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Aumenta procura por técnicas de reprodução assistida no Brasil

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Anvisa registra aumento de 51,5% nos ciclos de fertilização in vitro (FIV) e de 136,7% nos de congelamento de óvulos realizados no país

Imagem: Site Magnific

A reprodução assistida está em plena expansão no Brasil. O congelamento de óvulos vem crescendo de forma acelerada no país, o que revela maior conscientização das brasileiras sobre a importância de preservar a fertilidade para ter um bebê no melhor momento de sua vida, sem depender do relógio biológico. Segundo o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o número de ciclos de coleta de óvulos para criopreservação mais que dobrou em cinco anos. Passaram de 7.872 ciclos em 2020 para 18.631 em 2025, crescimento de 136,7%.
Embora as mulheres acima de 35 anos continuem liderando a procura pelo congelamento de óvulos, o crescimento mais acelerado vem sendo registrado entre as mais jovens, demonstrando uma busca mais precoce por estratégias de planejamento reprodutivo. Entre 2020 e 2025, os ciclos quase triplicaram entre pacientes com menos de 35 anos – passaram de 2.193 para 6.142, um aumento de 180,1%. “É um bom sinal, pois o momento no qual uma mulher congela seus óvulos importa muito para as chances de ter um bebê no futuro”, frisa Dr. Oscar Duarte, diretor médico do Fertgroup, maior rede de clínicas de reprodução assistida do país. “No entanto, vale lembrar que, em 2025, as mulheres acima de 35 anos ainda representavam aproximadamente dois terços de todos os procedimentos realizados no país. Isso indica que a maior demanda segue concentrada entre aquelas que se aproximam ou já ultrapassaram a fase de maior fertilidade biológica”, pondera o especialista em reprodução humana.
“Um ciclo de congelamento inclui todas as etapas do procedimento, desde o uso de medicamentos hormonais para estimular a produção de óvulos até a coleta e a criopreservação destas células reprodutivas”, explica Duarte. Normalmente, apenas um óvulo é amadurecido e liberado por mês. Para o congelamento, os ovários são estimulados com hormônios por 10 a 12 dias a fim de que vários deles amadureçam ao mesmo tempo. “Neste período, monitoramos o crescimento dos folículos, pequenas estruturas localizadas nos ovários que podem dar origem a óvulos maduros, ou seja, prontos para a fecundação. Quando estiverem no tamanho ideal, é realizada a sua aspiração, em um procedimento cirúrgico minimamente invasivo, com sedação, usando uma agulha bem fina guiada por ultrassom transvaginal”, diz Duarte.

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“Os óvulos são levados ao laboratório e analisados. Os melhores são congelados por vitrificação, técnica que evita a formação de cristais de gelo que poderiam danificar a célula e que revolucionou o nosso meio nos últimos anos, permitindo a criopreservação com a alta eficiência que temos hoje”, completa o médico.

O recomendável é que o procedimento seja feito o mais cedo possível para aumentar as possibilidades de sucesso. “Por volta dos 35 anos, a perda dos folículos acelera, e os óvulos remanescentes tendem a apresentar menor qualidade, o que torna mais desafiadora a gestação, devido ao aumento da incidência de perdas gestacionais e de síndromes genéticas”, afirma Duarte.
O SisEmbrio/Anvisa também registrou aumento no número de ciclos de fertilização in vitro (FIV) realizados no Brasil. Eles passaram de 41.586 em 2020 para 62.997 em 2025, um crescimento de 51,5%. De acordo com Dr. Oscar Duarte, a maior quantidade de FIVs pode ser explicada por uma combinação de fatores, dentre eles o adiamento da maternidade, que aumenta a incidência de infertilidade relacionada à idade. O último censo revelou que a idade média ao ter filhos passou de 26 anos, em 2000, para 28 anos, em 2022; e estatísticas do Registro Civil apontam que, nas últimas duas décadas, também cresceu o número de nascimentos gerados por mães com 35 a 39 anos de idade, o que coincide com o momento em que o declínio da fertilidade começa a se acentuar. “O relógio biológico feminino torna a gestação mais difícil a partir dos 35 anos. Nessa idade, a probabilidade de a mulher engravidar de maneira natural no decorrer de um ano de tentativas é de 55%, contra 86% aos 25 anos”, destaca.
Casais homoafetivos – Outro motivo apontado pelo Dr. Oscar Duarte para a maior realização de FIVs no país é ampliação da procura por reprodução assistida por casais homoafetivos. Em 2025, os casais femininos foram responsáveis por 50% das importações de sêmen feitas pelo LabSaúde Reprodutiva/Fertgroup para a realização de fertilização in vitro. A procura por esse serviço registrou aumento de 33% em comparação com 2016. “Além disso, há maior conscientização e diagnóstico dos problemas de fertilidade, bem como avanços tecnológicos que elevaram as taxas de sucesso e, consequentemente, a confiança e procura das pessoas pela fertilização in vitro”, pontua.

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