Dados da OMS apontam que um em cada seis idosos já sofreu algum tipo de abuso nos últimos 12 meses
A violência contra a pessoa idosa pode se manifestar de várias formas, incluindo abuso físico, psicológico, emocional, financeiro e até negligência. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente um em cada seis idosos sofreu algum tipo de abuso nos últimos 12 meses. No Brasil, o Disque 100, serviço de denúncias de violações de direitos humanos, registrou mais de 33 mil denúncias de violência contra idosos em 2020, um aumento significativo em relação aos anos anteriores.
Segundo o relatório base da OMS, essa é a Década do Envelhecimento Saudável. Cerca de 140 milhões de idosos no mundo não conseguem atender às suas necessidades básicas, o que pode deixá-los em situação de dependência, o que pode levar aos abusos. Esse fator ainda se agrava com base em que grande parte da população de alguns países, principalmente da Europa, estão envelhecendo. Em 2022, o total de pessoas com 65 anos ou mais no Brasil (22 milhões) chegou a 10,9% da população, com alta de 57,4% frente a 2010, quando esse contingente era de mais de 14 milhões, ou 7,4% da população, segundo o Ministério da Saúde.
Ednardo Fornanciari, mestre em Ciências da Saúde e professor de Fisioterapia da Estácio FAPAN, explica que a violência contra a pessoa idosa tem graves consequências para a saúde física e mental dos indivíduos. “A violência física pode resultar em lesões graves, fraturas e até incapacitação permanente. Já a violência psicológica e emocional pode levar ao desenvolvimento de depressão, ansiedade e outras condições de saúde mental. A negligência, por sua vez, pode agravar problemas de saúde preexistentes e comprometer a qualidade de vida do idoso”, comenta.
A saúde mental dos idosos é particularmente vulnerável ao impacto da violência. “A violência pode desencadear sentimentos de medo, insegurança e desesperança. Muitos idosos que sofrem abuso têm vergonha ou medo de denunciar, o que agrava ainda mais a situação. É fundamental que familiares, amigos e profissionais de saúde estejam atentos aos sinais de abuso e ofereçam suporte e assistência necessários”, destaca o professor.
Além disso, a violência financeira, que inclui exploração e fraude, pode deixar os idosos em situações de vulnerabilidade econômica, comprometendo seu acesso a cuidados de saúde adequados e a uma vida digna. “A perda de recursos financeiros pode levar ao estresse, à ansiedade e à deterioração da saúde física, pois o idoso pode não conseguir mais pagar por medicamentos, tratamentos e até necessidades básicas”, explica Ednardo.
A conscientização e a educação são essenciais para combater a violência contra a pessoa idosa. “Campanhas de sensibilização e programas de treinamento para cuidadores, profissionais de saúde e a população em geral são fundamentais para identificar, prevenir e responder à violência contra os idosos. É preciso criar um ambiente seguro e de apoio para que os idosos possam viver com dignidade e respeito”, afirma.
É fundamental refletir sobre as medidas que podem ser adotadas para proteger essa população vulnerável e garantir que todos os idosos possam envelhecer de forma saudável e segura. “A violência contra































