Seja quem você é! Se há algo que precisa mudar, não perca a oportunidade.

Pedro era um discípulo muito autêntico e sincero em suas convicções e crenças. Se tivesse que errar, errava convicto. Essa é uma característica de pessoas que não deixam dúvidas sobre quem realmente são. Esses indivíduos até podem ser explosivos, porém, jamais falsos.

Por Pedro respeitar muito o seu Mestre, jamais permitiria que ele lavasse os seus pés, pois na sua mentalidade ele é quem deveria lavar os pés de Jesus Cristo. No entanto, após a repreensão de Cristo acerca da importância daquele ato, ele prontamente permitiu, (João 13:8-9): “O senhor nunca lavará os meus pés! disse Pedro. Se eu não lavar, você não será mais meu discípulo! Respondeu Jesus. Então, Senhor, não lave somente os meus pés; lave também as minhas mãos e a minha cabeça! pediu Simão Pedro”.

A autenticidade de Pedro era tamanha que não apenas estava entregando os pés para ser lavado pelo Mestre, mas também o corpo e a alma.

Pedro sempre foi leal a Cristo, ou pelo menos é o que desejava. Ele cria muito na sua força e na sua capacidade de resolver as coisas, e disse muitas vezes que jamais negaria o Mestre. Muitas vezes, somos iguais a Pedro, pensamos que podemos confiar em nós mesmos, não é verdade? Quantas promessas já fizemos, mas não cumprimos? Será que com todo o nosso arsenal de conhecimento e experiência podemos garantir algo que prometemos a Deus, por nós mesmos?

Em Mateus 26:33, há uma narrativa de Pedro, que nos faz conhecê-lo ainda mais: “Então Pedro disse a Jesus: Eu nunca abandonarei o senhor, mesmo que todos o abandonem”. Naquele momento, Pedro foi sincero ao dizer que nunca negaria ou abandonaria o Mestre, porém, talvez ele não tivesse a dimensão correta do que estaria por vir, crendo mais em sua coragem de enfrentar o inimigo do que no fato de precisar estar protegido espiritualmente para o grande acontecimento que viria.

Muitas vezes somos levados a crer em nossa própria capacidade de enfrentar o desconhecido por algo ou alguém. O fato é que, há batalhas que são vencidas por intermédio do Espírito Santo, que nos dá a sabedoria e tira o medo do coração do homem.

A história relatada no livro de Mateus 26:69-75, conta que: “Pedro estava sentado lá fora no pátio, quando uma das empregadas chegou perto dele e disse: — Você também estava com Jesus da Galileia. Mas ele negou diante de todos, dizendo: — Eu não sei do que é que você está falando. Depois foi para a entrada do pátio. Outra empregada o viu e disse às pessoas que estavam ali: — Ele estava com Jesus de Nazaré. Pedro negou outra vez, respondendo: — Juro que não conheço esse homem! Pouco depois, os que estavam ali chegaram perto de Pedro e disseram: — O seu modo de falar mostra que, de fato, você também é um deles. Então Pedro disse: — Juro que não conheço esse homem! Que Deus me castigue se não estou dizendo a verdade! Naquele instante o galo cantou, e Pedro lembrou que Jesus lhe tinha dito: “Antes que o galo cante, você dirá três vezes que não me conhece.” Então Pedro saiu dali e chorou amargamente”.

Pedro não apenas negou o Mestre uma única vez, ele o negou por três vezes, o que demonstra que a capacidade humana por si só não sustenta a sua fé. Quanto mais longe de Jesus estivermos, a chance de falhar e negá-lo é muito grande.

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No livro “Parábolas de Jesus”, é apresentado um Pedro autossuficiente, que após a negação de Cristo se arrependeu e mudou de postura: “A confiança própria enganou-o. Julgou-se capaz de resistir à tentação; mas poucas horas depois veio a prova e, com blasfêmia e perjúrio, negou seu Senhor. Quando o cantar do galo lhe lembrou as palavras de Cristo, surpreso e atônito pelo que acabava de fazer, voltou-se e olhou a seu Mestre. Simultaneamente Cristo olhou a Pedro e sob aquele olhar aflito em que se misturavam amor e compaixão por ele, Pedro conheceu-se. Saiu e chorou amargamente. Aquele olhar de Cristo lhe partiu o coração. Pedro chegara ao ponto decisivo, e amargamente se arrependeu de seu pecado. Foi como o publicano em sua contrição e arrependimento, e como o publicano achou também graça. O olhar de Cristo lhe assegurou o perdão. Findou aí sua confiança própria. Nunca mais foram repetidas as velhas afirmações de autossuficiência. Depois da ressurreição, três vezes provou Cristo a Pedro. “Simão, filho de Jonas”, disse, “amas-Me mais do que estes?” João 21:15. Pedro agora não se exaltou sobre os irmãos. Apelou Àquele que podia ler o coração. “Senhor”, respondeu, “Tu sabes tudo; Tu sabes que eu Te amo.” João 21:17”.

Por Pedro ser autêntico e verdadeiro, ele confiou em si mesmo e negou Jesus, mas, foi alcançado pela graça e o perdão do Pai, se arrependeu do seu erro e chorou amargamente por confiar nas suas próprias convicções.

O livro “O desejado de todas as nações”, de Ellen G. White traz o sentimento de Pedro: “A vista daquele rosto pálido e sofredor, daqueles trêmulos lábios, daquele olhar compassivo e cheio de perdão, penetrou-lhe a alma como uma seta. Despertou-se a consciência. Ativou-se a memória. Pedro recordou sua promessa de poucas horas antes, de que havia de ir com seu Senhor à prisão e à morte. Lembrou-se de seu desgosto quando, no cenáculo, Ele lhe dissera que havia de negar seu Senhor três vezes naquela noite. Pedro acabava mesmo de declarar que não conhecia a Jesus, mas compreendia agora com amarga dor quão bem o Senhor o conhecia e quão exatamente lhe lera o coração, cuja falsidade nem ele próprio conhecia”.

Deus perdoou Pedro pela sua falha, e mais, não se lembrando dela. E poucos dias depois, ao Jesus ressuscitar, sabe para qual discípulo Ele apareceu primeiro? Pedro, conforme Lucas 24:34 e 1 Coríntios 15:5: “E os apóstolos diziam: — De fato, o Senhor foi ressuscitado e foi visto por Simão! E apareceu a Pedro e depois aos doze apóstolos”.

Deus conhece o coração de cada um de nós, pois Ele mesmo nos criou. Deus sabia cada desejo e intenção que havia no coração de Pedro, que mesmo tendo Lhe negado, entendia os processos espirituais que estavam se formando na vida desse discípulo.

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Após esse acontecimento doloroso na vida de Pedro, ele de fato compreendeu que suas boas qualidades deveriam ser submetidas ao crivo de Cristo, a fim de serem canalizadas para o propósito da Missão.

Sua verdadeira conversão ocorreu após essa experiência de arrependimento e perdão, contudo, após seu coração ser quebrantado, todas as suas qualidades, desde sempre percebidas pelo Mestre, foram usadas em favor do Ministério de Cristo.

Diante das adversidades dessa vida, é bem provável que já negamos a Jesus muitas vezes, e assim como Pedro, que possamos declarar nosso arrependimento, conforme a canção de amor, de Daniel Lüdtke, “Sabes que eu te amo”: “Depois de negar a Jesus três vezes. Pedro, agora responde três vezes que O ama. Mas eu não neguei a Jesus somente três vezes. Por isso que eu quero repetir e repetir e dizer. Que eu O amo! Que Ele é o Senhor da minha vida! Que Ele é o meu grande amor! Cante pra Ele e diga! Tu sabes que eu Te amo. Tu sabes que eu Te amo. Tu sabes que eu Te amo”.

Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas. Escritor. Palestrante. Professor. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Bacharel em Administração, Bacharel em Ciências Contábeis (CRC-MT) e Bacharel em Direito (OAB-MT). Membro da Academia Mundial de Letras. Autor dos Livros: “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência”, “A arte de ser feliz”, “Singularidade”, “Autocontrole”, “Fenomenal”, “Reinvente sua vida” e “Como passar em concursos – Vol. 1 e 2”, “Como falar em público com excelência”, “Legado”, “Liderança”, “Ansiedade”, “Mude sua vida em 50 dias Premium”“Inteligência Emocional”, “Manual do Concurseiro”, “Sabedoria”, “Discípulos”, “Educação Financeira”, “Recordar é Viver”, “Manual de Oratória”, “Lições para a vida” e “Inteligência e Gestão da Emoção”.

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