Mas política também é capacidade de compreender a realidade. À medida que a campanha avançou e o cenário se definiu, passei a defender Flávio Bolsonaro. Não por conveniência, mas porque considero que ele representa hoje o projeto viável de mudança que o Brasil precisa.
Minha crítica ao atual governo não é circunstancial. Depois de décadas de poder da esquerda, o brasileiro já ouviu promessas suficientes para saber que discurso não transforma um país.
O resultado foi uma sucessão de oportunidades desperdiçadas, um Estado cada vez mais caro e burocrático, escândalos de corrupção que marcaram nossa história recente e uma dificuldade persistente de entregar ao cidadão serviços públicos compatíveis com aquilo que ele paga.
O problema também está na segurança. O brasileiro não quer um Estado que apareça depois que o crime aconteceu. Quer um Estado capaz de impedir que o crime aconteça. Enquanto famílias vivem atrás de grades, comerciantes fecham as portas mais cedo e organizações criminosas ampliam seu poder, não considero suficiente uma política que trate a segurança como questão secundária ou apenas como estatística.
E há uma inversão que me incomoda profundamente: o Estado precisa estar ao lado de quem cumpre a lei. A vítima não pode ser esquecida enquanto o debate público se concentra exclusivamente nas garantias de quem comete o crime. Direitos individuais são fundamentais, mas não existe Estado de Direito verdadeiro quando o cidadão honesto deixa de acreditar que será protegido.
Na economia, também não aceito a ideia de que o Estado possa gastar indefinidamente e transferir a conta para quem trabalha. O Brasil precisa de responsabilidade fiscal, menos burocracia, liberdade para empreender e segurança jurídica.
Mato Grosso é um exemplo eloquente: sua transformação não aconteceu porque o Estado produziu riqueza, mas porque trabalhadores, produtores e empresários tiveram coragem de investir, produzir e assumir riscos.
É justamente por isso que as propostas apresentadas por Flávio Bolsonaro me parecem compatíveis com o país que defendo. Seu programa prevê redução e racionalização da estrutura estatal, revisão de despesas, desestatizações, simplificação administrativa e medidas mais rigorosas contra o crime organizado. Não se trata de acreditar que um programa, sozinho, resolverá os problemas brasileiros. Trata-se de escolher uma direção.
O primeiro turno mostrou que essa busca por mudança não é pequena. Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, 47,03% dos votos válidos, e terminou à frente de Lula. O resultado, para mim, representa mais do que uma disputa entre dois nomes: revela o tamanho do desejo de mudança existente no país.
Também vejo nessa eleição um recado do eleitor ao Congresso. A renovação de boa parte da representação parlamentar mostra que o brasileiro está menos disposto a aceitar políticos que transformam o mandato em profissão e o poder em benefício pessoal. O eleitor está cobrando mais representação, mais resultado e menos privilégios.
Comecei apoiando Caiado porque acreditava que ele poderia representar a mudança que o Brasil precisava. Hoje, diante das alternativas que chegaram ao segundo turno, entendo que Flávio Bolsonaro é o caminho viável para esse projeto.
Não espero milagres de um presidente. Nenhum homem, sozinho, conserta um país. Mas espero coragem para enfrentar problemas difíceis, responsabilidade para administrar o dinheiro público, firmeza para combater o crime e liberdade para quem quer trabalhar e empreender.
O Brasil não precisa de mais uma promessa de mudança. Precisa finalmente começar a mudar.
*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.






























