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Quadrilhas sofisticam roubos e transformam soja em novo alvo em MT.

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CRIME ORGANIZADO

Investigação aponta desvio de 197 t de grãos, uso de empresa para legalizar carga roubada e motorista infiltrado

MARIA CLARA SILVA Da Reportagem DC
PJC
As investigações identificaram o desvio de aproximadamente 197 toneladas de soja, em duas rodovias federais

O roubo de cargas de soja em Mato Grosso deixou de ser uma ação isolada para se transformar em uma operação criminosa sofisticada.

Há divisão de funções, empresas utilizadas para dar aparência de legalidade às mercadorias e planejamento logístico semelhante ao de transportadoras.

A avaliação ganha força após a deflagração da Operação Entreposto, da Polícia Civil, que, nesta sexta-feira (7), desarticulou um grupo suspeito de atuar de forma estruturada no desvio de grãos, nas principais rodovias do Estado.

As investigações identificaram o desvio de aproximadamente 197 toneladas de soja.

Foram cumpridos  quatro mandados de prisão preventiva e onze de busca e apreensão em Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá) e em Primavera do Leste (a 240 km).

Segundo a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, o grupo atuava em pelo menos quatro ataques registrados nas BRs-163 e 364, principais corredores logísticos do agronegócio mato-grossense.

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O que mais chamou a atenção dos investigadores foi o grau de organização da quadrilha.

Conforme a apuração, os criminosos abordavam caminhões carregados de soja, rendiam os motoristas armados e os mantinham em cárcere privado, até que toda a carga fosse retirada.

Em seguida, os caminhões eram abandonados, enquanto os grãos eram transferidos para outros veículos preparados para seguir viagem.

Para reduzir o risco de abordagem policial, o grupo utilizava automóveis menores como batedores, responsáveis por monitorar a movimentação da Polícia Rodoviária Federal ao longo das rodovias.

Outro aspecto considerado inédito pela investigação foi a utilização de uma empresa de armazenagem e transporte de grãos para emitir notas fiscais que davam aparência de legalidade às cargas roubadas.

A documentação permitia que os grãos fossem comercializados como se tivessem origem regular, dificultando a identificação do produto desviado.

As investigações também revelaram um elemento incomum: um dos motoristas que inicialmente figurava como vítima dos roubos passou a ser investigado como integrante da organização criminosa.

Segundo a Polícia Civil, a repetição de ocorrências envolvendo o mesmo profissional despertou suspeitas.

A partir da análise de provas, os investigadores concluíram que ele participava do esquema e simulava ser vítima para facilitar a subtração das cargas. Por isso, também foi alvo de mandado de prisão preventiva.

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De acordo com a Derf, cada integrante possuía uma função específica.

Havia quem participasse diretamente da abordagem aos caminhões, quem organizasse a logística do transporte após o roubo, o proprietário da empresa utilizada para dar suporte à fraude documental e o assaltante responsável pelo uso da arma durante as ações.

Para especialistas em segurança pública, o caso evidencia uma mudança no perfil das organizações criminosas que atuam em Mato Grosso.

O foco deixa de ser apenas o roubo do veículo e passa a concentrar-se na mercadoria, de alto valor comercial e fácil inserção no mercado.

A utilização de empresas legalmente constituídas, documentos fiscais e logística própria demonstra um nível crescente de profissionalização, aproximando o crime organizado das cadeias econômicas do agronegócio.

A Operação Entreposto integra as ações permanentes da Polícia Civil para combater roubos de cargas, modalidade criminosa que vem preocupando produtores, transportadoras e exportadores devido ao impacto financeiro e aos riscos impostos aos motoristas que percorrem diariamente os principais corredores logísticos do Estado.

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