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Festa do Padroeiro em Santiago de Chiquitos: Fé, Tradição e Identidade Ancestral

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Santiago de Chiquitos, uma pequena e histórica cidade localizada no município de Roboré, província de Chiquitos, no departamento de Santa Cruz, Bolívia, celebra com grande devoção e riqueza cultural a festa de seu padroeiro, São Tiago, no dia 25 de julho. Fundada em 1754 pelos missionários jesuítas Gaspar Troncoso e Gaspar Campos, a antiga missão jesuítica conserva tradições que remontam há mais de dois séculos, firmando-se como um dos bastiões da cultura chiquitana.

Com uma população de aproximadamente 1.927 habitantes (Censo 2012), a cidade está situada dentro da Reserva Municipal do Vale de Tucavaca, a 467 km de Santa Cruz de la Sierra, a 22 km de Roboré e a cerca de 230 km da fronteira com o Brasil, em Arroyo Concepción. O entorno natural exuberante se soma ao valor histórico do local, considerado parte do circuito das Missões Jesuíticas dos Chiquitos – declaradas Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

A festa do padroeiro, São Tiago Maior, reverenciado também como protetor dos cavaleiros, peregrinos e exércitos ibéricos, é um dos eventos mais importantes da região. A celebração tem seu ponto alto no dia 25 de julho, com procissões, danças típicas, apresentações de música folclórica e uma grande quermesse na praça central, em frente à igreja da missão. A cidade se enche de visitantes e fiéis que participam ativamente das festividades que duram o dia inteiro e avançam noite adentro.

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As comemorações, no entanto, começam dias antes. A partir de 16 de julho tem início o ritual conhecido como “Marcha de los Abuelos”. Nesse evento, figuras mascaradas percorrem as ruas e visitam as casas da comunidade, abençoando os moradores. Os “abuelos” representam os ancestrais dos povos originários da região e carregam um simbolismo profundo: suas máscaras remetem à época colonial, quando os indígenas usavam esse recurso para satirizar os colonizadores espanhóis e ocultar sua identidade. A máscara, de forte carga simbólica, representa o rosto de Jesus coberto após a crucificação; o manto evoca o véu de Nossa Senhora; os acessórios usados nos joelhos remetem às zombarias e ofensas dirigidas a Cristo.

Mais que uma celebração religiosa, a festa do padroeiro em Santiago de Chiquitos é uma expressão viva da resistência cultural, da espiritualidade sincrética e da memória coletiva de um povo que preserva com orgulho suas raízes indígenas e missioneiras.

Salim Haqzan
Ator e roteirista pantaneiro.

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