Objetivo é promover a inclusão segura de pessoas alérgicas e ampliar o conhecimento sobre reações graves da doença
Fonte: Magnific
Anualmente, na terceira semana de maio, ocorre a Semana Nacional de Conscientização sobre Alergia Alimentar. Instituída pela Lei 14.731/2023, a iniciativa tem como finalidade promover a inclusão segura de pessoas alérgicas na sociedade e educar a população para reconhecer precocemente reações graves, como a anafilaxia. A alergia alimentar é uma resposta exagerada do sistema imunológico ao contato com algum tipo de proteína presente nos alimentos, conforme explica a nutricionista clínica Genice Oliveira, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil).
A profissional esclarece que ainda não se sabe exatamente por que o organismo desenvolve alergia em vez de tolerância. “Fundamentalmente, ocorre uma falha na supressão da resposta imunológica a uma determinada proteína, inibindo o mecanismo de tolerância. Os riscos variam de reações leves e desconfortáveis a situações extremas que podem colocar a vida em risco. O diagnóstico precoce é essencial para evitar que o paciente receba restrições severas sem a real necessidade ou manifeste crise que pode levar ao óbito”, salienta Genice.
Alimentos que apresentam maior risco de provocar alergias – como leite de vaca, ovo, soja, amendoim, frutos do mar e peixes – devem ser devidamente identificados e excluídos da alimentação para prevenir acidentes. Essa é a orientação da nutricionista residente em Saúde Coletiva no HDT-UFNT, Emily Larissa Oliveira.
“A identificação do alimento causador da alergia é fundamental para prevenir reações alérgicas, permitindo o controle adequado da alimentação. A utilização de pratos, talheres, panelas e outros utensílios exclusivos ajuda a garantir mais segurança durante o preparo e consumo dos alimentos. É importante também realizar a leitura dos rótulos nutricionais de produtos, pois isso permite identificar ingredientes que podem causar reações alérgicas”, orienta Emily.
Comunicação clara e acessível
Além disso, em qualquer ambiente que possua uma unidade de alimentação, é importante haver comunicação clara e acessível, incluindo a disponibilização de materiais informativos sobre alergias alimentares, seus riscos e formas de prevenção.
“Nas escolas, deve-se orientar sobre a troca de lanches entre os alunos. Os pais podem fornecer uma lista de alimentos seguros e devem ser avisados com antecedência em caso de festividades, para que possam preparar opções sem alérgenos para seus filhos. Nas unidades de alimentação, é fundamental que as equipes sejam capacitadas para evitar a contaminação cruzada entre os alimentos e garantir a identificação dos indivíduos com alergias alimentares, promovendo um ambiente mais seguro, inclusivo e acolhedor para todos. Ter um colaborador com conhecimentos prévios de primeiros socorros também pode ser um fator decisivo para situações de crise”, detalha a nutricionista clínica Genice Oliveira.
Manifestações clínicas
As manifestações clínicas da alergia alimentar são variadas e dependem do mecanismo imunológico envolvido. As reações imediatas podem surgir em minutos ou em até duas horas após o contato com o alimento, provocando sintomas cutâneos, como urticária; gastrintestinais, como edema e prurido nos lábios, língua ou palato, além de vômitos e diarreia; e respiratórios, como broncoespasmo e coriza. Também podem ocorrer reações tardias, horas ou dias após a exposição ao alimento, além de enterocolite induzida por proteína alimentar, caracterizada por vômitos e diarreia.
Por isso, as profissionais recomendam a adoção de medidas preventivas, como priorizar o parto normal sempre que possível. Segundo elas, a passagem de microrganismos da mãe para o bebê, pela placenta e pelo canal vaginal, contribui para a formação das bactérias intestinais da criança desde as primeiras horas de vida.
Outro ponto importante é o contato com a natureza. “A falta de contato com microrganismos pode causar um desequilíbrio nas bactérias do corpo, prejudicar o sistema imunológico e aumentar o surgimento de doenças alérgicas e inflamatórias. O contato com a natureza deve ser incentivado sempre, pois traz muitos benefícios para a saúde física e mental. Por fim, a introdução alimentar, que deve acontecer no momento certo, seguindo os hábitos alimentares da família, para que a criança conheça todos os tipos de alimentos entre os seis e os 12 meses de idade”, resume Genice.































