‘FOUR DEE JAYS RETRÔ’
Quatro DJs que tiveram papel essencial na construção de diferentes capítulos da vida noturna de Cuiabá estarão juntos, pela primeira vez, em uma mesma festa. Dj Ricardo Martinelli, Dj Roberto, Dj Vasco Neves e Dj Dudu comandam, no dia 10 de outubro, o Four Dee Jays Retrô, na Luzzem Shows e Eventos. A proposta é transformar décadas de histórias, pistas de dança e casas noturnas em uma noite dedicada aos sucessos dos anos 70, 80, 90 e 2000.
Mais do que um flashback musical, o evento pretende reunir públicos que acompanharam diferentes momentos da noite cuiabana. Cada DJ terá seu próprio set e levará para a pista referências das épocas e dos espaços em que construiu sua trajetória.
Idealizador da reunião de gigantes, DJ Ricardo Martinelli destaca justamente o caráter inédito do encontro.
“É uma festa de flashback, com quatro lendas de Cuiabá, que nunca tocaram juntas. Cada um tem uma trajetória diferente aqui. Resolvemos reunir os quatro para fazer, numa noite só, uma noite de flashback, para relembrar as casas noturnas de Cuiabá que passaram, que tiveram sua época. A minha, como foi a Yes Bananas, foram 12 anos. A do Vasco, que foi a Overnight. Tem a do Dudu. Tem a do Roberto, que tocou muitos anos no Dom Bosco e em várias outras casas noturnas”, explica o DJ.
A ligação de Martinelli com a música começou antes mesmo das grandes pistas. Ele lembra do projeto Ponto de Encontro, realizado em praças de bairros, e depois de sua passagem pelo rádio.
Entre os capítulos que se destacam, está a atuação durante a Copa do Mundo de 2014.
“Eu fui um DJ que tocou muitos anos numa rádio muito conceituada em Cuiabá, chamada Rádio Cidade. Eu tinha um programa chamado Só Se For Dance, era um programa de dance music. Fui o primeiro DJ do Centro-Oeste a tocar na Copa do Mundo, contratado pela FIFA, em 2014. Toquei numa das melhores casas noturnas de Cuiabá, chamada Yes Bananas. Ficamos 12 anos nessa casa. Toquei também na Lotus, no Zagaia, na Sala Dance e continuei tocando à noite”, relembra.
Martinelli explica que a seleção musical da festa será como uma viagem pelas pistas que marcaram as noites cuiabanas.
“Nós resolvemos fazer essa festa para encontrar todas essas gerações nossas, para reunir as casas noturnas em que a gente já tocou e mostrar o som que aquela galera, na época, ia lá para curtir na noite cuiabana. Vai ser uma noite só, com um set de cada um dos DJs”, comenta.
Roberto e as pistas desde os anos 1980
Com trajetória profissional iniciada no fim da década de 1980, DJ Roberto passou por casas que fizeram parte da cena noturna da capital. A primeira residência foi no Clube Dom Bosco.
“Eu tenho 35 anos de carreira profissional. Conto como profissional a partir do momento em que comecei a tocar numa casa noturna, de fato, fixa. Comecei no Clube Dom Bosco em 1988. Por cinco anos toquei no Clube Dom Bosco. De lá fui para um projeto com Jorge Baranjá, que abriu a Alamujê e, na sequência, a Acrópolis. Nesse período trabalhei mais uns cinco anos com ele, juntando as duas casas.”
Além das residências, Roberto fez participações em diferentes boates e danceterias e levou a música eletrônica também para as ondas do rádio.
“Nessas três casas eu fui fixo, residente. Fora isso, trabalhei em várias casas, toquei na Bananas como participação. Os DJs, naquela época, faziam muitas participações. Além disso, programas de rádio. Fui à Band FM, no Giro 95, Festa da Cidade, na Rádio Cidade, participação no programa que o Ricardinho comandava. Hoje faço programa aqui no Grupo Gazeta, que é o Beat Acelerado. Já tem três anos que assumi o comando. Essa é a minha história como DJ”, conta.
Vasco Neves e as primeiras décadas
Entre os quatro nomes do projeto, Vasco Neves leva para o encontro uma memória que remonta ao fim dos anos 1960 e início dos anos 1970. Ao longo da trajetória, afirma ter passado por cerca de 15 ou 16 espaços da noite cuiabana.
O DJ também relembra uma experiência pioneira no rádio local, quando utilizava a programação para apresentar ao público músicas que depois chegariam às pistas.
“Eu comecei no final dos anos 60 para o início dos anos 70. Só de casas noturnas aqui em Cuiabá, acho que umas 15, 16 eu passei por elas. Quem fez o primeiro programa na Rádio Cuiabá FM com música de boate fui eu. Eram as músicas que eu ia buscar, colocava na rádio para o pessoal conhecer e o pessoal ia lá para a boate”, rememora o pioneiro das pistas.
Hoje afastado da rotina intensa das casas noturnas, Vasco vê no encontro uma oportunidade especial de retornar ao lado de antigos companheiros.
“Agora estou quieto lá em casa, aposentado. Estava conversando: se chamar para fazer alguma coisa, faço. Isso aqui está sendo uma coisa fantástica”, comemora.
Dudu mantém ligação com os eventos
DJ Dudu, por sua vez, começou a trajetória por volta de 1985 e 1986, com passagens por espaços como Cosa Nostra e Ópera Light. Embora tenha deixado a rotina das boates, permaneceu profissionalmente ligado à música por meio de festas particulares e eventos corporativos.
“Eu tenho uns 40 anos, mais ou menos. Comecei em 85 ou 86, em boate, na Cosa Nostra e Ópera Light. Hoje em dia faço casamentos e eventos corporativos. Continuo na área, não como boate, mas com eventos sociais.”
Para Dudu, a amizade entre os quatro foi determinante para aceitar voltar a uma proposta voltada à pista.
“É a primeira vez que estou fazendo uma festa assim. Por causa deles é que eu vou fazer. Porque, se fossem outros, provavelmente eu não faria. Esse é o objetivo da festa: reunir amigos. Uma reunião de amigos para tocar a música que a gente gosta, da época, que foi uma época muito boa aqui em Cuiabá. A gente convida as pessoas para participar de um dia especial com a gente.”
Décadas depois das primeiras noites atrás das cabines, os quatro continuam ligados à música, ainda que em ritmos e formatos diferentes. No Four Dee Jays Retrô, essas trajetórias voltam a se cruzar diante do público que viveu aquelas pistas.
E também de novas gerações interessadas em conhecer parte da memória musical de Cuiabá.
Ingressos à venda pelo site





























