Invasora, leucena cresce rápido, sufoca outras plantas e prejudica a regeneração da mata nativa
Por Kamila Alcântara e Clara Farias
Leucenas foram cortadas, enquanto uma espécie nativa de vereda resiste em área que ficou tomada pelas invasoras (Foto: Juliano Almeida)
Para eliminar as leucenas e recuperar as áreas degradadas pela espécie invasora, a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) de Campo Grande iniciou o trabalho de corte das árvores às margens do córrego Bandeira.
Conforme a nota técnica enviada ao Campo Grande News, desde a semana passada equipes atuam na área de preservação na região da Praça do Preto Velho. Após a remoção das leucenas, será feito o plantio de árvores nativas, com mudas produzidas no viveiro municipal.
“Todo o trabalho foi feito com planejamento e uso de equipamentos como Vant e imagens de satélite. Considerando-se a área total estimada, para a implantação de um plantio de mudas de espécies nativas, será necessária uma quantia de aproximadamente 263 mudas”, explica a pasta.
Na área da Rua Portuguesa com a Avenida Fábio Zahran, o plantio de espécies nativas não seguirá um padrão em linhas devido às condições do terreno, que é irregular, com trechos íngremes, desníveis acentuados, presença de rochas e árvores nativas já existentes. Por isso, a recomposição vegetal será feita de forma adaptada, com maior concentração de mudas em alguns pontos e espaçamento maior em outros.
Marcos Ortiz, de 54 anos, acompanha o processo de corte das leucenas em frente a sua casa (Foto: Juliano Almeida)
O morador Marcos Ortiz, de 54 anos, mora em frente a área que as equipes estão fazendo a retirada das leucenas. Ele gostou da iniciativa, pois a planta costuma se propagar rapidamente e se torna “mata fechada”, servindo de abrigo para usuários de drogas.
“A equipe da prefeitura esteve aqui ontem o dia todo e hoje de manhã cortando as árvores. Eu achei muito bom, porque essa parte estava muito fechada. A gente olhava e não conseguia ver o outro lado da rua. Estava juntando andarilhos e usuários de drogas. A gente que mora aqui estava até com medo”, disse.
Uma estudante de 27 anos, que preferiu não se identificar, lamentou a perda da sombra, que tornava o trânsito de bicicleta pela ciclovia mais fresco. “Eu passo diariamente aqui de bicicleta, indo para o estágio. Eles cortaram e acabaram com a sombra. Agora que entendo que eram espécies invasoras, posso mudar de opinião, mas faz falta”, opinou.
Mas esse trabalho não se restringe ao parque linear do Preto Velho, o controle da vegetação invasora, a condução da regeneração natural e a manutenção do isolamento da área será executado em 12 pontos da cidade, totalizando mais de 15 hectares.
Retrato da degradação de uma área que estava repleta de leucenas; agora recém cortadas (Foto: Juliano Almeida)
“São áreas com características distintas entre si, demandando para cada uma determinada série de atividades, dependendo da situação, localização e motivação. Em sua maior parte, são áreas que sofreram alguma intervenção decorrente da execução de obras públicas, principalmente quando próximas a corpos hídricos que passam pela cidade”, esclarece a nota técnica.
Erradicação das leucenas – Esse trabalho segue proposta de lei 11615/2025, em tramitação na Câmara Municipal, que trata da erradicação da espécie em Campo Grande. A mesma iniciativa está em análise na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), pelo Projeto de Lei 33/2025. A proposta institui o “programa estadual de controle e combate à espécie exótica Leucaena Leucocephala no bioma do Pantanal e áreas de beira de córregos e dá outras providências”.
A Sisep termina a nota dizendo reforçando que somente os indivíduos da espécie leucena foram suprimidos na área. “O pequeno número de indivíduos arbóreos remanescentes demonstra claramente o potencial de infestação da leucena, e o quanto esta espécie tem a capacidade de impedir o desenvolvimento da flora nativa”.
Floresta de leucena em ponto que ainda não passou pelo manejo (Foto: Juliano Almeida)
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