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INVENTÁRIO DOS MALES QUE AFLIGEM A FAUNA DO PANTANAL

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A anta vai mancando agoniada, tem enfrentado muitas forças antagônicas. O jacaré quebrou um dente, mordeu o que não devia. A seriema tá perneta, pulou a cerca errada. A sucuri tá esfolada, bobeou e entrou pelo cano. O calango pranchado no asfalto, atravessou a estrada sem olhar. A marreca não consegue voar, arriou as penas numa momento de lascívia desenfreada. O bugio só consegue apitar, pegou friagem e deu laringite. O pintado desbotou, a tinta era Xadrez. O tamanduá tem dor de dente, pesquisador inventa de tudo. O ouriço está careca, ficou sem gardenal e pensa que é um aadvark. O tucano tá sem bico, meteu o bico em assunto alheio. O maçarico só anda em círculo, perdeu o mapa da rota migratória. A capivara está com bruxismo, se meteu com feitiçaria. A ariranha tá cegueta, foi pescar na gravanha sem EPI. A jataí já tá pra lá, lá tá melhor que aí. O mão pelada sente dores, achou que devia pôr a mão no fogo. O cágado tá na rua, não pagou a prestação do casco. O tuiuiú não bota ovo, constipação porque se entupiu de cascudo. O queixada não consegue comer, deu com a língua nos dentes. A caninana anda tonta, atacou labirintite. O gavião pato, o besouro rinoceronte, o gavião pernilongo, o marimbondo tatu, o porco espinho, a marreca toicinho, a cobra cigarra, o polícia inglesa, o sapo boi, a formiga leão e a aranha lobo fazem terapia, sofrendo grave crise de identidade. O tatu bola tá tristonho, hérnia de disco que dói demais. O caxinguelê tá com maleita, é só vertigem por medo de altura. A arraia passou voando, comeu cogumelo e pensa que é borboleta. A arara azul tá vermelha, já foi num brechó avícola. A ema botou ovo quadrado, a harmonização não ficou boa. O tatu canastra ri e bate palmas quando caga, é só pra aparecer na mídia. O biguá ficou pixaim, é a decoada que tá forte. O urutau perdeu um olho, foi um pica-pau que confundiu. A anhuma não quer voar, é unha encravada. A curicaca tá com bico curvado para cima, se entregou à alta gastronomia. O curimpampã tá duro, é torcicolo. O urubu rei está deprimido, foi xeque-mate. A onça parda apareceu listrada, deu zebra na harmonização. A pirambóia tá com pereba, deve ser pelo encravado. A onça pintada anda mau humorada, sofre crise de legitimidade. A paca não desenvolve, está empacada desde o início. O furão se sente rejeitado, ninguém conta mais com ele pra nada. O falcão relógio está sempre atrasado. O morcego tem insônia, sofre de refluxo. O sapo da beira da lagoa está com chulé, não lava o pé porque não quer. O joão de barro foi multado, não tinha registro no CREA. O abotoado anda quase pelado, não há botão que chegue. O beija flor está com depressão, se envolveu com uma flor que não se cheira. O cachorro vinagre está revoltado, andam chamando seus filhotes de pickles. Os trinta réis estão sumindo, a inflação está galopante. O joão pinto teve um derrame, não precisava tomar a pílula azulzinha. O papagaio está afônico, precisa fazer curso de libras. O vagalume fez um implante, bateria de lítio e luz de LED. O socó dorminhoco tem situação crítica, sofre de catalepsia. O alma de gato está em estado de choque, viu uma assombração. O gato mourisco está possuído, comeu um alma de gato. O bico de prata, o bico de agulha, o bico de lacre, o bicudo e o bico de brasa não se bicam. O papa vento está esquelético, sofre de anorexia. O martim pescador e a águia pescadora são contra o pesque-e-solte. O gavião tesoura, o macaco prego, o gavião peneira e o campainha azul se recusaram a ser tratados como objetos. A jiboia salamanta está toda torta, combina lordose, cifose e escoliose.

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Armando Lacerda

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