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GUERRA COMERCIAL Governo Trump cita Pix e etanol e estudam sobretaxa de 25% a produtos brasileiros

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Governo americano aponta supostas práticas comerciais desleais e abre consulta pública antes de decidir eventual retaliação contra exportações do Brasil

Everson Teodoro

O governo dos Estados Unidos concluiu nesta segunda-feira (2) a investigação comercial aberta contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e afirmou que determinadas práticas adotadas pelo governo brasileiro são consideradas “irracionais” e prejudicam empresas americanas. Como resultado, a administração do presidente Donald Trump passou a avaliar a aplicação de tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.

Apesar da conclusão da investigação, nenhuma sanção foi implementada até o momento. O governo americano abriu uma fase de consulta pública que seguirá até 1º de julho e prevê a realização de uma audiência pública em 6 de julho para discutir eventuais medidas.

O procedimento foi conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável por investigar práticas consideradas discriminatórias ou prejudiciais aos interesses econômicos norte-americanos.

Segundo o relatório divulgado pelas autoridades americanas, as preocupações envolvem áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais consideradas injustas, políticas de combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado brasileiro de etanol e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.

Tarifa ainda não foi definida

Embora o documento apresente a possibilidade de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, a medida ainda depende de novas etapas administrativas e de negociações diplomáticas entre os dois países.

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O representante-geral de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que o governo americano mantém diálogo com Brasília e pretende continuar as conversas antes de tomar qualquer decisão definitiva.

egundo ele, as negociações entre os governos de Donald Trump e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se intensificaram nas últimas semanas.

“Tivemos reuniões construtivas que se intensificaram nas últimas semanas e esperamos continuar esse diálogo com o governo brasileiro até 15 de julho”, declarou Greer.

Apesar disso, o representante comercial afirmou que permanecem divergências importantes entre os dois países.

“No entanto, continuamos enfrentando divergências significativas na resolução das questões identificadas nesta investigação”, acrescentou.

Pix volta ao centro da disputa

Entre os pontos que chamaram atenção durante a investigação está o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos Pix.

Embora o relatório não tenha direcionado críticas exclusivamente à ferramenta desenvolvida pelo Banco Central do Brasil, os serviços de pagamentos eletrônicos aparecem entre os temas analisados pelo governo americano.

O Pix já havia sido citado anteriormente durante tensões comerciais envolvendo Brasil e Estados Unidos, especialmente em discussões relacionadas à competitividade dos serviços financeiros digitais.

Nos bastidores, autoridades brasileiras avaliam que o sistema vem sendo observado por setores econômicos americanos devido ao seu sucesso e rápida expansão no mercado nacional.

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Investigação começou em 2025

A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um dos principais instrumentos utilizados pelos Estados Unidos para contestar práticas comerciais adotadas por outros países.

A legislação permite que Washington investigue medidas consideradas injustas, discriminatórias ou que imponham barreiras ao comércio americano.

Ao final da apuração, o governo dos Estados Unidos pode adotar diversas medidas, incluindo aumento de tarifas de importação, restrições comerciais e outras formas de retaliação econômica.

Setores podem ser afetados

Caso a sobretaxa de 25% seja efetivamente implementada, diversos setores exportadores brasileiros poderão ser impactados.

Os Estados Unidos figuram entre os principais destinos das exportações brasileiras, absorvendo produtos industriais, agrícolas, siderúrgicos e manufaturados.

Analistas avaliam que a medida pode elevar custos para exportadores brasileiros, reduzir a competitividade de produtos nacionais no mercado americano e ampliar as tensões comerciais entre os dois países.

Por outro lado, a abertura da fase de consultas e a continuidade das negociações indicam que ainda há espaço para um acordo diplomático antes da adoção de qualquer sanção.

O governo brasileiro ainda não anunciou medidas de retaliação e acompanha as discussões conduzidas pelo USTR, enquanto tenta evitar o agravamento da disputa comercial com Washington.

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