Há depoimentos animadores, de recuperação do paladar, olfato e melhorias no trato respiratório e na qualidade do sono
Da Reportagem
Entre os relatos ouvidos no grupo de fumantes em tratamento na Unidade de Saúde Básica da Família do bairro Bela Vista, em Cuiabá, estão diversos de doenças respiratórias, diabetes, hipertensão, entre outras associadas ao tabagismo.
Por outro lado, também há depoimentos animadores, de recuperação do paladar, olfato e melhorias no trato respiratório e na qualidade do sono, já a partir das primeiras semanas sem cigarro.
A vendedora Tereza Neuman, de 62 anos, fumante há 30, praticamente correu para o centro de Saúde em busca de ajuda por dois motivos.
Primeiro, porque descobriu, recentemente, que é hipertensa.
Depois, porque aceitou o que vinha pensando há anos, ou seja, que fumar se tornou antissocial.
“Além de entender que a saúde está em primeiro lugar, que quero estar bem, ficou feio fumar”, avalia ela.
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O servidor público Celso Alexandre Rodrigues, de 45 anos, relata melhoria na respiração e paladar a partir do primeiro mês de tratamento
“Além disso, é um transtorno ter de sair de uma festa para fumar. Se estou no shopping, por exemplo, tenho de descer escadas, elevadores e caminhar até sair do prédio”, reclama.
“Fazer tudo isso e ficar lá sozinha, fumando isolada das pessoas. É ruim demais”, completa dona Tereza.
Mãe de quatros filhos, dois deles fumantes, Tereza Neuman está em tratamento antitabagista há pouco mais de um mês, na unidade de saúde básica do bairro Bela Vista.
“Não está sendo fácil ficar sem o cigarro. Não vou mentir. A cabeça diz: sim, fuma. Então, se fosse pela cabeça, eu voltaria a fumar, mas não vou fazer isso”, completa Tereza.
Paulo Renato da Silva, 60 anos, diretor de artes em um órgão público estadual, é diabético e fuma desde os 14 anos.
A única vez em que parou de fumar, conta ele, foi quando se apaixonou por uma mulher que não aceitava o tabaco.
Isso aconteceu em 2008. A paixão durou menos de um ano, segundo ele.
Desde então, fumava até uma carteira ao dia.
Somente neste ano, há cerca de dois meses, resolveu buscar ajuda.
“Fiz exames e não tenho nenhuma doença grave. O diabetes está controlado, mas decidi que seria bom parar de fumar antes que pudesse ter doenças mais graves”, avalia Paulo.
“Só tem acontecido coisas boas desde que deixei o cigarro e comecei o tratamento aqui”, diz, agradecido.
“A tosse, que era constante, desapareceu e passei a respirar melhor”, descreve ele.
Aos 50 anos, fumante desde os 12, Selenicia Alves Gontijo conta que já parou de fumar uma vez.
Ficou por quatro anos sem tabaco.
Mas, desde que sofreu a recaída, há mais de 10 anos, o cigarro fez parte de sua vida ininterruptamente.
Na época, conta Selenicia, não buscou ajuda em saúde ou participou de grupos com assistência multidisciplinar.
Confiante, ela fez questão de assinalar que não fuma desde o dia 8de agosto.
Selenicia agora integra o grupo e recebe tratamento.
O servidor público Celso Alexandre Rodrigues, de 45 anos, relata melhoria na respiração e paladar a partir do primeiro mês de tratamento.
“Minha resistência física melhorou 200% sem o cigarro”, afirma ele.
Fumante desde os 14 anos, há 4 meses ele decidiu parar.
Celso conta que chegou a fumar 30 cigarros ao dia, ou seja, uma carteira e meia.
Mas, nos meses anteriores à decisão de parar, já havia reduzido para uma média diária de três cigarros.
Para diminuir a quantidade de cigarros, criou algumas estratégias.
Uma delas foi deixar o cigarro no carro, distante do local de trabalho.
Celso não esconde que têm muitos momentos em que ainda pensa em voltar a fumar.
Em alguns deles, admite, se vê muito perto da recaída.
“No último fim de semana, em uma festa em família, tocando violão e bebendo na companhia de fumantes, por pouco, não fumei”, confessa.
Ele conta que em sua família ainda há muitos dependentes do tabaco.
Há, também, parentes que entenderam ou foram forçados a parar.
“Teve um irmão que infartou. Foi há cinco anos. Ele parou de fumar. Há um irmão que parou sem diagnóstico de doença, por preocupação com a saúde mesmo. Mas tem uma irmã e muitos primos e outros parentes que ainda fumam”, conta.
Lembrar da vinculação do tabagismo com as mortes na UTI no local onde trabalha com faturamento financeiro, segundo ele, o faz persistir.
“Parada cardíaca, insuficiência respiratória, infecções, dificuldade de cicatrização… Tem muitas coisas que o cigarro causa”, avalia ele.
Celso é marido de Oriana. A união deles é recente, tem pouco mais de um ano.
Não houve imposição por parte dela para que ele parasse de fumar.
Mas, Oriana é sua maior apoiadora no processo para se libertar do vício.
“Reconheço que, muitas vezes, fico facilmente irritado, em casa e no trabalho”, diz.
“A nicotina faz falta no organismo. Nesses momentos, saio, respiro e fundo, sabendo que isso vai passar, que vou superar”, avalia, confiante.
Incentivado por Oriana, Celso é um dos integrantes do grupo de tratamento do tabagismo do Bela Vista.
“O grupo é um lugar bom de estar. Vejo uma pessoa fortalecendo a outra, buscando mutuamente o bem-estar e a saúde”, completa.


































