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Maior que a Suíça e com 43 °C no termômetro: como é viver na cidade mais quente do Brasil

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Vitor Bruno Por Vitor Bruno 

O cheiro de peixe fresco e o espanhol misturado ao português recebem quem chega a Corumbá. A 425 km de Campo Grande pela BR-262, a Cidade Branca ocupa 64.431 km² de território, área superior à da Suíça, e guarda 60% do Pantanal sul-mato-grossense dentro dos seus limites.

O calor define o ritmo da Capital do Pantanal. Em novembro de 2023, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) registrou 43,3 °C na cidade, colocando-a no topo do ranking nacional de temperatura. Em fevereiro de 2026, Corumbá voltou a liderar a lista com 35,8 °C ainda no meio da tarde. A sensação térmica já ultrapassou 46 °C em dias de baixa umidade.

O clima tropical com inverno seco explica parte desse comportamento. Entre maio e setembro, a chuva praticamente desaparece e o ar fica abaixo de 30% de umidade. No verão, pancadas rápidas aliviam o calor, mas as máximas seguem acima de 33 °C. Moradores convivem com garrafas de água na bolsa, ventiladores ligados o dia inteiro e o hábito de evitar a rua entre 11h e 15h.

Corumbá é destino único para viver perto do Pantanal // Créditos: Wikipedia

Um município do tamanho de um país europeu

Segundo o IBGE, Corumbá tem 64.431 km² de área territorial, o que faz dela o maior município de Mato Grosso do Sul e o 11º do Brasil. Para efeito de comparação, a Suíça inteira caberia dentro dos limites corumbaenses, com folga. Apesar da extensão, apenas 96.268 pessoas vivem ali, segundo o Censo de 2022, o que resulta em uma densidade de 1,49 habitante por km².

A cidade é também a única do Centro-Oeste que faz fronteira seca com dois países: Bolívia e Paraguai. A Bolívia começa do outro lado da rua em alguns pontos, e o trânsito de pessoas entre os dois lados é parte da rotina. Essa posição geográfica moldou a gastronomia, o sotaque e até o cardápio do café da manhã.

O cotidiano corumbaense mistura três países num mesmo quarteirão. É comum comprar saltenhas (pastéis assados bolivianos) na esquina, ouvir espanhol no comércio e tomar tereré gelado em guampa de chifre de boi para enfrentar o calor. Feiras de rua vendem produtos brasileiros e bolivianos lado a lado, e muitos moradores cruzam a fronteira para compras rápidas em Puerto Quijarro.

Com IDHM de 0,700, considerado alto pelo IBGE, a cidade oferece estrutura hospitalar, universidade federal e aeroporto com conexões aéreas. A expectativa de vida subiu para 75,1 anos em 2010, acima da média nacional da época. O desafio permanece no emprego formal: a economia gira em torno de mineração (calcário, ferro e manganês), pecuária e turismo de pesca e ecoturismo.

Corumbá é portal do Pantanal com natureza e cultura pantaneira // Créditos: Wikipedia

O que fazer em Corumbá além da pesca?

A cidade vai muito além dos barcos-hotel. As atrações combinam patrimônio tombado, natureza e cultura de fronteira:

  • Casario do Porto Geral: conjunto arquitetônico tombado pelo IPHAN em 1993, com casarões neoclássicos à beira do Rio Paraguai. No século XIX, o porto foi o terceiro maior da América Latina.
  • Estrada Parque Pantanal: 120 km de terra com 87 pontes de madeira cortando o Pantanal. Jacarés, tuiuiús e capivaras aparecem à beira da estrada.
  • Cristo Rei do Pantanal: estátua no topo do Morro do Cruzeiro, com vista de 360° da cidade e da planície alagada.
  • Museu de História do Pantanal (Muhpan): acervo interativo em prédio de 1876 no Porto Geral, conta a ocupação humana e a biologia da região.
  • Forte Coimbra: construído em 1775 às margens do Paraguai, foi palco de batalhas na Guerra do Paraguai. Acesso por barco.

Quem deseja explorar o Pantanal, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal DEVA NO AR, que conta com mais de 53 mil visualizações, onde Deva e João mostram as belezas e a história de Corumbá, no Mato Grosso do Sul:

A festa junina que mergulha o santo no rio

Na virada do dia 23 para 24 de junho, mais de cem famílias de festeiros descem a Ladeira Cunha e Cruz carregando andores iluminados até a margem do Paraguai. Ali, a imagem de São João Batista é mergulhada nas águas do rio ao som de cururu e viola-de-cocho. O ritual tem mais de um século e mistura devoção católica, religiões de matriz africana e influência boliviana.

Em maio de 2021, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) inscreveu o Banho de São João no Livro de Registro das Celebrações como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Mato Grosso do Sul ganhou, assim, seu primeiro bem imaterial exclusivamente registrado em território sul-mato-grossense. Em 2025, o IPHAN lançou o Plano de Salvaguarda da festa.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

O Pantanal muda de cenário conforme o regime das águas, e a escolha da data define a experiência. Confira o resumo por estação:

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