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Revista Piauí revela investigação da PF sobre Virgínia Fonseca e expõe bastidores de bets, origem da WePink e investidora ligada ao PCC; VEJA

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A TIGRESA DOS ALGORITMOS”

 VÍDEO

Revista aponta que influenciadora passou a ser investigada pela Polícia Federal após análise de relatórios do Coaf e detalha conexões envolvendo bets, empresas e a criação da marca de cosméticos Wepink

Da redação

A influenciadora Virginia Fonseca voltou ao centro das atenções após uma extensa reportagem publicada pela revista Piauí revelar detalhes sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas por órgãos de controle, sua atuação na divulgação de casas de apostas e os bastidores da criação da Wepink, marca de cosméticos da qual é sócia.

Segundo a publicação, Virginia passou a ser investigada pela Polícia Federal após informações contidas em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontaram operações financeiras consideradas atípicas envolvendo empresas ligadas à influenciadora.

A reportagem relembra que Virginia foi convocada para depor na CPI das Bets, no Senado Federal, onde negou lucrar com as perdas dos apostadores que acessavam plataformas divulgadas por ela. Na ocasião, a influenciadora afirmou que recebia apenas valores fixos previstos em contrato.

“Nunca recebi 1 real a mais do que o contrato de publicidade que fiz por dezoito meses”, declarou durante o depoimento. “Era um valor fixo. Se eu dobrasse o lucro, eu receberia 30% a mais da empresa, mas isso não chegou a acontecer.”

A CPI foi encerrada em junho de 2025 sem aprovação do relatório final, que pedia o indiciamento de 16 pessoas, entre elas Virginia. Conforme a Piauí, a rejeição ocorreu após forte atuação do lobby do setor de apostas.

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Operações financeiras sob análise

Entre os documentos analisados pela revista está um relatório que menciona movimentações da Talismã Digital, empresa de Virginia e do cantor Zé Felipe. Conforme o material, a companhia recebeu R$ 22,4 milhões entre março e setembro de 2024.

Desse total, R$ 17,7 milhões teriam sido transferidos por uma empresa chamada AMP Pay Marketing e Negócios. O banco responsável pela comunicação ao Coaf apontou dúvidas sobre a capacidade financeira da empresa para realizar operações desse porte, já que ela estaria enquadrada no Simples Nacional e registrada em um endereço comercial de pequeno porte em Santa Catarina.

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A reportagem também cita movimentações consideradas atípicas envolvendo a Wpink Suplementos Nutricionais, empresa ligada à influenciadora. Segundo o documento mencionado pela revista, entre janeiro e março de 2025 a empresa registrou créditos de R$ 43,6 milhões e débitos de R$ 43,5 milhões, valores que teriam despertado alertas por supostamente não serem compatíveis com o faturamento informado.

Outro relatório analisado pela publicação trata da Wepink Cosméticos. O Coaf recebeu alertas sobre centenas de depósitos em espécie realizados em caixas eletrônicos, prática que costuma chamar atenção dos órgãos de controle quando ocorre de forma fragmentada.

Procurados pela revista, advogados da influenciadora afirmaram que todas as operações ocorreram dentro da legalidade e foram devidamente declaradas aos órgãos competentes.

A origem da Wepink

Um dos pontos mais sensíveis da reportagem aborda a origem da empresa que deu origem à atual estrutura da Wepink.

Segundo a Piauí, antes da criação da marca de cosméticos existia a Pink Lash, rede de estética fundada pelo casal Samara Martins e Thiago Stabile. A publicação afirma que a empresa teve como investidora inicial a enfermeira Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida nacionalmente como “Japa do PCC”, viúva de Wagner Ferreira da Silva, o “Cabelo Duro”, apontado como liderança da facção criminosa PCC.

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Em entrevista à revista, Karen afirmou ter investido R$ 800 mil na abertura do primeiro negócio.

“Sim”, respondeu ao ser questionada se a empresa nasceu com recursos provenientes de uma liderança da facção criminosa. “Eu era uma cliente da Samara, ela fazia os meus cílios. E, em determinado momento, propus fazermos essa sociedade.”

A reportagem sustenta que a Pink Lash serviu de base para a criação da Wepink, lançada em 2021, já com a participação de Virginia Fonseca e do empresário chinês Chaopeng Tan.

Questionada pela revista sobre a origem dos recursos que ajudaram a estruturar a empresa que posteriormente deu origem à Wepink, Virginia respondeu:

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“Em relação aos meus sócios, tenho confiança, porque nunca me deram nenhum motivo para eu pensar o contrário, desde quando nos conhecemos. Não associo pessoas a algo apenas por relações comerciais ou por terem conhecido alguém em determinado momento.”

Crescimento bilionário

A reportagem destaca ainda a rápida expansão da Wepink. De acordo com os dados apresentados, a empresa teria faturado R$ 168 milhões em 2022, R$ 325 milhões em 2023, cerca de R$ 750 milhões em 2024 e alcançado R$ 1,3 bilhão em 2025.

O crescimento veio acompanhado de problemas com consumidores. Conforme a publicação, a empresa assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de Goiás, comprometendo-se a pagar R$ 5 milhões por danos morais coletivos após milhares de reclamações relacionadas a entregas e atendimento. O Procon de São Paulo também aplicou multa de R$ 1,5 milhão à empresa.

A revista cita ainda a interdição, em abril deste ano, de um centro logístico utilizado pela marca em Anápolis (GO), após fiscalização identificar problemas como mofo, sujeira e falhas no controle de temperatura.

Influência digital e projeção nacional

A reportagem traça ainda um perfil detalhado da trajetória de Virginia, desde os primeiros vídeos publicados no YouTube até se tornar uma das personalidades mais seguidas do país.

Hoje, a influenciadora soma cerca de 56 milhões de seguidores no Instagram e transformou a própria rotina em um dos maiores fenômenos de audiência das redes sociais brasileiras. Segundo estudo citado pela revista, seu nome chegou a superar figuras políticas e celebridades em volume de buscas e menções digitais.

Ao longo da reportagem, a revista aborda a ascensão empresarial de Virginia Fonseca, sua relação comercial com empresas de apostas esportivas, relatórios financeiros que deram origem a apurações e a estrutura societária que deu origem à Wepink, uma das marcas de cosméticos de maior crescimento no país.

Veja vídeo:

Com informações da revista Piauí.

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