Especialista explica como escolher o modelo adequado e quais cuidados são necessários para manter a saúde dos olhos durante atividades físicas
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Para jovens e jovens adultos que precisam de correção visual, as lentes de contato podem representar mais liberdade e praticidade, especialmente em uma rotina marcada pela prática de esportes e atividades físicas. Ao contrário dos óculos, elas acompanham os movimentos do corpo e oferecem uma visão mais ampla, mas o uso seguro depende de cuidados que vão da higiene à escolha adequada do modelo. Esses cuidados são o foco do Setembro Safira, campanha nacional de conscientização criada para educar a população sobre o uso correto, seguro e saudável das lentes de contato.
A Dra. Michelle Farah, oftalmologista do H.Olhos, explica que as lentes de contato podem trazer vantagens importantes para quem pratica esportes. “Elas oferecem maior liberdade de movimento e um campo de visão mais amplo, já que não há armação limitando a visão periférica. Também não escorregam, não ficam embaçadas com o suor e reduzem o risco de quebra ou deslocamento dos óculos durante a atividade”, afirma.
A médica destaca ainda que essa alternativa proporciona uma experiência visual mais natural, característica especialmente relevante em modalidades que exigem velocidade, coordenação e percepção do que acontece ao redor. “Praticamente qualquer esporte pode se beneficiar, principalmente aqueles com muito movimento, deslocamento e necessidade de visão periférica. Corrida, ciclismo, futebol, tênis, beach tennis, vôlei e academia são alguns exemplos”, pontua.
Nos esportes coletivos e nas modalidades com raquete, enxergar adequadamente toda a área ao redor pode fazer diferença durante a atividade. No entanto, a definição da lente não deve considerar apenas a prática esportiva. “A escolha precisa levar em conta o grau, o formato da córnea, a qualidade da lágrima e o tempo de uso”, ressalta a Dra. Michelle.
A higiene é outro ponto fundamental para quem inclui as lentes na rotina de exercícios. Antes de colocá-las ou retirá-las, as mãos devem estar limpas e secas. Durante a atividade, a recomendação é evitar tocar ou esfregar os olhos, principalmente quando há suor nas mãos.
“Quem apresenta tendência ao ressecamento pode precisar de lubrificação com lágrimas artificiais compatíveis com o uso de lentes. Depois da atividade, elas devem ser retiradas conforme a orientação do oftalmologista e o tempo de uso recomendado nunca deve ser ultrapassado”, orienta.
O cuidado precisa ser ainda maior nas atividades aquáticas. Segundo a especialista, nadar com lentes de contato não é recomendado, independentemente de a prática acontecer em piscina, mar, rio ou lago. “A água pode conter microrganismos que, em contato com a lente, aumentam o risco de infecções da córnea, algumas potencialmente graves. Além disso, contaminantes podem permanecer em contato com a superfície ocular por mais tempo”, alerta.
Em regiões litorâneas, os cuidados também merecem atenção especial. A exposição à maresia, ao vento, ao sol e à areia pode favorecer o ressecamento e a irritação dos olhos, aumentando o desconforto durante o uso das lentes de contato. “Em ambientes litorâneos, é importante ter atenção redobrada, principalmente em dias de vento, quando areia e outras partículas podem entrar em contato com os olhos. Manter as mãos limpas e secas, evitar tocar ou esfregar os olhos e utilizar lubrificantes compatíveis com as lentes, quando indicados pelo oftalmologista, são medidas que ajudam a preservar o conforto e a saúde ocular”, pontua.
Para quem necessita de correção visual durante a natação, uma alternativa é buscar orientação médica sobre o uso de óculos de natação com grau. Em caso de contato acidental da lente com a água, a conduta também deve ser definida pelo profissional responsável pelo acompanhamento.
Entre os jovens, um dos problemas mais frequentes é tratar a lente de contato como se pudesse ser utilizada sem uma rotina adequada de cuidados. “Os erros mais comuns são ultrapassar o período recomendado de uso, dormir com as lentes, não higienizar adequadamente as mãos e não respeitar a troca das lentes”, afirma.
Em alguns casos, especialmente para pessoas com uma rotina esportiva intensa, as lentes de descarte diário podem ser uma opção interessante. “Elas podem oferecer praticidade e reduzir algumas etapas de manutenção, mas isso precisa ser avaliado individualmente”, esclarece.
Dor, vermelhidão importante, sensibilidade à luz ou redução da visão são sinais que exigem avaliação oftalmológica. “Em um usuário de lente de contato, esses sintomas precisam ser investigados”, reforça a especialista.
Hábitos aparentemente simples também podem aumentar o risco de complicações. Dormir com as lentes pode reduzir a oxigenação da córnea e favorecer inflamações e infecções. Já compartilhar lentes com outras pessoas é uma prática que não deve acontecer. “O compartilhamento pode favorecer a transmissão de microrganismos e causar lesões oculares”, explica.
Para evitar riscos, a escolha da lente deve ser individualizada e acompanhada por um oftalmologista. Não existe um único modelo adequado para todos os pacientes, já que características como grau, anatomia e saúde da córnea, qualidade da lágrima, rotina, esporte praticado e tempo de uso precisam ser considerados.
O acompanhamento periódico também é essencial porque a lente de contato é utilizada diretamente sobre a córnea. “Mesmo quando o paciente está enxergando bem e não sente desconforto, podem existir alterações que precisam ser identificadas no exame. Lente de contato bem adaptada é aquela que corrige a visão sem deixar de respeitar a saúde ocular. Para um público jovem e ativo, essa combinação de liberdade, praticidade e segurança é o principal objetivo”, finaliza a Dra. Michelle Farah.
































