação do embrião no útero”, afirma Gallo.

 

O especialista ressalta que, no esporte de alto rendimento, a fertilidade masculina também pode ser prejudicada por fatores mecânicos que comprometem a contagem, forma e mobilidade dos espermatozoides. “Durante o ciclismo, horas consecutivas no selim geram compressão contínua dos nervos e restrição do fluxo sanguíneo na região perineal, localizada entre os genitais e o ânus. Em maratonas, microtraumas acontecem pelo choque repetitivo dos testículos contra as coxas. Além disso, a fricção eleva a temperatura do escroto acima do nível ideal para a produção de espermatozoides, quadro agravado pelo uso de trajes de compressão ou térmicos”, ressalta.

 

Estratégias de prevenção e preservação da fertilidade

Para atletas que pensam em adiar a maternidade ou paternidade devido a um calendário intenso de competições, a preservação da fertilidade por meio de congelamento de óvulos ou de sêmen surge como uma alternativa estratégica e segura. Além disso, com planejamento e ajustes no estilo de vida, é possível manter tanto o desempenho esportivo quanto a saúde reprodutiva. “Os efeitos dos treinos para provas de resistência sobre a fertilidade costumam ser reversíveis e podem ser evitados com o suporte de uma equipe multidisciplinar”, destaca Gallo.

Leia Também:  SER FAMÍLIA INCLUSIVO; Confira os sorteados para Camarote dos Autistas no jogo entre o Brasil e a Coreia do Sul neste sábado (11)

 

Esse acompanhamento integrado envolve médico do esporte, endocrinologista, ginecologista ou urologista especializado em reprodução assistida, nutricionista esportivo, educador físico e bike fitter (especialista em biomecânica do ciclismo). Veja os principais aspectos que estes profissionais irão avaliar:

  • Nutrição adequada à carga de treino: os atletas precisam ter o gasto energético monitorado para evitar déficit calórico crônico. Também pode ser necessária suplementação de antioxidantes para combater os radicais livres no organismo.
  • Periodização do descanso: o planejamento estratégico dos períodos de recuperação ajuda a controlar os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, que é liberado durante exercício físico intenso. “Se o treino é contínuo e sem descanso adequado, o cortisol permanece cronicamente elevado, o que reduz a produção de hormônios sexuais vitais para a fertilidade”, expõe Gallo. Intercalar dias de repouso total e descanso ativo (como caminhadas leves) controla os níveis de cortisol e restabelece o eixo hormonal.
  • Exames de rotina: o especialista em reprodução assistida vai acompanhar os resultados de dosagens hormonais e ultrassom transvaginal para as mulheres e de espermograma e teste de fragmentação do DNA espermático para os homens. Enquanto os exames femininos avaliam a ovulação, a condição da reserva ovariana e identificam precocemente desbalanços causados pelo desgaste físico, os masculinos checam a qualidade dos espermatozoides e monitoram eventuais danos genéticos provocados pelo aquecimento e pelo estresse oxidativo dos treinos.
  • Ajuste ergonômico da bicicleta: realizada por um profissional especializado, essa adaptação inclui a escolha e inclinação do selim, altura do guidão e distância dos pedais. É essencial para distribuir o peso do atleta sobre a estrutura óssea da bacia e evitar a pressão direta sobre a área perineal, aliviando a compressão dos vasos e nervos e reduzindo o aquecimento excessivo na região genital.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade