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Estudo aponta que homem precisa cuidar mais dos órgãos sexuais

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SAÚDE SEXUAL E DIA DO SEXO

Em Mato Grosso, câncer de pênis causou 39 mortes e 45 amputações. Educação sexual ainda é polêmica e tabu

ALECY ALVES
Da Reportagem
Divulgação
Descuido com a higiene do pênis é uma das principais causas da doença, segundo o urologista Fernando Leão, membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)

Culturalmente, os homens não costumam crescer recebendo educação sobre a saúde sexual.

Não há uma rotina de orientação e cuidados com a higiene e a prevenção de doenças relacionadas aos órgãos do sistema reprodutor masculino – próstata, testículos e pênis.

Em família e nas escolas, a educação sexual, tanto masculina quanto feminina, permanece envolta de discussões polêmicas e tabus.

As mulheres, porém, ainda na adolescência, a partir da primeira menstruação, começam a consultar o ginecologista.

Com os homens, isso não acontece com tamanha frequência.

Além de não falar sobre o tema, eles demoram a buscar ajuda na medicina, mesmo após sintomas de doenças.

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em 2021, apontou que 47% dos homens não têm costume de cuidar da saúde.

SAÚDE SEXUAL – Em setembro, conforme o calendário popular, se celebra o mês da Saúde Sexual e do Sexo, datas estabelecidas nos dias 4 e 6, respectivamente.

Essas duas datas foram criadas como forma de estimular debates e reflexões visando mudanças comportamentais.

E, também, com a finalidade de difundir informações.

No caso dos homens, as estatísticas apontam para uma necessidade urgente da quebra de tabus e de mudanças comportamentais, para o bem da saúde geral do homem.

Mato Grosso, conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), órgão do Governo Federal, terá, em 2026, 970 casos novos registros de câncer de próstata.

No país, devem ser contabilizados 77,9 mil novos diagnósticos da mesma doença.

No Brasil, 42 homens morrem de câncer de próstata, a cada 24 horas.

Essa doença, além de ser prevenida, quando diagnosticada precocemente, têm um dos maiores percentuais de cura, entre todos os tipos de cânceres, de 90% a 98%.

O câncer de próstata é o mais incidente, só perde para o de pele.

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Estudos também mostram que, após os 50 anos, um em cada seis homens receberá diagnóstico desse tipo de câncer.

O Brasil também é um dos países com maior incidência de câncer de pênis, de acordo com o Ministério da Saúde.

Entre 2021 e 2025, segundo o Ministério, o SUS fez quase 3 mil cirurgias de amputação de pênis, por causa do câncer.

Desse total, 45 ocorreram em Mato Grosso.

O procedimento tornou-se o único meio de preservação da vida dos pacientes, em consequência da demora na busca do diagnóstico.

O câncer peniano também foi a causa da morte de cerca de 2,3 mil brasileiros, nesse mesmo período. Dessas, 39 foram em Mato Grosso.

Pesquisas apontam que o descuido com a higiene do pênis é uma das principais causas da doença, de acordo com o urologista Fernando Leão, membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Recentemente, a clínica de Fernando Leão, a Oncomed, em Cuiabá, fez uma campanha de prevenção ao câncer, para chamar a atenção do público masculino.

Trouxe como slogan um questionamento incomum: “Já levou seus testículos ao médico?”

No caso do câncer peniano, ele diz, sugestivamente, que poderia ser uma campanha de alerta do tipo: “Higiene também previne câncer”.

“Na infância, uma grande parcela de pais e mães não ensina seus filhos a fazer a higiene do órgão”, lamenta o especialista.

“Quando chega na adolescência, a situação piora”, observa Fernando Leão.

Isso faz com que os meninos não adquiram o hábito de fazer a higiene correta.

E, também, que não aprendam a se prevenir contra o HPV com a vacinação.

“O vírus do HPV previne não só câncer de útero, mas também de pênis”, alerta Leão.

Essa falta de informação faz, ainda, com que cresçam em uma cultura que normaliza o não gostar de usar preservativo.

“Os cuidados começam em casa, com o bebê. Levar o menino ao médico é ensiná-lo a crescer aprendendo sobre o desenvolvimento do próprio corpo”, ensina.

“É ajudá-lo a chegar na idade adulta com consciência sobre cuidados com a saúde”, reforça Fernando Leão.

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Ao contrário disso, o menino cresce com uma visão de invulnerabilidade, resistindo e negligenciando os cuidados com a saúde e resistindo à necessidade de buscar na medicina meios de prevenção.

Entre a população masculina adulta, conforme Leão, estudos apontam que 44% nunca foram ao urologista.

O médico conta que recebeu um paciente que, logo que entrou no consultório, disparou: “Estou aqui porque me disseram que o senhor é o médico dos homens”.

Não faz tempo, atendeu uma mãe que trazia o filho adolescente, um rapaz que acabou recebendo o diagnóstico de câncer de testículo.

“Nem sabia que testículo e pênis poderiam desenvolver câncer”, reagiu a mãe, ao ouvir a informação de que o filho estava com a doença”, recorda o médico.

Leão esclarece que a Urologia é uma especialidade médica ampla, que também trata da prevenção de doenças comuns a homens e mulheres, em órgãos como rins, bexiga e vesícula.

Apesar do que ainda ouve no consultório, o especialista afirma que há uma mudança cultural em curso.

“Está mudando. Estamos vivendo um momento de mudanças. Cada dia, aumenta o número de homens que buscam atenção em saúde mais cedo”, garante ele.

CASO – Aos 64 anos, em 2024, o motorista cuiabano J. L. recebeu o diagnóstico de câncer de próstata.

No final do ano passado, foi a vez do irmão, cinco anos mais novo, ter o mesmo diagnóstico.

“Foi como se o chão tivesse aberto aos meus pés. Fiquei apavorado, certo de que era o fim”, conta J.

“Estava em um estágio um pouco avançado. Passei por radioterapia e uma série de outros tratamentos. Não fiz cirurgia, mas hoje estou bem, fazendo acompanhamento a cada seis meses”, diz.

“Os médicos dizem que estou curado, mas acho que nunca temos essa certeza, não é mesmo? Só não estou mais com tanto medo, como fiquei ao receber a confirmação da doença”, diz ele.

Com o irmão de J. L., o diagnóstico ocorreu na fase inicial.

Ele ainda está em tratamento e, assim como o irmão mais velho, com grandes chances de cura.

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