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Plantamos como potência, processamos como coadjuvante

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Por Jurandir Barrozo, CEO do Grupo Multibelt

Há mais de três décadas à frente de uma empresa que nasceu importando correias e hoje fabrica no Brasil tecnologia que antes só vinha de fora, aprendi uma lição que carrego para qualquer debate sobre o futuro do nosso agronegócio: o Brasil tem que aumentar o processamento de grãos e não depender só de exportação “in natura”. Não é discurso. É estratégia de sobrevivência econômica.

Os números mais recentes da cadeia da soja mostram exatamente por que essa discussão não pode mais esperar. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais projeta um esmagamento recorde de soja em 2026, algo entre 62 e 63 milhões de toneladas, puxado por uma safra também recorde e por uma demanda interna cada vez mais forte por farelo, óleo e biodiesel. É uma notícia boa. Mas basta olhar o outro lado da balança para perceber o tamanho do que ainda deixamos na mesa: as exportações de soja em grão devem superar 114 milhões de toneladas neste mesmo ano. Ou seja, mesmo com o processamento crescendo, seguimos exportando, majoritariamente, a matéria-prima bruta, e com ela, o emprego, a tecnologia e o valor agregado que poderiam ficar por aqui.

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O etanol de milho é o exemplo mais recente dessa virada em escala nacional: impulsionada por mais de R$ 40 bilhões em investimentos, a produção saltou de cerca de 2,5 bilhões de litros na safra 2020/21 para uma projeção próxima de 10 bilhões de litros em 2025/26, o setor quadruplicou de tamanho em cinco anos e já coloca o Brasil como o segundo maior produtor mundial de etanol de milho.

O que esse movimento tem de especial não é só o volume: é o raciocínio por trás dele. Ao industrializar o milho dentro de casa, o país reduziu a dependência da exportação da commodity crua e passou a gerar, em vez do grão, combustível, proteína animal (via DDGS) e renda que circulam na própria economia nacional.

É esse o caminho que defendo para a soja e, no fundo, para qualquer elo da nossa cadeia produtiva. Quando decidimos, lá em 2014, nacionalizar a fabricação das esteiras Draper, que até então dependiam quase inteiramente de importação, não fizemos isso apenas para ganhar competitividade comercial. Fizemos porque entendemos que tecnologia estrangeira, por melhor que seja, nunca vai gerar emprego brasileiro, nunca vai reter know-how brasileiro e nunca vai construir uma indústria nacional resiliente. O mesmo vale para o grão que sai do Brasil sem passar por uma esteira, uma prensa ou uma usina antes de embarcar.

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O agronegócio brasileiro tem hoje escala, produtividade e clima favorável como poucos países no mundo. O que ainda nos falta, em muitas frentes, é a decisão de transformar essa vantagem em indústria, e não apenas em frete.

Cada tonelada de soja processada aqui gera farelo para alimentar rebanhos, óleo para consumo e biodiesel para a matriz energética; cada tonelada exportada em grão gera, principalmente, frete e uma oportunidade perdida.

O exemplo do etanol de milho não deveria ser uma exceção, deveria ser o modelo. Se o Brasil quer de fato colher os frutos do agro que construiu, precisa investir com a mesma convicção na indústria que processa o que planta. Processar mais grão dentro de casa não é apenas uma escolha econômica inteligente, é a diferença entre sermos fornecedores de matéria-prima e sermos, finalmente, protagonistas da cadeia de valor que ajudamos a criar.

HF Comunicação Estratégica
Atendimento à Imprensa:
Marianne Mariano

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