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ANÁLISE XP |
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*Por Alexandre Maluf |
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O varejo restrito ficou aquém das expectativas, com quedas espalhadas pelos segmentos, enquanto o varejo ampliado subiu levemente, praticamente em linha com as projeções (após três quedas consecutivas), puxado principalmente por veículos. Ambos os indicadores, no entanto, apresentam carrego estatístico negativo para o 3T26. Nosso tracking para o crescimento do PIB do 3T26 está em -0,02% T/T (1,54% A/A).
O varejo restrito caiu 0,8% M/M em julho, substancialmente abaixo tanto da nossa estimativa (0,0%) quanto do consenso de mercado (-0,3%). O indicador subiu 1,2% na comparação anual (XP: 2,5%; consenso: 2,3%), a leitura anual mais fraca em vários meses. Houve revisões pequenas nos meses anteriores, que não alteraram o quadro geral. Com o resultado, o carrego estatístico para o 3T26 ficou em -0,6% T/T.
O varejo ampliado, por sua vez, aumentou 0,4% M/M, marginalmente abaixo das expectativas (XP e mercado: 0,5%), enquanto avançou 1,8% A/A (XP e mercado: 2,0%). Essa métrica — que acrescenta Veículos, Material de Construção e Atacarejo ao índice restrito — deixa um carrego de -0,4% T/T para o 3T26. Em outras palavras, mesmo o indicador mais bem-comportado entra no terceiro trimestre em posição desfavorável.
Olhando para a abertura setorial, cinco dos dez segmentos do varejo cresceram na comparação mensal, mas a divisão entre eles é reveladora. No lado positivo, Farmacêuticos se recuperaram com alta de 0,6% M/M (4,7% A/A), a leitura anual mais forte entre os segmentos do varejo restrito. Material de Construção (0,7% M/M), Equipamentos e Material para Escritório, Informática e Comunicação (0,6% M/M), Veículos (0,3% M/M) e Combustíveis e Lubrificantes (0,3% M/M) também registraram ganhos. O desempenho de Veículos é o mais relevante: o segmento cresceu 5,0% A/A e respondeu por 0,8 p.p. da expansão anual de 1,8% do varejo ampliado, em linha com os números sólidos reportados pela Fenabrave.
O lado negativo, em contraste, esteve concentrado no índice restrito. Móveis e Eletrodomésticos despencaram 4,9% M/M (-3,7% A/A), seguidos por Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (-4,2% M/M), Tecidos, Vestuário e Calçados (-2,7% M/M; -4,7% A/A) e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (-2,2% M/M; -2,3% A/A). Supermercados recuaram 0,2% M/M, embora ainda subam 2,9% A/A.
Vale notar que quatro dos oito segmentos do varejo restrito estão agora em contração na comparação anual, o que aponta para uma fraqueza disseminada, e não idiossincrática.
Por grupos analíticos, as atividades sensíveis à renda recuaram 0,2% M/M (2,1% A/A), deixando um carrego de -0,1% T/T para o 3T26. As atividades sensíveis ao crédito caíram 0,5% M/M (1,4% A/A), com carrego mais pronunciado, de -1,0% T/T. A diferença entre os dois grupos é consistente com os efeitos defasados da política monetária contracionista sobre o crédito, mesmo com a renda do trabalho continuando a amortecer a queda do consumo.
Olhando à frente, nossas projeções preliminares apontam para uma recuperação parcial em agosto, com o varejo restrito subindo 0,5% M/M (0,9% A/A) e o ampliado avançando 0,7% M/M (1,5% A/A). Dito isso, os carregos negativos significam que o terceiro trimestre provavelmente mostrará pouco ou nenhum crescimento do consumo de bens, reforçando nossa visão de desaceleração da demanda doméstica ao longo de 2026.
Por fim, nossa projeção para o IBC-Br de julho está em -0,2% M/M (1,1% A/A), o que deixaria um carrego estatístico de -0,7% T/T para o 3T26. Assim, tracking para o crescimento do PIB do 3T26 está em -0,02% T/T (1,54% A/A). Mantemos nossa projeção de crescimento de 1,7% para o PIB de 2026, enquanto nossa projeção de 1,0% para 2027 carrega viés de baixa.
*Por Alexandre Maluf, economista da XP.
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