Mayara Campos
Assessoria de imprensa
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COMPORTAMENTO
Procura por tratamentos corporais cresce em meio à busca por bem-estar
e aos efeitos do emagrecimento
O mercado de estética ganha espaço no orçamento dos brasileiros e já
não depende apenas de datas ou ocasiões específicas para movimentar a
demanda. O avanço acompanha a expansão do setor de beleza e cuidados
pessoais, que movimentou R$ 175 bilhões em vendas no varejo em 2025 e
representa cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a
Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e
Cosméticos (ABIHPEC).
Em Cuiabá, esse movimento também aparece na rotina das clínicas. Na
Crepaldi, especializada em dermatologia e estética, são atendidos, em
média, 1,6 mil pacientes por mês. Para a dermatologista Natasha
Crepaldi, proprietária da clínica e com 16 anos de atuação na área, a
procura vem se distribuindo ao longo do ano, embora o período que
antecede o verão ainda represente um aumento tradicional na demanda.
“Temos pacientes que aguardam esse período para iniciar um projeto
pensando no verão e no fim do ano, mas, ao mesmo tempo, também temos
um público mais exigente, que conhece as tecnologias disponíveis e,
muitas vezes, já mantém outros cuidados corporais ou faciais no dia a
dia”, afirma a especialista.
Os números do setor reforçam esse cenário. Entre janeiro e agosto de
2026, a quantidade de procedimentos estéticos realizados nas clínicas
monitoradas pela Clinicorp cresceu 27,3% na comparação com o mesmo
período de 2025, enquanto o faturamento bruto gerado por esses
tratamentos avançou 36,6%, segundo levantamento da empresa.
A expansão vem acompanhada de mudanças no perfil do consumidor. A
busca por estética está menos concentrada em procedimentos pontuais e
mais relacionada à manutenção dos resultados e ao cuidado contínuo.
Também cresce o interesse por tratamentos combinados, à medida que os
pacientes chegam aos consultórios mais informados sobre as tecnologias
disponíveis.
Entre as principais demandas estão tratamentos para celulite e
flacidez, definição abdominal, bioestímulo corporal, gordura
localizada, estímulo muscular e remodelação corporal, além de
procedimentos voltados aos glúteos. “Hoje temos um paciente que
pesquisa, conhece as tecnologias e chega sabendo o que procura. Isso
muda também a relação com o profissional, porque é preciso avaliar o
que realmente é indicado para cada caso”, diz a Dra. Natasha.
Outro fator que começa a influenciar a demanda é a popularização de
medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do sobrepeso,
como tirzepatida e semaglutida. A perda significativa de peso pode ser
acompanhada por mudanças no contorno corporal e maior percepção de
flacidez, levando alguns pacientes a procurar tratamentos
complementares.
“Hoje, muitas pacientes conseguem emagrecer com mais facilidade, mas
nem sempre essa perda de peso vem acompanhada do contorno corporal
desejado. Com isso, aumentou a procura por tratamentos para regiões
como glúteos, abdome e braços”, pontua a Dra. Natasha Crepaldi.
Esse novo cenário também muda a forma como os procedimentos são
planejados. Em vez de buscar uma solução isolada para uma ocasião
específica, parte dos pacientes passa a adotar estratégias de cuidado
que combinam diferentes recursos e são acompanhadas ao longo do tempo.
Alimentação e atividade física também entram nessa equação.
Para Natasha, o avanço do mercado exige, ao mesmo tempo, mais critério
na indicação. O maior acesso à informação e a rápida oferta de novas
tecnologias ampliaram as possibilidades, mas também aumentaram a
expectativa dos pacientes por resultados rápidos. “É importante
entender que nem sempre um único tratamento será suficiente. A
indicação precisa respeitar as necessidades de cada paciente e
trabalhar com expectativas reais sobre o que pode ser alcançado”,
completa.
A expansão da oferta, na avaliação da dermatologista, reforça a
importância da avaliação individual e do acompanhamento profissional.
Para ela, o crescimento do mercado não deve ser acompanhado apenas
pela quantidade de novos procedimentos, mas também pela qualidade das
indicações. “A estética precisa estar acompanhada de uma indicação
responsável. Mais do que seguir uma tendência, é preciso avaliar cada
paciente e entender quais tratamentos realmente fazem sentido para
ela”, conclui a médica.































