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Registros no Pantanal de ariranhas com problemas nos olhos geram preocupação entre pesquisadores

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Fotos: Soresini et al, Frontiers in Mammal Science, 2026

Em 2019, durante estudos com ariranhas (Pteronura brasiliensis) na região do Passo do Lontra, pesquisadores brasileiros começaram a avistar indivíduos ocupando lagos artificiais, na verdade, caixas criadas para realocação de sedimentos durante a construção da Estrada Parque do Pantanal.

“Com as enchentes, essas “caixas” enchiam de água e viravam lagos, que as ariranhas passaram a usar. Alguns grupos avistados nesses lagos apresentavam condições corporais bem comprometidas, nos alertando de que esses ambientes não eram adequados para a espécie”, conta Caroline Leuchtenberger, presidente do Projeto Ariranhas, e coordenadora da espécie no Grupo de Especialistas em Lontras da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Com o passar do tempo, tanto nesses locais como em outras áreas ao longo dos rios Miranda, Negro, Cuiabá e Mutum, também foram observadas ariranhas com problemas oftalmológicos, como opacidade ocular, blefarite (inflamação das córneas) e possíveis casos de cegueira.

“O que nos intrigou na maioria dos avistamentos foram as mucosas da região ocular bem atípicas, sugerindo lesões que pudessem comprometer até a visão. Em outras situações, alguns indivíduos também apresentavam comportamentos sinalizando um possível quadro de comprometimento neurológico“, descreve Caroline, que também é uma das coautoras de um relato científico sobre os casos, publicado em novembro de 2025, na revista internacional Frontiers in Mammal Science.

Saúde das ariranhas em risco

Ao longo de dez anos, entre 2009 e 2019, os pesquisadores registraram – em fotos e vídeos – doze ariranhas adultas com problemas oculares. Embora o número não pareça alto, ele gera preocupação (veja imagens mais abaixo).

“A espécie é social, e interações entre grupos podem resultar em lesões graves, inclusive levando à morte de indivíduos. No entanto, as lesões observadas neste estudo sugerem a possível ocorrência de enfermidades infecciosas, potencialmente zoonóticas, como toxoplasmose, cinomose e infecções por adenovírus, já descritas em outras espécies de lontras e mustelídeos”, explica a especialista.

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Ela destaca ainda que estudos de saúde em ariranhas de vida livre são muito raros, especialmente porque a técnica de captura não é muito eficiente, limitando a coleta de amostras biológicas de qualidade.

Mas o que as imagens apontam é que esses animais podem estar sendo afetados por uma série de fatores. Além das doenças citadas mais acima, a suspeita é de possível contaminação ambiental (pesticidas, mercúrio, poluição), ou ainda, interação com animais domésticos.

O temor é que esses problemas possam se somar a outras ameaças já enfrentadas pelas ariranhas, a maior dentre as 14 espécies de lontras no mundo, e endêmica da América do Sul.

Originalmente encontrada em onze países, ela foi extinta no Uruguai, e é classificada como criticamente ameaçada na Argentina, Paraguai e Equador, e em perigo de extinção em todas as suas demais áreas de ocorrência. A espécie perdeu 40% da sua área original de existência.

No início deste ano, a ariranha foi incluída na lista das espécies ameaçadas de extinção da Convenção Internacional Espécies Migratórias (saiba mais aqui).

 

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