Da Redação – Arthur Santos da Silva
O artista visual e fotógrafo Fred Gustavos conquistou o 3º lugar no Prêmio Pierre Verger – 30 anos com o ensaio fotográfico “Brazilian Print – O Ano da Onça”, registro de uma noite da cena ballroom em Cuiabá, realizada em janeiro de 2025 durante uma Vogue Night dedicada ao imaginário brasileiro.
Criado em 1996 e realizado a cada dois anos, o Prêmio Pierre Verger (PPV) é uma das principais iniciativas de antropologia visual do Brasil. Batizado em homenagem ao fotógrafo, etnólogo e babalaô francês radicado na Bahia, o festival é organizado por uma comissão de antropólogos brasileiros e estrangeiros, responsável pela curadoria das obras submetidas a um júri independente de reconhecimento internacional.
Ao longo de três décadas, o PPV ampliou seu escopo: o que era inicialmente uma mostra de filme etnográfico passou a incluir também ensaios fotográficos, desenho e, na edição de 2026, a nova categoria de Experimentação Fotográfica.

“Brazilian Print – O Ano da Onça” acompanha uma noite da ballroom cuiabana em suas performances, gestos e trocas entre participantes, público e jurados. Nascida nos salões underground de Nova York e historicamente enraizada em comunidades negras e latinas LGBTQIA+, a cultura ballroom é, segundo o ensaio, reapropriada em Cuiabá por artistas que combinam referências globais a símbolos do imaginário brasileiro — dando à cena local contornos próprios de afirmação identitária e celebração coletiva.
Fred Gustavos é artista visual e fotógrafo mato-grossense, mestrando no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde pesquisa imagem e arte contemporânea. Atua principalmente na documentação e criação junto à cena performativa e artística de seu estado, participando de mostras nacionais e internacionais desde 2016 — entre elas Flora et Lumen, Saberes pelas mãos do tempo e Fotocênicas, além da curadoria de Entreluzes – a nova fotografia cuiabana.

Para o artista, a ballroom retratada no ensaio não é apenas cenário estético, mas um projeto de existência. “Espero que as pessoas abandonem seus medos de se hibridizarem com modos de vida mais audazes que o sistema heteronormativo, colonialista e patriarcal nos legou. O que antes era visto como apenas gueto de minoria é onde se vive com autenticidade e paixão o que se é. Vejo nessas comunidades muito mais celebração das possibilidades do existir, que sublimam vergonhas de assumir identidades plurais, rompem com binarismos estéreis, se fortalecem em conjunto como famílias/houses/casas e carregam como herança os que lutaram antes”, afirma Fred.
“Esses movimentos são as formas mais genuínas de luta e resistência, pois os desafios contemporâneos pedem o contrário de submissão, resignação, pedem brilho, autoestima, close e carão como gesto político. Na real? ‘No shade!’ Nossa maior arma é a alegria”, finaliza.


































