
Querido amigo, pesquisador científico o de renome, contesta minha autópsia remota pantaneira assim relatada: “- Aves não morrem porque caem do ninho, caem do ninho porque morreram, nessa caso, obviamente de quebranto.”
Na verdade, acontece justamente após o olhar curioso lançar o vírus do tal quebranto, como ele mesmo confirmou: “-Não, não, não… ele caiu sem que ninguém estivesse lá. Aliás, o ninho é observado a uma distância enorme, de dentro da mata, com um vão de manos de 2 m de janela pra ver. Tudo feito profissionalmente.”
Impossível portanto verificar todos que viram e admiraram mesmo inadvertidamente, as fotos do lindo e fofo bebê harpia. Possivelmente até sugerindo muitos e variados nominhos docinhos para ele.
Quebranto e quebrante são consequência de eventos transcendentes, usar somente a lógica imanente, mesmo profissionalmente nem beradeia as conclusões de nossa perícia forense empirica pantaneira…
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Fato! Todo filhote de animal submetido a cuidados humanos tem que usar uma fita vermelha como vacina antiquebranto.
Uma vez, vindo de Coxim por terra, parei numa fazenda onde as pessoas estavam com um filhote de caxinguelê coletado por crianças, e os adultos não sabiam o que fazer com ele, resgatei-o e levei para a fazenda Caiçara, onde tia Dalva como sábia matrona pantaneira tinha criado muitos filhotes como verdadeiros filhos de sua numerosa familia, tanto animais como humanos.
Deixei a seus cuidados e quando voltei o Caxito, como o haviam chamado tinha seu berço e era carinhosamente5 cuidado e suas travessuras eram motivo de diversão e encanto naquele cantinho do Pantanal.
Fui para Campo Grande, e até passei numa loja e trouxe um mimo de presente para o Caxito, quando do meu retorno.
Infelizmente encontrei a Fazenda Caiçara com todos carpindo o mais profundo luto.
Chorosos, me mostraram o enfeitado túmulo do infeliz caxinguelê, perguntei o que havia acontecido e havia unanimidade na descrição.
Passara um avião da linha e determinado passageiro havia elogiado muito a beleza do Caxito e até o fotografara, e todos se culpavam por não terem providenciado, a tempo e hora, a “vacina” da fita encarnada no pescoço.
Nessa noite ele morreu de quebranto por conta de ter sido observado, possivelmente com inveja daquela convivência amorosa unter espécies, característica da cultura local …
Quebranto existe na realidade do mundo transcendente do verdadeiro Pantanal…
Eu afirmo, reafirmo e dou fé, esse filhote de harpia morreu de quebranto, reação imanente da concupiscência e da inveja, no transcendente mundo pantaneiro.
Armando Arruda Lacerda
Porto São Pedro





























